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ONZE ANOS DA LAUDATO SI

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Autor: Juacy da Silva* – 

Nunca esqueçamos de que o ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos“. Papa Francisco, via Twitter (05/06/2017).

Unamo-nos aos nossos irmãos e irmãs cristãos no compromisso de cuidar da Criação como dom sagrado do Criador. É necessário estar ao lado das vítimas da injustiça ambiental e climática, esforçando-nos para pôr fim `a insensata guerra contra a nossa Casa Comum, que é uma terrível guerra mundial. Exorto a todos a trabalharem para que ela (a terra) abunde novamente“. Papa Francisco, Pronunciamento na Sala Paulo VI, celebração da abertura da solenidade do Tempo da Criação, 2023.

Estamos nos aproximando do mês de maio, um tempo voltado para diversos eventos ecológicos e socioambientais; a partir do Dia 16 até Dia 24 será a SEMANA LAUDATO SI, com ênfase no Dia 24, quando será a celebração dos ONZE ANOS da publicação da Encíclica Laudato Si pelo Papa Francisco.

A Encíclica LAUDATO SI, publicada em 24 de Maio de 2015, antecedendo tanto ao Acordo de Paris (COP21) quanto a aprovação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável pela ONU, é um marco importante e significativo na caminhada ecológica tanto para a Igreja Católica, quantos demais Igrejas Cristãs e, também, as demais religiões, demonstrando a importância da responsabilidade das Igrejas e Religiões em um melhor cuidado com o Planeta tão agredido e em processo de degradação voraz que coloca em risco todos os tipos de vida, inclusive a vida humana.

A Laudato Si, é , sem dúvida, um marco fundamental que une fé e ecologia, fé e a opção preferencial pelos pobres pela Igreja, fé e política, fé e sinodalidade, fé e Igreja em saída, fé e Igreja profética, clamando pelo cuidado urgente da “casa comum” e a proteção dos vulneráveis, pobres, oprimidos e injustiçados.

Ela introduz o conceito de “ecologia integral”, conectando crise ambiental e social, criticando o consumismo, o desperdício, a busca do lucro a qualquer preço, a economia da morte e a urgente necessidade de substituição desses modelos predatórios, imediatistas e irracionais por uma ECONOMIA DA VIDA (a Economia de Francisco e Clara), demonstrando a falácia do paradigma tecnológico/tecnocrático, a importância e a necessidade de um Pacto Global pela Educação, bem como uma nova dimensão para a Educação Ambiental, enfim, propondo uma mudança de estilo de vida, de conversão ecológica para salvarmos o planeta.

Em sua mensagem aos participantes da COP30, realizada em Belém, em Novembro de 2025, o Papa Leão XIV exortou e defendeu enfaticamente uma conversão ecológica, como uma mudança profunda no coração, passando dos discursos para ações concretas, respeito `a natureza e `as pessoas, enfim, novos estilos de vida, enfatizando que “cuidar da criação é inseparável da fé cristã; é preciso uma espiritualidade ecológica que combata o CONSUMISMO e a lógica extrativista”

Pergunto, o que podemos e devemos realizar para marcar a importância desta Encíclica em seu 11º Aniversário de publicação, em que e como ela já tem contribuído em termos de realizações, inclusive no despertar da consciência socioambiental, principalmente dentro da Igreja Católica, entre fiéis e corpo eclesiástico, de quem o Papa Francisco foi seu líder e Pastor por mais de uma década? E o Papa Leão XIV tem demonstrado continuidade tanto de pensamento, exortações e a necessidade de passarmos das palavras `as ações sociotransformadoras.

Qual a relação da Laudato e, indiretamente, outras Exortações Apostólicas e pronunciamentos do Papa Francisco, como “Querida Amazônia”, “Laudate Deum” e os seus três “Ts”: Terra, Teto e Trabalho, tanto no pensamento socioambiental da Igreja quanto também em um novo rumo a partir da ênfase de seu magistério, incluindo, inclusive a LAUDATO SI no pensamento social da Igreja (DSI), enfatizando a profunda ligação entre as Obras da Criação, a degradação dos biomas, as futuras gerações e o próprio destino da humanidade, enfim, a destruição do planeta e os pobres?

