DIREITO DO AGRONEGÓCIO
“MT tem legislação restritiva e Mauro deve repensar proposta de confisco”
A proposta que prevê confisco e perda da área a quem praticar desmatamento ilegal, defendida pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), deve esbarrar em dificuldades jurídicas e políticas para ser aprovada.
É o que explica o advogado Márcio Barbero ao considerar que para que a mudança ocorra o Congresso Nacional deve aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).
Na opinião do jurista, o governador Mauro Mendes tem feito um excelente trabalho em Mato Grosso, mas deve repensar a proposta.
“A Constituição Federal no seu artigo 243, dispõe de forma taxativa quais são as causas que ensejam na expropriação de terras, em resumo, são estas: culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo. Há a possibilidade jurídica de se alterar o dispositivo constitucional por meio de uma PEC, no entanto, é pouco provável, em razão da rigidez da nossa constituição, dificultando assim sua modificação. Ademais, a repercussão que o tema gerará, tornará a aprovação de uma PEC ainda mais difícil“.
Márcio Barbero explica que no caso de Mato Grosso a legislação ambiental já uma das mais rígidas do Brasil e não seria o momento de se discutir novas leis, mas sim criar mecanismos que possibilitem um trabalho mais célere por órgãos como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no que se refere a regularização de licenças para o correto exercício da atividade produtiva no Estado.
“Outro ponto que merece atenção é que grande parte do passivo ambiental do Brasil e do Mato Grosso encontra-se em terras públicas da União, principalmente nos assentamentos criados pelo INCRA, que não têm o devido gerenciamento e acompanhamento pelo órgão, não possuindo, portanto, licenciamento ambiental. Em razão disso, a proposta de expropriar as terras dos desmatadores não terá grande resultado prático, uma vez que tais terras, em sua maioria, já são públicas“, ponderou o advogado, especialista em Direito do Agronegócio.
Segundo Márcio Barbero, a efetividade da proteção ambiental será mais factível quando os órgãos fiscalizadores funcionarem com a velocidade necessária de modo que autorizem àqueles que têm direito e penalize quem faz o desmatamento de forma ilegal.
“Coincidentemente ouvi hoje uma entrevista do Ministro Blairo Maggi, primeira entrevista depois que ele se afastou da política, na sua fala ele destacou muito bem dois pontos fundamentais. O produtor deve cumprir a sua função social, e precisa de segurança jurídica e não de insegurança jurídica. Punir sim, expropriar é um erro. Tenho certeza que o governador poderá repensar essa fala e que isso não deve ter passado de uma empolgação de discurso“, asseverou Barbero.
Proposta
O governador Mauro Mendes esteve reunido com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) e defendeu pena de confisco e perda de bens a quem praticar desmatamento ilegal no país. A proposta foi feita durante encontro na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27), em Sharm El Sheik, no Egito, e deve ser formalizada via minuta de Projeto de Lei nas próximas semanas.
De acordo com Mendes, é preciso endurecer as medidas de combate ao desmatamento ilegal para que o Brasil tenha resultados mais efetivos.
Dados de MT
Atualmente, Mato Grosso mantém 62% de seu território inteiramente preservado, mesmo sendo o principal produtor de commodities do país. Os principais estados produtores dos outros países líderes em produção não preservam nem perto disso.

O Estado é líder na produção de soja, milho, algodão e biodiesel e carne bovina. Possui meta ousada para neutralizar as emissões de carbono até 2035, 15 anos antes da perspectiva global, por meio de um plano de ação colocado em campo desde 2019, via programa Carbono Neutro MT.
Somente o que Mato Grosso já reduziu em emissões de carbono desde 2004 (3,5 gigatons) tem valor estimado de R$ 173 bilhões no mercado de carbono.
Mesmo com o aumento da produção, Mato Grosso também tem reduzido substancialmente o desmatamento. No bioma amazônico, o desmatamento foi reduzido em 85% nos últimos 20 anos.
De janeiro a setembro deste ano, conforme os dados do INPE, a queda total no desmatamento em todo o estado foi de 47%, se comparado com o mesmo período de 2021.
ECONOMIA
“Colapso Fiscal” e “Bloqueios Judiciais” levam Várzea Grande a decretar “Calamidade Financeira”
A administração municipal de Várzea Grande formalizou a decretação de situação de “Calamidade Financeira e Fiscal” em toda a estrutura do Executivo Municipal e no Departamento de Água e Esgoto (DAE). O anúncio oficial ocorreu por meio de duas edições extras do Diário Oficial dos Municípios, consolidando medidas extremas de contenção de gastos públicos. A decisão administrativa extrema reflete o esgotamento dos mecanismos ordinários de gestão orçamentária do município e visa, primordialmente, evitar a paralisação total das atividades essenciais prestadas à sociedade.
A prefeita do município, Flávia Moretti (PL), lidera a implementação dos decretos de austeridade orçamentária, mobilizando todo o secretariado municipal e os diretores das autarquias locais para o cumprimento imediato das metas fiscais. Os servidores públicos das áreas administrativas, os vereadores e a equipe da Procuradoria-Geral do Município atuam de maneira direta na reestruturação financeira.
