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POLÍTICA É UM JOGO SEM FIM

Entenda política como um clássico de futebol

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Você enxerga política como se fosse um clássico!

Certa feita, ouvi isso de um amigo. O pior é que para contestar a acusação eu tive que aceitá-la primeiro.

É verdade que entenda política como um clássico de futebol, Vasco x Flamengo, Fluminense x Botafogo, Palmeiras x São Paulo, Corinthians x Santos, mas para entender a frase é preciso entender o que seja o clássico para mim, nós na verdade somos um apaixonado por futebol.

Isso também ocorre na política. Afinal, como meu amigo bem observou: Política é como um clássico, uma disputa tensa e sem fim num jogo entre dois lados em conflito para mútuo benefício.

Dito isso, deixem-me explicar melhor como entendo o jogo político. Numa semana, publico a primeira parte:

(a) a política como um jogo; e (b) como entender o significado de “centro” e “extrema”. Na outra semana, segue a segunda parte: (c) a multidimensionalidade da política e as decorrentes posições dos jogadores; e (d) os dois lados da disputa pelo poder político.

Política: Tensão, Conflito, e Cooperação em Jogo

O fundamento da política é o conflito. O jogo político é composto por lados opostos em constante tensão um com o outro. Essa tensão entre os lados em disputa é natural em qualquer comunidade política, e qualquer associação humana é, nalgum grau, política.

Jogo Humanizante

A tensão não apenas faz parte do jogo político, como lhe é constitutiva. Sem tensão não há política; sem política, não há comunidade; sem comunidade, não há ser humano. Querer acabar com a tensão é buscar a desumanização do homem, o que resulta em injustiça, opressão, violência, e mortes desmedidas.

Jogo Sem Fim

O fundamento da política é o conflito, mas se trata de um conflito cooperativo. A finalidade do jogo político não é a resolução do conflito; e, sim, a sua perpétua continuidade. A política é um jogo no qual só se vence ao se continuar jogando. Uma vitória definitiva representa a derrota de ambos os lados, pois acaba com a comunidade. Os lados em disputa são interdependentes na comunidade da qual ambos são partes.

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Jogo entre Dois Lados

A tensão depende de lados em oposição, pelo que são sempre dois. Há uma multiplicidade de lados, mas essa é a decorrente da multiplicidade de tensões políticas, de dimensões (esferas, planos) distintas, que se combinam na prática. O “Centro”, ou, melhor dizendo, o “Centrão”, é nulo de substância política, pois não produz tensão alguma.

“Centrão” x Centro

Como política é feita pela disputa de lados opostos em permanente tensão, é impossível haver uma sociedade politicamente sadia fundamentada sobre o Centrão. O Centrão é formado, basicamente, por aqueles que não têm interesse por política e por quem apenas deseja estar junto ao lado em vantagem; em suma, por desinteressados e interesseiros. Uma sociedade sadia politicamente é fundamentada sobre a disputa de “centros” opostos em tensão entre si.

A Tensão Mais Importante: Centro x Extrema

Os lados em oposição na disputa política possuem uma tensão interna insolúvel entre tendências divergentes. Convencionou-se chamar tais tendências por “centro” e “extrema”. Centro e extrema são direções; não, lugar. Portanto, inexiste relação entre a tendência de “centro” e o “Centrão”. Quem é de centro, tem lado. Por centro, entenda-se a tendência em fazer-se política buscando o outro lado; e, por extrema, a de seguir-se na direção oposta.

Diferentes Formas de Encarar as Tensões Políticas

Apesar de as tendências não serem lados políticos, funcionam como “lados dentro dos lados”; e a relação entre essas forma a mais importante das tensões políticas. As tendências representam as formas opostas em lidar com tensão natural da política:

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(a) a “extrema” rejeita a tensão e visa acabar com o incômodo definitivamente encerrando a comunidade com outro lado, eliminando a oposição do jogo político, seja legal ou fisicamente; e (b) o “centro” aceita a tensão e busca lidar com o incômodo temporariamente reforçando a comunidade com o outro lado, buscando a oposição para a elaboração de consensos mínimos e transitórios que preservem o jogo político.

