TRANSTORNOS PARA POPULAÇÃO
CPI da Águas Cuiabá encontra rede de esgoto dentro de córrego
Os membros que farão parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Águas Cuiabá já foram definidos. A investigação será presidida pelo vereador do Partido Cidadania, Diego Arruda Vaz Guimarães, a relatoria será conduzida pelo vereador Marcrean Santos (Progressistas) e como membro o vereador Chico 2000 (PL).
A Comissão deve apurar a qualidade da exploração dos serviços públicos de abastecimento de água potável e de esgotamento sanitário em toda área territorial urbana do município de Cuiabá.
O presidente da CPI da Águas Cuiabá, Diego Guimarães ressalta que o serviço de má qualidade vem sendo realizado de forma frequente em vários bairros da capital, e está em desacordo com a Cláusula 25.2 do contrato de concessão que determina que a concessionária deverá se empenhar para evitar transtornos aos usuários e à população em geral.

Diego Guimarães ressaltou que a investigação não tem como objetivo ser contra a implantação de saneamento básico da cidade.
“Ninguém é contra saneamento básico nem é contra obras de esgotamento sanitário. Espero que passe a rede de esgoto em toda Cuiabá. O que nós não podemos admitir é que em troca disso a empresa forneça um péssimo serviço na parte de recomposição da malha asfáltica”.
A CPI da Águas Cuiabá terá a duração de 120 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo tempo caso seja necessário. A primeira reunião para estabelecer o cronograma de trabalho irá acontecer ainda esta semana.
Irregularidades encontradas
Em diligência da CPI da Águas Cuiabá, após denúncia da população, o presidente da investigação, o vereador do Partido Cidadania, Diego Arruda Vaz Guimarães, constatou a existência de uma rede de esgoto construída dentro de um córrego no bairro Alvorada em Cuiabá.

Na companhia do vereador Joelson Fernandes do Amaral, o Sargento Joelson, eles encontraram canos e até vazamento de dejetos diretamente no Córrego Quarta-Feira. De acordo com o presidente, alguns especialistas já foram consultados e afirmaram que não há previsão de construção de rede de esgoto desse tipo.
De acordo com moradores, na última chuva houve o deslocamento de canos provocando o despejo de dejetos no córrego. Durante a diligência também foi possível ver vazamentos de esgoto em alguns canos despejando dejetos diretamente no córrego além de acúmulo de galhos nos pilares o que pode causar enchentes no futuro.
“Já fizemos uma consulta e vamos chamar a fiscalização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Ministério Público Ambiental. Este tipo de coisa não pode acontecer, o que queremos é rede de esgoto para salvar os córregos e não transformar os córregos em rede de esgoto e vamos averiguar se está acontecendo em outros lugares da nossa cidade“, explica o vereador.
Política
Patrimônio de deputados de Mato Grosso revela forte alta em quatro anos e amplia debate sobre transparência eleitoral
A evolução patrimonial de políticos durante o exercício de mandatos voltou a ocupar espaço no debate público em Mato Grosso com a divulgação das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Embora os vencimentos de parlamentares e integrantes do Executivo sejam superiores à renda média da população, especialistas costumam observar que a remuneração oficial, isoladamente, não explica necessariamente a formação de grandes patrimônios. Nesse contexto, aumentos expressivos de bens despertam questionamentos quando não são acompanhados de explicações claras sobre sua origem.
A declaração patrimonial é uma exigência prevista na legislação eleitoral e constitui um dos mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a situação financeira dos candidatos. Com o início do processo eleitoral, os concorrentes são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os bens que possuem, permitindo que o eleitor compare a evolução patrimonial entre diferentes pleitos. A medida, contudo, também expõe variações significativas que podem alimentar discussões sobre as razões econômicas que levam determinadas pessoas a ingressar ou permanecer na vida pública.
