NOVO GRAU DE TENSÃO POLÍTICA
Declarações de Jayme Campos sobre Fethab acirram embate político com Blairo Maggi
As articulações para a sucessão do governo de Mato Grosso em 2026 ganharam novo grau de tensão após declarações públicas do senador Jayme Campos (União Brasil), que colocou o ex-governador e empresário Blairo Borges Maggi (PP) no centro de um embate político envolvendo o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).
Ao afirmar que Blairo Maggi teria uma dívida superior a R$ 2 bilhões com o Estado, supostamente amparada por decisão liminar, o parlamentar reacendeu disputas históricas e ampliou o tom do confronto dentro do próprio campo político governista.
Em entrevista, Jayme Campos declarou que, caso seja eleito governador, pretende questionar judicialmente as decisões que, segundo ele, impedem a cobrança integral do tributo. O senador afirmou que os valores devidos seriam suficientes para quitar a Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais, atualmente estimada em quase 20%, e criticou o que classificou como privilégios concedidos a grandes empresários.
Segundo o Senador unista Jayme Campos, além de Blairo Maggi, outros 51 contribuintes estariam em situação semelhante, beneficiados por liminares que se estenderiam há mais de dois anos.
“Blairo Maggi não paga Fethab. Sabe quanto ele deveria, no mínimo? R$ 2 bilhões. Parcela esse dinheiro e já paga até o RGA [atrasado]. Tem uma liminar. Se eu for governador, vou atrás e caçar essa liminar. Ele vai pagar tudo, ele e outros 51“.
Diante da repercussão, o ex-governador Blairo Maggi reagiu publicamente e refutou de forma categórica as acusações. Maggi classificou as declarações como improcedentes e afirmou não existir qualquer decisão judicial que o isente do pagamento do Fethab.
Como forma de contestação, ofereceu uma recompensa de R$ 100 mil a quem apresentar a suposta liminar mencionada pelo senador, ressaltando que sempre manteve relação de respeito institucional com Jayme Campos e sua família, apesar das divergências políticas.
O embate ocorre em um momento sensível das articulações eleitorais, marcado pela disputa interna no grupo governista pela indicação ao Palácio Paiaguás. Blairo Maggi e seu primo Eraí Maggi, ambos ligados ao agronegócio, já declararam apoio à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), nome que também concorre pela preferência do governador Mauro Mendes (UB). Jayme Campos, por sua vez, é apontado como potencial adversário direto de Pivetta na construção do projeto político para 2026.
Ao ampliar o discurso, o senador afirmou que não aceitará a influência de grupos econômicos na definição do processo eleitoral e criticou empresários que, segundo ele, acumulam benefícios e infraestrutura privada, como aeroportos particulares, sem cumprir integralmente suas obrigações fiscais.
A declaração faz referência a encontros recentes entre lideranças políticas e empresários, realizados fora do Estado, e evidencia que a disputa pelo controle político de Mato Grosso deve se intensificar nos próximos meses, tendo o Fethab como um dos principais eixos do debate público.
“Não vamos aceitar. Tem empresário aqui, um dos maiores, que não paga Fethab. Na época eu era governador e até hoje não paga imposto. O senhor vai pagar, como todos nós pagamos. Por que tem essa casta? Possuem aeroportos privados e isso tem que acabar“.
A declaração é uma referência a reunião que ocorreu no final do ano em Balneário Camboriú, e que teve a presença do governador e vários empresários do Estado de Mato Grosso, que apoiam o Republicano, Otaviano Pivetta.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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