Extrema: Ideologia, Filodoxia, Intolerância

Quando se fala em “ideologia”, o real problema em referência é a tendência de extrema. Trata-se de um sintoma de filodoxia de amor à opinião. O ideólogo é um filódoxo; alguém apegado à sua própria opinião. Como o outro lado discorda da opinião que se defende, esse é visto como ameaça pelo ideólogo e sua tendência de extrema.

Centro: Prudência, Tolerância, Amizade

Ao tender para o centro, faz-se o caminho oposto. O centrista reconhece a natural imperfeição de suas próprias opiniões, tanto quanto às dos outros. Aqueles que discordam da sua opinião, seja do lado oposto como do próprio lado, são vistos como parceiros no jogo político na tarefa de depurar o certo e o errado dentre todas as opiniões políticas.

Sociedade Sadia: Supremacia do Centro em Ambos os Lados

Centro e extrema comparte o mesmo lado na disputa política contra o outro, o qual também tem seu centro e sua extrema. Apenas a supremacia do centro em ambos os lados permite que a disputa política seja sadia, isto é, seja simultaneamente conflitiva e cooperativa.

Para tanto, é mister ir em direção ao centro sem renunciar o lado. Somente o conflito em que jamais se busca a vitória definitiva é capaz de fortalecer a comunidade e conter tendências extremadas.

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Política

A complexidade e os impasses na formação de chapas do MDB em Mato Grosso

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As articulações políticas que antecedem o período eleitoral costumam revelar a complexidade das negociações partidárias no cenário mato-grossense. Em um contexto de intensas disputas por espaço e representatividade profissional, os bastidores dos partidos transformam-se em arenas decisivas para a definição das candidaturas que disputarão o voto popular nas urnas.

Essas negociações eleitorais ocorrem predominantemente na sede estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Mato Grosso, bem como em reuniões estratégicas conduzidas por lideranças regionais. O ambiente interno da agremiação tornou-se o centro das atenções à medida que os prazos regimentais e as convenções se aproximavam.

As movimentações mais recentes intensificaram-se ao longo dos últimos meses de definições partidárias, período em que as siglas precisaram consolidar suas nominatas oficiais. O calendário eleitoral impôs um ritmo acelerado para a construção de consensos e para a viabilização das chapas proporcionais no estado.

A ex-prefeita da cidade de Sinop, Rosana Martinelli, figura central nesse processo, buscava consolidar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Contudo, a decisão estratégica da Diretoria Partidária de não lançar candidatos ao cargo de deputado federal acabou por inviabilizar suas pretensões eleitorais para a disputa deste ano.

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A reviravolta na trajetória política da ex-gestora ocorreu porque o MDB estadual enfrentou severas dificuldades na formação de um grupo competitivo para a disputa proporcional. Diante das desistências de nomes estratégicos e da ausência de consenso interno, a sigla optou por priorizar outras frentes de atuação regional.

A condução das negociações deu-se por meio de reuniões diretas lideradas pela presidente estadual do partido, a deputada estadual Janaina Riva. Segundo avaliações do próprio grupo político, a coordenação do processo demandou habilidade para gerenciar divergências e conciliar os interesses individuais e coletivos das lideranças envolvidas.

Diversos fatores conjunturais motivaram o desfecho desfavorável às pretensões de Rosana Martinelli, incluindo a desistência de potenciais pré-candidatos que priorizaram projetos pessoais. Além disso, a inviabilização de outras candidaturas regionais, como a da vice-prefeita Coronel Vânia à Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), evidenciou a fragilidade da base aliada.

Diante do cenário de frustração das candidaturas regionais, a ex-prefeita de Sinop adotou uma postura pragmática ao declarar a ausência de mágoas e ao reconhecer a complexidade do amadurecimento político institucional. A líder reafirmou a disposição de colaborar ativamente com projetos de aliados estratégicos na esfera estadual.

Os desdobramentos operacionais dessa reorganização partidária refletem-se no apoio declarado de Rosana Martinelli à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Simultaneamente, a ex-gestora confirmou sustentação à postulação de Janaina Riva ao Senado Federal, demonstrando alinhamento com a estrutura governista.

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Por fim, o futuro político da ex-prefeita permanece em aberto, dependendo de futuras deliberações pessoais e do quadro de coligações que se desenhará nos próximos ciclos. A trajetória recente evidencia que as alianças partidárias dependem da constante repactuação de interesses em um cenário dinâmico e em permanente transformação.

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