O crescimento do patrimônio, por si só, não representa irregularidade. Bens podem ser incorporados por meio de atividades profissionais, investimentos, negócios particulares, heranças ou doações legalmente realizadas. Da mesma forma, uma eventual redução ou estabilidade patrimonial não constitui, isoladamente, prova de ausência de ganhos. A análise responsável exige a consideração de documentos, fontes de renda, movimentações financeiras e demais elementos capazes de explicar as alterações registradas oficialmente.
Segundo dados divulgados pelo DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso declararam aumento patrimonial em relação à eleição de 2022. O maior crescimento percentual entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) foi registrado por Lúdio Cabral (PT), cujo patrimônio declarado passou de R$ 244,7 mil para aproximadamente R$ 1,6 milhão. A variação representa crescimento de cerca de 560% no período, segundo os valores informados à Justiça Eleitoral.
A declaração de Lúdio Cabral inclui apartamento, depósitos bancários, aplicações financeiras e investimentos. Em valores absolutos, a diferença entre as duas declarações representa uma ampliação superior a R$ 1,3 milhão. O dado coloca o deputado na liderança do ranking de crescimento percentual entre os parlamentares estaduais, mas não significa que ele seja o detentor do maior patrimônio da Assembleia Legislativa Mato-grossense.
A evolução patrimonial, nesse caso, precisa ser analisada separadamente do volume total de bens acumulados.
Na sequência dos maiores aumentos percentuais aparecem Paulo Araújo (Republicanos), que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões, representando crescimento de 279% desde 2022, e Diego Guimarães (Republicanos), com acréscimo de 206%. Entre os bens declarados estão terrenos e outros ativos. As informações apresentadas pelos candidatos permitem ao eleitor identificar as variações registradas oficialmente, mas não determinam, por si mesmas, a existência de qualquer irregularidade.
Na direção oposta, Ondanir Bortoline, o Nininho (Republicanos) e Wilson Santos (PSD) foram os únicos deputados estaduais mencionados nos dados com redução patrimonial em relação à declaração anterior. Wilson Santos apresentou queda de aproximadamente 42%, passando de R$ 450,6 mil em 2022 para R$ 262,1 mil. Nininho, apesar de permanecer entre os parlamentares milionários, registrou redução de cerca de 13%, equivalente a quase R$ 1 milhão em relação ao patrimônio anteriormente declarado.
A liderança em patrimônio total, entretanto, pertence a Carlos Avallone (PSDB), que declarou aproximadamente R$ 33 milhões em bens. O conjunto informado inclui imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras. Na sequência aparecem Júlio Campos (UB), com cerca de R$ 31,5 milhões, e Dilmar Dal Bosco (UB), com aproximadamente R$ 26 milhões.
Os números demonstram que crescimento percentual e riqueza acumulada são indicadores distintos e não devem ser confundidos na avaliação das declarações.
Na bancada federal de Mato Grosso, também foram registradas oscilações relevantes. Coronel Fernanda (PL), que havia declarado aproximadamente R$ 1,7 milhão em 2022, informou agora patrimônio de cerca de R$ 384 mil, redução de 78%. Nelson Barbudo (PL) apresentou queda de 55%, enquanto Juarez Costa (Republicanos) e Emanuelzinho Pinheiro (PSD) também registraram diminuição. José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado e não concorre à reeleição para a Câmara Federal, apresentou crescimento patrimonial de 40%, alcançando aproximadamente R$ 356 mil.
Entre os deputados federais, Fábio Garcia (UB) aparece como o mais rico, com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4,1 milhões, mantendo nível semelhante ao registrado anteriormente. Rodrigo da Zaeli (PL) e Juarez Costa (Republicanos) também figuram entre os parlamentares milionários, com cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.
As declarações patrimoniais, portanto, oferecem ao eleitor uma fotografia financeira dos candidatos, mas a interpretação dos dados exige cautela: aumentos ou reduções de bens não comprovam, isoladamente, irregularidades e devem ser confrontados com as respectivas fontes de renda e documentos disponíveis.
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