DINHEIRO SUSPEITO
Carlos Avalone tem mandato cassado pelo TRE
Nesta quinta-feira (10) unanimidade, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) cassou o mandato do parlamentar estadual pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Carlos Avalone Junior (PSDB).
O deputado tucano é acusado de “abuso de poder econômico” e formação de “Caixa 2” durante a campanha eleitoral de 2018. E com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral, Carlos Avalone fica inelegível pelo período de oito anos.
O julgamento atendeu pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), autora da ação de investigação eleitoral contra o tucano.
O ex-deputado e ex-prefeito da Cidade de Tangará da Serra, Saturnino Masson, é primeiro suplente do PSDB e o substituto imediato de Carlos Avalone na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).
Anteriormente, três magistrados já haviam sido favoráveis à cassação. O julgamento foi retomado após um pedido de vistas do juiz membro Jackson Coutinho. Ainda votaram nesse sentido os juízes Gilberto Lopes Bussiki, Armando Biancardini Candia e o desembargador e presidente da Corte Eleitoral, Gilberto Giraldelli.
A principal prova do processo foi uma quantia de dinheiro apreendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O caso
Três dias antes da eleição de 2018, no município de Poconé. Um veículo Gol de cor prata adesivado e transportando na BR-070, material de campanha do então candidato na época, Carlos Avalone Junior e transportava R$ 89,9 mil em dinheiro, que segundo informações, seriam para pagamento de compromissos de campanha.
Os ocupantes do veículo foram identificados como Dener Antônio da Silva, Rosenildo do Espirito Santo Bregantini e Luiz da Guia Cintra de Alcantara.
Dener Antônio era o condutor. No momento da abordagem, disse que o dinheiro foi pego em um escritório em Cuiabá e que o local pertencia a Carlos Avalone. O montante seria para pagar cabos eleitorais. Todavia, logo após, em seu depoimento, afirmou que não sabia para que seria o dinheiro.
E conforme a Justiça Eleitoral, este valor não teria sido declarado oficialmente, e com isso, o candidato do PSDB Carlos Avalone Junior incorreu em abuso de poder econômico e teria o candidato ultrapassado a margem de R$ 1 milhão de reais em gastos de campanha, o valor permitido aos candidatos a deputado estadual naquela eleição, e seria uma prova cabal de “Caixa 2”. O valor declarado oficialmente foi de R$ 999.996.
O juiz membro Fábio Henrique Fiorenza durante o julgamento ainda lançou suspeitas a respeito da origem do dinheiro, que não foi declarado oficialmente.
“Não é descartável a hipótese de que a origem dos recursos seja oriunda de tráfico de entorpecentes, lavagem de dinheiro ou milícia”.
Carlos Avalone ainda terá uma anotação no Código ASE 540 [inelegibilidade em candidatura futura] no cadastro nacional de eleitores e decretou a perda do valor apreendido em favor da União.
O tucano está na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), desde 2019 quando da saída de Guilherme Maluf ter sido nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT).
Ainda cabe recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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