ENTREVEIRO POR CAUSA DE R$ 1 REAL
“Existem pessoas que são lobas, mas que se “Transvestem” de cordeiro”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), foi palco de uma situação inusitada na sessão desta quarta-feira entre presidente da Casa de Leis, o deputado estadual, José Eduardo Botelho (UB), e o companheiro de parlamento, o petista Lúdio Cabral, que protagonizaram uma briga, momento este em que os parlamentares tratavam de um Projeto de Lei que obriga a realização de licitação para a concessão do BRT (Ônibus de Trânsito Rápido), em Cuiabá com a tarifa a R$ 1 por 5 anos.
O parlamentar petista Lúdio Cabral, cobrou a votação da sua proposta em caráter de urgência, que acabou sendo rejeitado com 13 votos contrários. A discussão, com dedos em riste, começou quando o deputado estadual José Eduardo Botelho empurra o colega, que se desequilibra e quase cai. O entrevero só teve fim com a interferência do deputado estadual Beto 2 a 1 (UB), que separou os dois.
Ao que tudo indica, a disputa de hoje no plenário é uma prévia das eleições municipais, já que ambos são pré-candidatos à Prefeitura de Cuiabá.
“Todos me conhecem. Respeito é recíproco. Agora não tem sentido o presidente da Assembleia perder a cabeça e partir para agressão física. Não tem sentido, porque isso não é compostura de quem tem decoro parlamentar. Você precisa se desculpar. E é meu dever dizer isso. O senhor é pré-candidato a prefeito de Cuiabá, vai enfrentar a disputa, o debate e o contraditório, tem que ter paciência. Não pode perder a cabeça, não pode apelar e partir para agressão. E eu sinto muito de ter que tratar de uma pauta dessa aqui. Postura presidente“.
Em resposta, Eduardo Botelho pediu que Lúdio Cabral tenha respeito com os colegas parlamentares. Ele afirmou que só age com agressão com quem não se dirige a ele com calma e de forma respeitosa.
“Sou um cara que nasceu na rua, apanhando de polícia quando fazia graça. Não aceito ninguém fazer graça com a minha cara, se vier com respeito, terá respeito, se vier com briga, terá briga. Exijo respeito“.
Mesmo depois de todo o entrevero, e sem citar o nome de Lúdio Cabral, o presidente da Casa de Leis alegou que “existem pessoas que são lobas, mas que se transvestem de cordeiro”.
Toda reação tem um motivo
Conforme esclarecimento do deputado estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Lúdio Cabral, a reação do deputado estadual Eduardo Botelho (UB), em xingá-lo de “vagabundo” e agredi-lo com um empurrão, se deve a descoberta de um Termo Aditivo no contrato de concessão do transporte publico intermunicipal entre as cidades de Cuiabá e Várzea Grande se deve ao fato de que a família do parlamentar unista, estaria sendo beneficiada.
Em seu Projeto Lei apresentado, obriga a realização de licitação para a concessão do Ônibus de Rápido Transporte (BRT) com a tarifa a R$ 1 por 5 anos, poderá fazer com que a família de Eduardo Botelho deixe de atuar em um setor milionário.
“Ele está desesperado assim que o projeto dele foi desmascarado. Porque é o próximo Prefeito de Cuiabá que dirá se quer ou não que a atual concessionária assuma a operação do BRT, porque isso já está previsto no contrato”.
Caso o Projeto de Lei fosse aprovado exigindo licitação, o gestor não teria a decisão sobre o BRT em mãos.
“O deputado Eduardo Botelho ficou desequilibrado por esse motivo. Esse é o motivo de toda a mobilização feita pra que o meu projeto de lei não fosse votado. Será que ele vai alegar que desconhece esse termo aditivo?”.
“Qual a razão do deputado Eduardo Botelho demonstrar o desequilíbrio que ele demonstrou ontem? A explicação está aqui. É porque, com o projeto de lei aprovado, a família Botelho corre o risco de perder um negócio milionário que eles têm hoje de operação”.
De acordo com o Termo Aditivo assinado em dezembro de 2022, com a implantação do BRT, o Estado terá que indenizar as empresas de ônibus pelos investimentos feitos em frota e tecnologia para o transporte que deixarão de ser usados nas linhas que o novo modal atuará.
“Na situação de implantação do sistema BRT, os serviços concedidos na forma deste aditivo terão direito ao reequilíbrio contratual com as devidas alterações, na forma como estabelecido na legislação e no contrato de concessão, sobre os investimentos realizados em frota, instalações e sistemas tecnológicos que sejam desmobilizados por decorrência da implantação da rede integrada, não sendo devidas indenizações a título de lucros cessantes”, diz o item 3.2 da cláusula 3ª do aditivo.
O documento ainda sinaliza que as empresas que atuam hoje no transporte intermunicipal em Cuiabá e Várzea Grande, poderão incorporar a operação dos serviços do BRT, “nas condições a serem estabelecidas nos devidos atos institucionais e instrumentos jurídicos firmados entre os entes públicos, de acordo com a legislação aplicável”.
