MUDANÇA DE COMANDO NO PT MUNICIPAL
Edma Macedo é lançada pelo Movimento PT a presidente do PT Cuiabá
A candidatura de Edma Macedo a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Cuiabá foi lançada em ato político com a presença do candidato a presidente nacional do partido Romênio Pereira, do deputado estadual Lúdio Cabral, do atual presidente do diretório do PT de Cuiabá, Bob Almeida, e militantes da capital e de municípios do interior. Edma concorre no Processo de Eleição Direta (PED) 2025 pela tendência Movimento PT. A eleição será no dia 6 de julho, e todos os filiados e filiadas têm direito ao voto.
O deputado estadual Lúdio Cabral lembrou da trajetória de militância da candidata, durante discurso no ato realizado na noite de sexta-feira (16).
“Edma começou a militar ainda menina, acampada para ter um pedaço de terra lá em Pontes e Lacerda. Mulher, assentada da reforma agrária, formada em ciências contábeis, lutadora da agricultura familiar e das pastorais sociais, militante do PT desde a juventude. A trajetória da Edma fará dela uma presidente qualificadíssima, para dar continuidade ao trabalho da direção municipal presidida pelo Bob Almeida, ampliar e fortalecer cada vez mais as lutas de trabalhadores e trabalhadoras de Cuiabá“, afirmou.
Edma é contadora e agricultora familiar. Casada com Nilton Macedo, ex-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso (Fetagri-MT), e mãe de um menino de 13 anos, Edma é filiada ao PT desde 2003. Ela iniciou sua trajetória política na militância da agricultura familiar e da reforma agrária em Pontes e Lacerda, atuando como diretora de associação rural e do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, além de presidente da Central de Abastecimento e Vendas da Central das Associações. Também atua nas pastorais sociais da Igreja Católica.
“Tenho minha vida de militância da roça, da agricultura familiar. A luta da roça é uma, a luta burocrática é outra, e todas são importantes. Agora, me coloco à disposição para dar continuidade ao trabalho de fortalecimento do PT iniciado pelo Bob, para ser a primeira mulher presidente do PT em Cuiabá. Nosso compromisso é estar na rua, sendo escuta. A gente sabe que Cuiabá tem muitos problemas. Toda vez que visitamos os bairros, ouvimos preocupações com falta de vagas em creches, transporte precário, dificuldade de conseguir atendimento em saúde, falta de oportunidades para os jovens, entre outras. Precisamos trabalhar para mudar essa realidade. E também pela maior participação de jovens e mulheres na construção de política públicas inclusivas“, defendeu Edma.
O atual presidente do PT Cuiabá, Bob Almeida, destacou o trabalho de Edma nos movimentos de base e nas campanhas eleitorais.
“Edma é militante raiz do PT, que vai pra rua e está sempre nas comunidades. Estou há 6 anos na presidência do PT e estou passando o bastão para a Edma com muita alegria, na certeza de que vamos ganhar a eleição do PED. Vamos deixar nosso voto de confiança no Romênio, candidato a presidente nacional, na Edma, na chapa para o PT de Cuiabá, e na nossa chapa para o diretório estadual“, declarou.
Lúdio Cabral agradeceu e elogiou a direção de Bob Almeida à frente do PT de Cuiabá nos últimos seis anos.
“Bob foi um gigante na condução do PT e foi um gigante na construção da nossa chapa em 2020 e 2024, e também na articulação da nossa candidatura à Prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2024. Construímos uma aliança muito positiva, unindo a esquerda de Cuiabá e parte do centro. Ele deixa um grande legado de reconstrução do PT em Cuiabá, que será continuado pela Edma“, disse.
Direção nacional
Lúdio destacou também o papel de Romênio Pereira como dirigente nacional e líder do Movimento PT.
“Romênio é o dirigente do PT que mais conhece o Brasil. Foi um grande defensor da nossa candidatura à Prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2024, e fundamental para que essa candidatura se viabilizasse. É o nosso candidato a presidente nacional do PT“, resumiu.
Atualmente secretário de Relações Internacionais do PT nacional, Romênio, que é de Minas Gerais, iniciou sua trajetória como militante na igreja católica e no movimento sindical, é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e lidera a tendência Movimento PT.
Em seu discurso, Romênio destacou as principais bandeiras da sua campanha a presidente do PT: a defesa da população mais pobre, das mulheres, dos negros, dos jovens e da população LGBTQIAPN+, além da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Eu quero o PT na rua. Temos que olhar mais para a população mais pobre, mais do que ficar dialogando com o empresariado brasileiro. Quem elegeu Lula foram as pessoas negras, as mulheres e os mais pobres. O principal compromisso da minha candidatura é a reeleição do presidente Lula, pelo que ele representa para a população brasileira. Precisamos estar nas ruas, próximos das bases, e construindo o partido junto com a juventude, pensando no presente e no futuro do PT“, projetou Romênio.