Paralelamente, o presidente da Câmara Municipal da Cidade Industrial, Wanderley Cerqueira (MDB), que já havia emitido alertas públicos prévios sobre a fragilidade das contas públicas, figura como peça central nos debates políticos que envolvem o travamento de “Emendas Orçamentárias”.
A “grave crise financeira e institucional” foi desencadeada pelo represamento de dívidas históricas acumuladas, que culminaram em bloqueios judiciais severos e no estrangulamento do fluxo de caixa governamental. Entre os principais fatores determinantes, destacam-se o passivo bilionário em precatórios judiciais, o confisco de repasses constitucionais e as expressivas dívidas herdadas com concessionárias de energia elétrica. Adicionalmente, o impasse político entre os Poderes Executivo e Legislativo impediu o remanejamento de verbas extraordinárias, inviabilizando a utilização de Emendas Parlamentares que aliviariam as despesas cotidianas nas áreas sociais mais sensíveis.
Os Decretos Emergenciais foram assinados e publicados de forma oficial, entrando em vigor imediato com validade estipulada para um período inicial de 180 dias. Este intervalo temporal de seis meses poderá sofrer prorrogação legal caso os indicadores fiscais e os relatórios de arrecadação da autarquia não apresentem melhora sustentável.
Os secretários municipais receberam o prazo peremptório de cinco dias úteis para apresentar seus respectivos planos setoriais de redução de gastos. O Departamento de Água e Esgoto (DAE), por sua vez, dispõe de 60 dias para formalizar um plano robusto de recuperação econômico-financeira.
As ações governamentais e as medidas de contenção aplicam-se a todo o território geográfico de Várzea Grande, concentrando seus efeitos práticos nos prédios da prefeitura, nas secretarias e no parque operacional do DAE. A abrangência territorial do decreto impacta diretamente a prestação de serviços nos bairros da periferia e do centro, locais onde a manutenção do abastecimento de água e o funcionamento de Postos de Saúde correm riscos. A centralização das decisões fiscais ocorre no núcleo administrativo da municipalidade, mas repercute de forma imediata na rotina de todos os cidadãos varzea-grandenses.
A motivação fulcral para a edição dos decretos residiu no bloqueio judicial imediato de R$ 19 milhões das contas correntes do município, provenientes de cotas do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A retenção drástica desses valores impossibilitou o cumprimento regular das obrigações correntes da prefeitura com fornecedores e prestadores de serviços. O Governo Municipal viu-se compelido a agir juridicamente para edificar um regime extraordinário de gestão fiscal, blindando os escassos recursos restantes e assegurando a continuidade dos serviços básicos da população.
A operação do plano extraordinário de gestão fiscal executa-se por meio da suspensão por tempo indeterminado de novas despesas, da proibição de eventos festivos e da vedação de compras de bens permanentes. Cada secretaria municipal deverá revisar seus contratos vigentes, buscando a repactuação de valores ou a rescisão amigável de serviços supérfluos. A Procuradoria-Geral do Município atua na esfera jurídica para demonstrar aos órgãos de controle que o decreto visa reorganizar as contas e restabelecer as certidões fiscais, sem ferir os princípios basilares da responsabilidade fiscal brasileira.
O município arrecada anualmente cerca de R$ 2 bilhões, contudo, ostenta uma dívida consolidada de aproximadamente R$ 1 bilhão apenas em precatórios judiciais de gestões anteriores. Atualmente, a prefeitura é obrigada a desembolsar a soma de R$ 6 milhões mensais para saldar esses compromissos tribunalícios, valor consideravelmente superior aos R$ 500 mil despendidos na administração passada. O bloqueio atual decorreu do inadimplemento de três parcelas sucessivas de precatórios, de R$ 6,5 milhões cada, referentes aos passivos não quitados nos exercícios financeiros de 2023 e 2024.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) enfrenta um cenário de insolvência ainda mais alarmante, registrando um déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões e uma dívida ativa de R$ 172,2 milhões com a empresa concessionária de energia.
Irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) expõem que a autarquia possui R$ 158,8 milhões em créditos tributários não inscritos na dívida ativa, além de passivos que superam R$ 314 milhões em precatórios próprios.
Esse desequilíbrio estrutural agrava o risco de desabastecimento de água, tornando o plano de recuperação da autarquia uma prioridade de Segurança Pública.
As consequências imediatas da aplicação das novas normas jurídicas refletem-se no estabelecimento de uma escala rigorosa de prioridade absoluta para as pastas da Saúde, Educação e Assistência Social. A folha de pagamento dos servidores públicos ativos, a limpeza urbana e o abastecimento de água potável receberão aportes preferenciais, sofrendo o menor impacto possível com os cortes.
Espera-se que a austeridade temporária possibilite o reequilíbrio das contas, o parcelamento dos débitos pendentes com a União e o restabelecimento pleno da capacidade municipal de captar recursos federais.
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