Search
Close this search box.

LEVANTAMENTO JUDICIAL

Relatório judicial aponta passivo de R$ 3,5 bilhões na SAF do Botafogo

Publicados

em

A administração judicial da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo apontou um passivo total de aproximadamente R$ 3,5 bilhões, conforme levantamento elaborado com base nas contas de julho de 2026. O montante reúne diferentes compromissos financeiros atribuídos à estrutura empresarial do clube e apresenta uma dimensão relevante das obrigações acumuladas pela SAF.

Do total identificado no relatório, cerca de R$ 1,29 bilhão está diretamente submetido ao processo de recuperação judicial. Essa parcela representa os valores que estão formalmente abrangidos pelo procedimento e que, portanto, passam a ser analisados dentro das regras e dos mecanismos previstos para a reorganização das obrigações financeiras da sociedade.

Os números apresentados pela administração judicial, entretanto, são contestados por John Textor, controlador da SAF do Botafogo. O empresário apresenta uma interpretação diferente sobre o tamanho efetivo do endividamento e afirma que a dívida bruta da companhia seria significativamente inferior ao valor apontado no levantamento judicial.

Segundo Textor, o passivo bruto real estaria próximo de R$ 2 bilhões. A avaliação defendida pelo empresário considera critérios distintos daqueles utilizados pela administração judicial para consolidar as obrigações financeiras, o que produz uma diferença expressiva entre os valores apresentados pelas duas partes.

Leia Também:  Irmãos caratecas competem no Campeonato Brasileiro de Karatê Olímpico

A divergência aumenta quando são considerados os ativos relacionados aos jogadores vinculados ao clube. Na avaliação de Textor, esses ativos devem ser levados em conta para determinar a exposição financeira efetiva da SAF, reduzindo substancialmente o valor do passivo quando comparado ao montante bruto das obrigações registradas.

Com essa metodologia, o empresário estima que a dívida líquida da SAF do Botafogo ficaria em aproximadamente R$ 1,06 bilhão. O cálculo, portanto, estabelece uma diferença significativa em relação aos R$ 3,5 bilhões apontados pela administração judicial, evidenciando que os números dependem dos critérios empregados na composição e na interpretação do passivo.

O levantamento inclui diferentes tipos de obrigações financeiras. Entre os compromissos considerados estão valores relacionados à contratação de atletas, operações de empréstimos, repasses futuros e obrigações fiscais. A diversidade dos débitos contribui para a complexidade da avaliação financeira e exige a análise individualizada de cada categoria.

Os valores referentes aos jogadores constituem um dos pontos centrais da divergência entre as avaliações. Enquanto a administração judicial apresenta o passivo consolidado segundo os dados disponíveis no processo, Textor sustenta que determinados ativos vinculados ao elenco possuem valor econômico capaz de compensar parte relevante das obrigações contabilizadas.

A diferença entre os cálculos também demonstra a importância de distinguir dívida bruta, dívida líquida e passivo submetido à recuperação judicial. Embora os conceitos estejam relacionados, eles não representam necessariamente a mesma medida financeira. Por isso, os R$ 3,5 bilhões, os cerca de R$ 2 bilhões e os aproximadamente R$ 1,06 bilhão apresentados nas diferentes avaliações correspondem a critérios distintos de mensuração.

Leia Também:  União briga pela Liderança, Sinop para não cair 

O cenário retratado pelo relatório coloca a situação financeira da SAF do Botafogo no centro das discussões sobre a recuperação judicial e a reorganização de suas obrigações.

De um lado, está o levantamento da administração judicial, que aponta um passivo total de R$ 3,5 bilhões; de outro, a avaliação de John Textor, que considera uma dívida bruta menor e a utilização dos ativos dos jogadores para chegar a um passivo líquido estimado em R$ 1,06 bilhão.

A definição dos valores efetivamente reconhecidos dependerá da análise dos documentos, dos critérios aplicáveis ao processo e da evolução das medidas de recuperação.

Propaganda

ESPORTES

Cristiano Dresch cobra rigor contra clubes devedores e alerta para risco de colapso financeiro no futebol brasileiro

Publicados

em

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou nesta quarta-feira (23) a situação financeira de clubes brasileiros que mantêm dívidas com outras equipes e, mesmo assim, continuam contratando jogadores. Em tom contundente, o dirigente classificou a prática como uma espécie de “estelionato esportivo” e defendeu a adoção de punições mais severas para equipes que descumprem compromissos financeiros. Entre os clubes citados estão Santos, Corinthians, Grêmio, Vasco, Botafogo e São Paulo.

