ALVOS DA "OPERAÇÃO PERFÍDIA"
Escutas telefônicas revelam negociação de vereadores
Os vereadores Francisco Carlos Amorim, o Chico 2000 (PL) e Joelson Fernandes do Amaral, o Sargento Joelson (PSB), foram afastados das suas funções públicas por suspeita de corrupção, após serem alvos da “Operação Perfídia“, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), com o objetivo de investigar crime de corrupção na Câmara Municipal de Cuiabá, envolvendo a empresa responsável pelas obras do Contorno Leste.
A investigação apontam que os vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB), receberam propina de uma empresa para aprovar um Projeto de Lei que beneficiaria a empresa.
A polícia cumpriu três mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos vereadores. Eles são acusados de receber, pelo menos, R$ 250 mil da empresa responsável pelas obras do Contorno Leste. A Câmara Municipal de Cuiabá está colaborando com a investigação, fornecendo imagens do prédio no período em que o pagamento ilícito teria ocorrido.
A investigação sobre o esquema de corrupção dentro da Câmara de Cuiabá apontou que os vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB) receberam, pelo menos, R$ 250 mil da empresa responsável pelas obras do Contorno Leste para aprovarem um projeto de interesse da empresa. Os dois foram afastados das funções públicas após serem alvos da “Operação Perfídia“.
Conforme as investigações da Polícia Civil, a propina foi paga por um funcionário da empresa dentro dos próprios gabinetes dos vereadores.
Em nota, a Câmara Municipal de Cuiabá informou que está colaborando com o levantamento das informações solicitadas pela polícia, incluindo imagens do prédio no período de agosto de 2023 a agosto de 2024, quando o pagamento ilícito teria ocorrido.

Como o suposto esquema funcionava?
– Denúncias apontaram que os vereadores teriam solicitado propina para aprovar um projeto de lei em prol da empresa HB 20 Construções EIRELI, responsável pelas obras do Contorno Leste;
– Um funcionário da HB 20 relatou à polícia que realizou o pagamento de R$ 250 mil aos parlamentares, sendo R$ 150 mil por transferências via Pix e R$ 100 mil entregues em espécie;
– As negociações aconteciam nos gabinetes dos vereadores, dentro do órgão legislativo;
– O projeto permitia à prefeitura parcelar dívidas tributárias, que, em tese, facilitaria a liberação de pagamentos pendentes à HB 20;
– Após a aprovação do projeto de lei, a empresa recebeu um repasse de R$ 4,8 milhões da Prefeitura de Cuiabá, o que reforça, segundo a investigação, a existência de uma contrapartida ilícita;
Escutas telefônicas revelam negociação
Chico 2000 é acusado de ter dado o aval, enquanto presidente da Câmara de Cuiabá, para que o vereador Sargento Joelson (PSB) negociasse o pagamento de R$ 250 mil em propina para que se aprovasse um projeto que autorizou a renegociação de dívidas da Prefeitura de Cuiabá, para que ela obtivesse certidões negativas, e assim receber recursos para pagar empresas, entre elas, a HB20 Construções, responsável pelas obras do Contorno Leste.
Áudios e troca de mensagem entre o vereador Sargento Joelson e um representante da empresa revelam, em tese, que Chico 2000 sabia das negociações.
“Bom dia, J, tudo bom? Oh irmão, teve um cara aqui por nome Jean, falando em nome da empresa aí, querendo resolver problemas, de acordo… de acerto entre nós e vocês aí. Ôôh irmão, deixa eu só te falar cara, o acordo foi feito entre eu e você cara. O presidente Chico, um dia participou e deu o aval cara, agora você fica mandando terceiros aqui cara. Não está resolvido nosso trem? Nós não resolvemos a parte suas e você está terminando de resolver a parte nossa, então está tudo certo, não tem que ficar mandando ninguém aqui não, pow!”, diz um dos áudios.
O funcionário também comprovou o pagamento por depósito, via PIX, no valor de R$ 150 mil para José Márcio da Silva Cunha, pessoa indicada por Joelson para receber o pagamento. Chico 2000 chegou a ter um pedido de cassação contra ele. Porém, a Câmara de Cuiabá rejeitou, alegando irregularidades na solicitação feita pelo ex-juiz federal Julier Sebastião (PT). Eustáquio Neto, procurador-geral da Casa de Leis, explicou que a representação não preenchia os requisitos legais exigidos.
Afastado da Casa de Leis
Com o afastamento oficial da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, de Chico 2000 e Sargento Joelson das funções no Parlamento Municipal por determinação da Justiça de Mato Grosso, alvos da “Operação Perfídia“, deflagrada pela Delegacia de Combate a Corrupção (Deccor), a Câmara Municipal de Cuiabá deu posse aos suplente Rafael Yonekubo (PL) e Gustavo Padilha (PSB).
Chico recorreu e perdeu
O recurso do vereador Chico 2000 (PL), foi negado pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), Juvenal Pereira da Silva, e manteve a decisão que o afastou do mandato por 180 dias. Esse é o primeiro revés do parlamentar que tenta retomar o mandato após ter sido alvo da “Operação Perfídia“, que apura cobrança de propina para votar um projeto que favoreceu uma empresa.
Atendendo a um pedido da defesa de Chico 2000, para voltar a exercer seu cargo de vereador na Câmara de Vereadores de Cuiabá, alegando que seu afastamento foi “desproporcional e desnecessário”, e que durante o cumprimento dos mandados judiciais de busca e apreensão, não foi encontrado qualquer material ilícito na residência, no gabinete ou nos aparelhos eletrônicos do parlamentar, que teriam sido acessados de forma voluntária, o desembargador entendeu que o pedido apresentado pela defesa já se discutia o mérito da investigação, e que por isso não seria necessária aguardar as conclusões das investigações. A decisão que se encontra sob sigilo foi dada no dia 13 de maio.
Agora a defesa do vereador avalia se recorrerá novamente. A tese defendida é de inexistência de urgência para o afastamento de Chico 2000. E que a permanência do parlamentar no mandato não atrapalharia as investigações, já que o fato analisado ocorreu em 2023.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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