Política
Abilio Brunini enfrenta semana decisiva em meio à “Crise Institucional” na Câmara de Cuiabá
O cenário político da capital mato-grossense centraliza as atenções institucionais com o início de uma semana considerada crucial para a governabilidade do Poder Executivo Municipal. O embate gira em torno da estrutura de poder da Câmara Municipal de Cuiabá, onde se articulam as forças de sustentação e de oposição à atual gestão. O desfecho dessa complexa correlação de forças ditará o ritmo da administração pública municipal nos próximos anos, tensionando a relação entre os poderes locais.
A crise institucional tem como protagonista o Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), cuja atuação política direta nos bastidores do Legislativo converteu-se no estopim de uma severa instabilidade entre os parlamentares. O chefe do Executivo Municipal concentra seus esforços na viabilização política e jurídica da candidatura de sua principal aliada para o comando do parlamento. A estratégia do prefeito visa consolidar uma base parlamentar amplamente dócil às demandas da prefeitura, assegurando tranquilidade para a aprovação de projetos de seu interesse.
O epicentro do confronto político localiza-se estritamente na Câmara Municipal de Cuiabá, a Casa de Leis que abriga as deliberações oficiais da Capital do Estado de Mato Grosso. O parlamento municipal transformou-se em uma verdadeira arena de disputa jurídica e partidária, onde cada bloco de vereadores tenta salvaguardar suas prerrogativas institucionais. O ambiente legislativo reflete a polarização e a fragmentação das forças partidárias que historicamente caracterizam a política da região Centro-Oeste do país.

As movimentações políticas e os debates jurídicos intensificaram-se de forma decisiva ao longo das últimas horas, com votações estratégicas formalmente agendadas para esta terça-feira. Este momento específico do calendário legislativo coincide com a necessidade de definição antecipada das regras que governarão a Mesa Diretora nos anos subsequentes da atual legislatura.
A celeridade do processo legislativo gerou um clima de urgência entre os parlamentares, que se veem obrigados a tomar posições públicas definitivas sobre o tema.
Os motivos subjacentes à crise residem na tentativa de aprovação de um polêmico projeto de resolução que visa permitir a reeleição da Mesa Diretora para o Biênio posterior. A iniciativa atende diretamente aos interesses da atual presidente da Casa de Leis, a vereadora Paula Calil (PL), cuja permanência no cargo depende dessa alteração regimental. A oposição e setores independentes da Câmara de Cuiabá enxergam a manobra como um casuísmo político desenhado exclusivamente para perpetuar o grupo governista no controle do orçamento e da pauta do parlamento.
A dinâmica dos fatos envolveu o uso de mecanismos judiciais extraordinários por parte do grupo governista, que acionou o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), para atingir seus objetivos políticos. O prefeito cuiabano Brunini atua ativamente na defesa de uma tese jurídica que solicita a redução do quórum de aprovação do projeto para maioria simples, contornando a exigência atual.
A estratégia jurídica foi adotada após a constatação de que a vereadora governista não dispõe, no momento, dos dezoito votos mínimos necessários para a alteração regimental por vias estritamente políticas.
Os procedimentos legislativos ganharam contornos de dramaticidade após a aprovação preliminar da matéria pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), órgão técnico responsável por avaliar a legalidade da proposta. A aprovação na comissão garantiu o envio imediato do texto para o plenário, deflagrando discussões acaloradas e trocas de acusações mútuas entre os vereadores de diferentes blocos. A pacificação interna do parlamento restou severamente comprometida após episódios de retaliação digital, que culminaram na exclusão de parlamentares desalinhados de canais formais de comunicação com o prefeito.

O objetivo estratégico do prefeito Abilio Brunini ao intervir diretamente no processo sucessório é assegurar a eleição de uma Mesa Diretora integralmente alinhada à sua agenda administrativa. A garantia de uma presidência simpática ao Palácio Alencastro evita a abertura de comissões investigativas e acelera a tramitação de pedidos de empréstimos e reformas administrativas complexas.
Para o Executivo Municipal, o controle do comando do Legislativo cuiabano representa a blindagem política necessária para a execução do plano de governo sem sobressaltos institucionais.
As consequências imediatas da interferência do Executivo manifestam-se no enfraquecimento da harmonia entre os poderes e no isolamento político de antigos aliados do Prefeito de Cuiabá. A postura centralizadora de Brunini foi publicamente rechaçada por lideranças de nível estadual, a exemplo do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), deputado estadual Max Russi (Podemos). A crise provocou fissuras profundas na base aliada, visto que até mesmo parlamentares simpáticos à gestão manifestaram desconforto com a quebra da promessa inicial de não intervenção no parlamento.
Os desdobramentos futuros deste embate redefinirão de maneira permanente o equilíbrio de forças na política cuiabana e o grau de independência do Poder Legislativo Municipal. A decisão soberana do plenário da Câmara Municipal sinalizará se o parlamento manterá sua autonomia fiscalizatória ou se curvará aos desígnios do poder central da capital. Independentemente do resultado numérico das votações, o episódio deixa como legado uma relação tensionada que exigirá intensa habilidade diplomática para a reconstrução pontes institucionais.
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