Política
“Quando o ódio às mulheres deixa a internet, entra nas universidades”
“O que aconteceu dentro da Faculdade de Direito da UFMT não é apenas mais um episódio de misoginia universitária. É um retrato brutal de como a violência contra a mulher continua sendo banalizada até mesmo em ambientes que deveriam formar consciência, ética e civilidade“.
Disse à imprensa e em suas redes nesta quinta-feira (07),a diretora-executiva do União Mulher em Mato Grosso e presidente do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, ao reagir com profunda indignação à divulgação de uma lista produzida por estudantes que classificava calouras do curso de Direito da UFMT como “estupráveis”.
Para Gisela, quando o ódio às mulheres chega às universidades, então a sociedade tem a obrigação de reagir antes que a violência simbólica se transforme em violência física e, pior, seja naturalizada.
“Causa profunda indignação este episódio envolvendo alunos do curso de Direito da UFMT que produziram uma lista classificando colegas calouras como estupráveis. Não existe qualquer espaço para banalizar um ato como esse. Isto não é brincadeira, não é humor universitário, nem sequer pode ser observado como exagero de interpretação. Esta lista é literalmente um ato de violência, porque pressupõe a aceitação do estupro. É a reprodução de uma cultura cruel que humilha mulheres, incentiva a misoginia e normaliza o medo dentro de um ambiente que deveria ser de acolhimento, respeito e formação cidadã”, afirmou.
A manifestação da dirigente ocorre em meio à forte repercussão do caso, que provocou revolta entre estudantes e levou centenas de universitários a protestarem no Campus da UFMT, em Cuiabá, com cartazes e manifestações públicas de repúdio. O conteúdo veio à tona após denúncia do Centro Acadêmico de Direito (CADI/UFMT), que divulgou nota cobrando providências institucionais e acompanhamento rigoroso das investigações.
Após a repercussão, a Faculdade de Direito instaurou procedimento administrativo para apurar as condutas atribuídas aos envolvidos. A reitoria da UFMT também determinou o afastamento dos estudantes investigados.
Para Gisela Simona, contudo, a gravidade do episódio ultrapassa os limites de uma infração disciplinar universitária, pois expõe um nível alarmante de naturalização da violência sexual contra mulheres jovens.
“O estupro é um dos crimes mais brutais que existem e deixa marcas permanentes em suas vítimas. Transformar isso em piada revela um nível assustador de desrespeito à dignidade humana e à segurança das mulheres. Nenhuma estudante entra numa universidade para ser exposta, constrangida ou tratada como objeto”, ainda declarou.
E ao cobrar rigor nas apurações e punição exemplar aos responsáveis, Gisela também fez um movimento que ampliou a dimensão humana do debate ao relacionar o caso da UFMT a uma tragédia que ocorreu esta semana na capital mato-grossense: a morte da cantora de rock, Vanessa Capelette.
A conexão entre as duas histórias não foi construída apenas pela coincidência temporal. Mas pelo elo invisível e devastador que une mulheres marcadas pela violência sexual e pelo abandono emocional que frequentemente vem depois dela.
Ao comentar o caso, Gisela citou a repercussão do relato feito nas redes sociais pela cantora e compositora cuiabana Meire Pinheiro, que lamentou publicamente a morte de Vanessa. Em publicação emocionante, Meire relembrou a participação de Vanessa no projeto audiovisual “Viver Cultura”, realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, ocasião em que a artista revelou ter sido vítima de estupro cometido por um padre, posteriormente preso sob acusações de abusos contra centenas de crianças.
Segundo relatos de pessoas próximas, Vanessa jamais conseguiu se libertar completamente das marcas emocionais deixadas pela violência sofrida na infância. As cicatrizes atravessaram décadas, afetaram sua saúde mental e, silenciosamente, corroeram sua relação com a própria vida.
Para Gisela, faz-se necessário ampliar o debate sobre as graves sequelas que o estupro deixa na vida de uma pessoa. Sobretudo, quando se observa o crescimento dos movimentos extremistas conhecidos como Red Pill que têm dado sinais claros de infiltração também dentro de ambientes universitários de Mato Grosso.
“Estamos falando de um trauma psicológico que destrói sonhos, destrói a saúde mental e, muitas vezes, destrói inteiramente o projeto de vida de uma pessoa. O estupro não termina no ato. Ele continua vivendo dentro da vítima por anos, às vezes pela vida inteira. Por isso precisamos deslocar o debate do terreno superficial das redes sociais para uma discussão muito mais profunda e mostrar uma sociedade que ainda insiste em minimizar violências que podem acompanhar mulheres até o fim da vida, inclusive, fazê-las desistir dela“.
Para a parlamentar, episódios como o da UFMT demonstram que Mato Grosso precisa enfrentar de forma mais séria o avanço de discursos misóginos que se espalham pelas redes sociais e passam a influenciar comportamentos concretos no cotidiano.
“Quando o ódio às mulheres deixa a internet, entra nas universidades, e se alastra no tecido social, temos obrigação de reagir”.
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