DIA DE DESCANSO EM CUIABÁ E VÁRZEA GRANDE
Lojas do comércio não abrem no 1º de maio
Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado “feriadão” prolongado que chega na próxima sexta-feira (1º): o Dia do Trabalhador. A data, considerada feriado nacional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante aos funcionários um dia de descanso.
O Dia do Trabalhador entrou para a história após uma greve operária nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial, que reivindicava a jornada de 8 horas diárias e melhores condições de trabalho.
Como a data cai em uma sexta-feira, quem folga aos fins de semana poderá ter três dias seguidos de descanso de sexta a domingo.
Para celebrar o Dia do Trabalhador (1º de maio), o comércio em geral de rua e em Shopping Centers em Cuiabá e Várzea Grande não deve abrir as portas. A proibição está prevista na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que abrange os dois municípios, conforme acordo estabelecido entre os sindicatos patronais e o laboral, com acompanhamento da Fecomércio-MT.
Além do 1º de maio, outras quatro datas no ano não permitem a abertura do comércio: Dia de Finados (2 de novembro), Natal (25 de dezembro), Confraternização Universal (1º de janeiro) e Sexta-feira Santa.

Apesar da restrição, a Assessoria Jurídica da Fecomércio-MT explica que algumas categorias poderão funcionar normalmente. É o caso de supermercados e restaurantes, desde que sejam respeitadas as regras previstas em convenção, como a concessão de folga compensatória ou o pagamento em dobro pelas horas trabalhadas.
O mesmo ocorre com as farmácias, cujas atividades permanecem funcionando normalmente. Caso o estabelecimento funcione na data, o empregador também deverá conceder folga compensatória ou realizar o pagamento da hora trabalhada em dobro.
Para os demais municípios do estado, a orientação é que sejam observadas as convenções coletivas de trabalho das respectivas cidades quanto à autorização de abertura nesta data.
Para ter acesso às demais CCTs, clique AQUI.
As instituições bancárias e as administrações públicas municipais e estaduais também não devem funcionar no feriado. A exceção fica para as atividades consideradas essenciais, como hospitais e postos de combustíveis.
O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
ECONOMIA
Aprosoja-MT reivindica plano de emergência contra déficit de armazenagem
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) formalizou, perante a cúpula do Poder Executivo Estadual, um pedido urgente para a implementação de medidas emergenciais destinadas a mitigar a crise de infraestrutura logística no campo. A iniciativa surge em um momento de vulnerabilidade para o setor produtivo, que enfrenta uma disparidade histórica entre o volume colhido e a capacidade de estocagem disponível nas propriedades e nos terminais logísticos. O pleito busca evitar que a eficiência produtiva conquistada da porteira para dentro seja anulada pela incapacidade de conservação dos grãos após a colheita, garantindo a segurança alimentar e a viabilidade econômica.
O cenário estatístico apresentado pela entidade revela uma realidade alarmante para o ciclo agrícola 2025/2026: Mato Grosso, embora ostente o título de maior produtor nacional de soja e milho, opera com um déficit de 53,5% em sua capacidade de armazenagem. Esta lacuna estrutural significa que mais da metade da produção estadual não possui abrigo adequado no momento da colheita, obrigando o produtor a submeter-se à volatilidade imediata dos preços de mercado ou ao armazenamento precário em silos-bag. Tal deficiência compromete a estratégia de comercialização e expõe as commodities a riscos climáticos e perdas físicas consideráveis, enfraquecendo a competitividade mato-grossense.
A motivação para o requerimento de intervenção estatal fundamenta-se em um diagnóstico multifatorial que transcende as fronteiras estaduais, abrangendo as atuais tensões geopolíticas globais que desestabilizam as rotas comerciais. De acordo com a Aprosoja-MT, a instabilidade internacional reflete-se diretamente nos custos operacionais locais, exigindo uma infraestrutura de estocagem mais robusta para que o agricultor possa gerenciar o tempo de venda. Sem armazéns suficientes, o setor torna-se refém de oscilações bruscas, sendo incapaz de absorver choques externos sem comprometer a rentabilidade mínima necessária para a manutenção das atividades rurais.

Somado ao contexto diplomático, a entidade destaca a severa volatilidade no mercado de insumos essenciais, especialmente no que tange aos combustíveis e fertilizantes, cujos preços apresentam variações impeditivas ao planejamento de longo prazo. A carência de silos impede que o produtor realize compras antecipadas de insumos ou aproveite janelas de preços favoráveis para a venda da safra, uma vez que a logística de recepção e expedição está saturada.
Nesse sentido, as medidas emergenciais solicitadas visam criar um colchão de segurança que permita ao setor agropecuário navegar por períodos de alta nos custos de produção com menor exposição ao risco financeiro.
Entre as proposições técnicas apresentadas ao Governo do Estado, destaca-se a necessidade premente de redução da carga tributária incidente sobre máquinas, equipamentos e estruturas metálicas destinadas exclusivamente à armazenagem agrícola. A Aprosoja argumenta que a alta tributação sobre os bens de capital desencoraja o investimento privado em infraestrutura de estocagem, tornando o custo de construção de novos silos proibitivo para pequenos e médios produtores. A desoneração fiscal é vista como o principal indutor para a modernização do parque logístico estadual, transformando impostos em potencial de conservação de riqueza e redução de desperdícios no pós-colheita.
Adicionalmente, o setor produtivo demanda uma revisão criteriosa das normativas vigentes que impactam a instalação e o licenciamento de unidades armazenadoras em Mato Grosso. O excesso de burocracia e a complexidade dos processos regulatórios são apontados como entraves que retardam a expansão da capacidade instalada, muitas vezes impedindo que novas estruturas fiquem prontas a tempo de atender às demandas das safras subsequentes. A simplificação administrativa, sem prejuízo aos critérios de segurança, permitiria uma resposta mais ágil do mercado frente ao crescimento acelerado da produtividade por hectare observado nas últimas décadas.

Outro ponto nevrálgico do documento entregue à administração estadual refere-se à precariedade energética nas zonas rurais, com a solicitação explícita para a ampliação do acesso à rede trifásica de energia elétrica. O funcionamento eficiente de secadores de grãos e sistemas de aeração em silos modernos exige estabilidade e potência energética que a rede monofásica convencional não suporta.
Sem energia de qualidade, o investimento em tecnologia de ponta para armazenagem torna-se inviável, limitando o produtor a métodos rudimentares que aumentam a quebra técnica e diminuem o valor agregado do produto final destinado à exportação ou ao consumo interno.
A recepção das propostas ocorreu em audiência com o governador Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos), que demonstrou sensibilidade aos dados apresentados e sinalizou uma postura colaborativa por parte do Poder Executivo. O governo reconhece a importância estratégica do agronegócio como motor da economia mato-grossense e a necessidade de alinhar o desenvolvimento da infraestrutura com o ritmo de crescimento das colheitas. O acolhimento positivo da pauta marca o início de uma nova fase de cooperação entre o setor público e a iniciativa privada, visando consolidar Mato Grosso não apenas como um grande produtor, mas como uma potência logística.
Atualmente, as discussões avançam para o campo da viabilidade técnica e orçamentária, onde equipes do governo e especialistas da Aprosoja-MT debatem os mecanismos de implementação das ações propostas. O desenvolvimento de políticas públicas assertivas exige um equilíbrio entre a renúncia fiscal necessária e o retorno social em forma de geração de emprego, renda e estabilidade econômica no campo.
Esta etapa de refinamento técnico é crucial para assegurar que as medidas adotadas tenham efeito duradouro e alcancem efetivamente o produtor na ponta, independentemente da escala de sua operação agrícola.
Em conclusão, a mobilização da Aprosoja-MT em 2025 reflete a urgência de uma mudança de paradigma na gestão da produção agrícola estadual, priorizando a segurança estrutural sobre o imediatismo produtivo. A expectativa é que, com a adoção das medidas emergenciais, Mato Grosso consiga reduzir drasticamente seu déficit de armazenagem nos próximos ciclos, protegendo a economia regional das intempéries globais. O sucesso dessa articulação definirá o fôlego do estado para manter sua liderança no agronegócio mundial, garantindo que a riqueza gerada pela terra seja preservada com eficiência e responsabilidade técnica.
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