As declarações ocorreram em meio às dificuldades enfrentadas pelo Cuiabá para receber valores de transferências de atletas negociados anteriormente. O clube mato-grossense acionou Corinthians e Santos na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em razão de débitos considerados relevantes para o planejamento financeiro da equipe. Segundo Dresch, os atrasos prejudicam diretamente o funcionamento do clube em um momento decisivo da temporada.

No caso do Corinthians, a CNRD estabeleceu um plano para a quitação de aproximadamente R$ 17,7 milhões referentes à transferência do volante Raniele. O montante foi dividido em 24 parcelas, mas uma delas, no valor de R$ 800 mil, venceu em julho e permanece pendente, segundo o presidente do Cuiabá.

Dresch afirmou ainda que outra parcela venceria em outubro e destacou que o acordo prevê pagamentos durante vários anos, circunstância que aumenta a preocupação do clube mato-grossense.

“Estamos muito preocupados. Estamos em uma reta final de Campeonato na Série B, tentando o acesso, e esses atrasos nos atrapalham demais”, afirmou Dresch.

O dirigente disse conhecer parte dos bastidores envolvendo o Corinthians e demonstrou preocupação com a capacidade de o clube paulista cumprir integralmente os compromissos assumidos. Na avaliação apresentada por Dresch, equipes que dependem desses recebimentos ficam diretamente expostas às dificuldades financeiras de seus devedores.

Leia Também:  Dono de pousada e pescadores são presos em Poconé por pesca predatória

A situação envolvendo o Santos também foi mencionada pelo presidente do Cuiabá. Nesta semana, o clube paulista foi condenado a pagar quase R$ 20 milhões ao Dourado por uma dívida relacionada ao zagueiro Joaquim. O valor apontado é de R$ 18.616.377,46 e envolve tanto a contratação do defensor, realizada em fevereiro de 2023, quanto a parcela a que o Cuiabá teria direito na negociação do jogador com o Tigres, do México, em julho de 2024.

De acordo com Dresch, Cuiabá e Santos haviam estabelecido inicialmente um acordo para que o débito fosse quitado em cinco parcelas. Entretanto, segundo o dirigente, o clube paulista teria realizado somente o primeiro pagamento. A pendência tornou-se mais um exemplo utilizado pelo presidente do Dourado para defender mudanças nos mecanismos de controle financeiro do futebol brasileiro, especialmente em relação a clubes que acumulam compromissos enquanto mantêm investimentos elevados em seus elencos.

O presidente do Cuiabá também citou uma dívida envolvendo o Grêmio, relacionada à negociação do atacante Pepê com o Vitória, estimada por ele em aproximadamente R$ 900 mil. Para Dresch, os casos demonstram que o problema não está restrito a um ou dois clubes. O dirigente afirmou que o futebol brasileiro atravessa um cenário preocupante e defendeu uma revisão dos mecanismos de fiscalização e punição, sob o argumento de que o sistema atual pode conduzir o mercado a um quadro ainda mais grave de desequilíbrio financeiro.

Entre as medidas defendidas por Dresch está a aplicação de perda de pontos para clubes que não cumprirem obrigações financeiras. Segundo ele, o transfer ban, mecanismo que impede o registro de novos jogadores em determinadas circunstâncias, não seria suficiente para garantir o pagamento das dívidas. O presidente do Cuiabá argumentou que sanções esportivas mais severas poderiam aumentar a pressão para que os clubes regularizassem seus débitos, citando Corinthians e Santos como exemplos e mencionando também as situações de Vasco e Botafogo.

Leia Também:  União briga pela Liderança, Sinop para não cair 

Dresch ainda questionou a capacidade de clubes endividados realizarem contratações de alto custo enquanto deixam de cumprir compromissos com outras equipes. Ao citar o Santos, o dirigente comparou a dívida superior a R$ 18 milhões com o Cuiabá aos investimentos em jogadores e salários. Ele também mencionou os efeitos esportivos dessa realidade sobre equipes que, segundo sua argumentação, mantêm suas obrigações financeiras em dia, como Mirassol e Remo, que disputam posições importantes na classificação e enfrentam diretamente clubes com estruturas financeiras diferentes.

Por fim, o presidente do Cuiabá destacou o impacto dos valores não recebidos sobre a própria sobrevivência financeira do clube. Segundo Dresch, a folha salarial mensal do Dourado está atualmente em R$ 1,6 milhão, e os recursos provenientes das negociações representam uma parcela importante do orçamento. Apesar das críticas à gestão financeira dos clubes devedores, ele fez uma ressalva ao presidente do Corinthians, Osmar Stabile, a quem classificou como uma pessoa séria, mas que teria assumido o comando de uma instituição diante de um problema financeiro de grandes proporções.

Para Dresch, a necessidade de estabelecer regras mais rigorosas tornou-se uma questão central para a sustentabilidade e o equilíbrio competitivo do futebol brasileiro.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA