Artigo
A falsa solução da violência: reflexões sobre proteção da mulher
Autora: Luciana Zamproni Branco* –
A reflexão sobre a violência doméstica exige sensibilidade e responsabilidade, especialmente quando se trata das alternativas apresentadas à mulher em situação de vulnerabilidade.
Na série “Bom Dia, Verônica”, observa-se uma situação emblemática em que uma escrivã sugere a uma mulher vítima de violência doméstica que envenene o próprio marido como forma de solução. Essa abordagem evidencia um grave problema: a indução de uma vítima, já fragilizada psicologicamente, a adotar uma resposta violenta.
A mulher que sofre violência doméstica, em regra, está sob intenso impacto emocional e psicológico. Medo, insegurança, dependência afetiva e até distorções de percepção são elementos comuns nesse contexto. Nesse cenário, sua capacidade de tomar decisões seguras e racionais encontra-se comprometida. Incentivá-la a reagir com violência não representa proteção, mas sim a exposição a um risco ainda maior.
Ao invés de romper o ciclo da violência, esse tipo de orientação pode agravá-lo, colocando a vítima em situação de maior perigo, além de expô-la a consequências jurídicas severas. Trata-se de substituir uma situação de vulnerabilidade por outra ainda mais grave e potencialmente irreversível.
Da mesma forma, a ideia de que o acesso a armas poderia representar uma solução para a mulher vítima de violência doméstica também não se sustenta na prática. O manuseio de uma arma exige preparo técnico, equilíbrio emocional e condições de segurança que, em regra, não estão presentes em relações abusivas. Em muitos casos, o agressor possui maior domínio físico e psicológico, o que pode resultar no uso da arma contra a própria vítima.
A proteção efetiva da mulher passa por caminhos institucionais e estruturais: o acesso à denúncia, a concessão de medidas protetivas, o fortalecimento das redes de apoio, o acompanhamento psicológico e a atuação eficiente do Estado.
A Lei Maria da Penha foi concebida justamente para oferecer mecanismos de proteção que não dependam da reação violenta da vítima.
Portanto, a arma não é instrumento de libertação nesse contexto. A mulher não deve ser colocada na posição de reagir com violência para sobreviver. O caminho mais seguro é aquele que prioriza a preservação da vida, da integridade física e da dignidade, por meio de suporte adequado e políticas públicas eficazes.
*Luciana Zamproni Branco – Advogada
Artigos
Você sabe onde o Agro está na sua vida?
Autora: Flaviane Ramalho* –
A agricultura não é apenas uma atividade econômica. Ela é um tema geopolítico, estratégico e de soberania nacional.
Um país que consegue produzir seu próprio alimento possui independência, estabilidade e segurança. Já um país que não consegue alimentar seu próprio povo se torna vulnerável, dependente e fragilizado diante do cenário internacional.
A segurança alimentar é uma das maiores forças de uma nação.
Quem controla a produção de alimentos controla parte importante da estabilidade econômica, da paz social e até das relações internacionais. Por isso, os países que já enfrentaram fome, miséria e escassez sabem exatamente o valor do produtor rural. Eles tratam a agricultura como prioridade absoluta, porque aprenderam, muitas vezes pela dor, que sem alimento não existe dignidade, desenvolvimento ou liberdade.
No Brasil, infelizmente, essa percepção ainda não é plenamente compreendida.
Como somos uma potência agrícola, muitos cresceram acostumados com a abundância nas prateleiras e passaram a enxergar isso como algo automático, como se o alimento simplesmente surgisse pronto, sem risco, sem esforço e sem sacrifício.
Essa falsa sensação de excesso fez nascer, em parte da sociedade, um preconceito injusto contra o produtor rural.
Muitos não enxergam o agricultor como alguém que sustenta a base da economia nacional, mas apenas como alguém ligado ao campo, distante da realidade urbana. Isso é um grave erro.
O agro está no prato, na roupa, no combustível, nos medicamentos, na exportação, na geração de empregos e na arrecadação que movimenta o país.
O agricultor não planta apenas para si.
Ele planta para milhões de pessoas que muitas vezes sequer percebem isso.
Quando o produtor rural está bem, há alimento mais acessível, estabilidade econômica, geração de empregos e desenvolvimento social. Quando ele está sufocado por juros altos, falta de crédito, ausência de incentivo, custos abusivos e insegurança jurídica, toda a sociedade paga essa conta.
O crédito rural, o custeio agrícola e o financiamento de maquinários não são privilégios. São investimentos diretos na segurança alimentar do Brasil.
O governo precisa compreender isso com seriedade.
Fomentar a agricultura não significa favorecer um setor específico, mas proteger um interesse homogêneo e coletivo de toda a população.
Defender o agricultor é defender a mesa da família brasileira.
É defender a economia.
É defender a soberania nacional.
Quem planta sustenta muito mais do que uma lavoura.
Sustenta um país inteiro.
Por isso, antes de criticar o agro, olhe para o seu prato.
E reconheça quem tornou aquilo possível.
*FLAVIANE RAMALHO – advogada há 21 anos, com pós-graduações em Direito Agrário, Direito Previdenciário, e Direito do Agronegócio. E Membro da Academia Brasileira de Direito do Agronegócio – ABRADA. E Membro Certificada do LAQI, integrando o modelo de excelência latino-americano, e condecorada internacionalmente “The Lawyer of the Year 2025 – Highly Commended pelo Latin American Quality Institute, e Global Law Firm Quality Certification 2025.
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