Essas celebrações são importantes, principalmente `a luz das reflexões e decisões da recente 62ª Assembleia Geral da CNBB, quando os Bispos, Arcebispos e Cardeais, que são os Pastores de nossa Igreja no Brasil aprovaram as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil para o período de 2026 a 2032, bem como o conteúdo da Carta ao Povo Brasileiro, tornada pública pela CNBB, nos questiona a aprofundar nossa caminhada em defesa da Ecologia Integral em um contexto de grandes desafios socioambientais, econômicos e políticos, inclusive as eleições gerais em Outubro deste ano.

De acordo com a REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) e mencionada em sua página a Assembleia reafirma a importância de uma Igreja comprometida com a ECOLOGIA INTEGRAL, a defesa dos territórios e dos povos, especialmente na Amazônia, onde os desafios socioambientais exigem presença profética, articulação em rede e ações concretas“.

Fica a indagação e a sugestão para pensarmos algo `a altura da importância desta Encíclica que marca profundamente o pensamento e as ações da Igreja, em seu compromisso em defesa do Planeta, nossa Casa Comum.

Portanto, não podemos, como Igreja, nos dar “ao luxo” de continuarmos nos omitindo diante da realidade e da gravidade desses desafios que estão diante de nós. Com certeza podemos, ao promover tais celebrações por esses onze anos da publicação da Laudato Si, contribuir para um despertar na Igreja, tanto entre fiéis quanto também na hierarquia Eclesiástica, que apesar desta Encíclica já estar completando ONZE ANOS, ainda continua pouco conhecida, ignorada, sofrendo um certo arredio ao chamado do nosso saudoso Papa Francisco e também os apelos e Exortações neste mesmo sentido pelo Papa Leao XIV.

Para bem entender a importância da Laudato Si, podemos mencionar uma pergunta feita pelo Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos 10:14, quando ele diz:

Como haverão de crer se não há quem lhes anuncia?” e, logo a seguir dá a resposta (Carta aos Romanos 10:15. “Quão formosos são os pés dos ue anunciam coisas boas“.

Com certeza a Laudato Si tem conseguido “anunciar coisas boas”, mas para que isto possa acontecer, precisamos compartilhar amplamente o conteúdo e as propostas sociotransformadoras desta que, em minha opinião, é uma das mais importantes Encíclicas dos últimos tempos, por tudo isso, precisamos celebrar esses onze anos de sua publicação.

Quem desejar conhecer e ler na integra a Encíclica Laudato Si, basta clicar no link e “baixar” gratuitamente.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral -Região Centro Oeste.

E-mail [email protected]
Instagram @profjuacy
WhatsApp 65 9 9272 0052

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Quem tem voto — e quem tem limite: o que a rejeição revela sobre 2026

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Autor: Guto Araújo*

Uma eleição não é decidida apenas por quem lidera as pesquisas. Ela é definida, sobretudo, por quem consegue crescer e, principalmente, por quem não consegue. Os dados mais recentes sobre a corrida presidencial, divulgados pela pesquisa Genial/Quaest neste mês de abril, ajudam a entender esse ponto com precisão ao analisar três dimensões fundamentais: conhecimento, potencial de voto e rejeição. Esse tripé revela não apenas quem está na frente, mas quem tem caminho e quem já encontrou o seu teto.

O primeiro filtro de qualquer candidatura é simples: ser conhecido. Sem isso, não há disputa real. Os dados mostram que nomes já consolidados nacionalmente concentram alto nível de conhecimento, enquanto candidaturas alternativas ainda enfrentam um problema básico de visibilidade.

O presidente Lula (PT) é conhecido por 98% dos eleitores, enquanto o senador Flavio Bolsonaro (PL), é conhecido por 91%. Por outro lado, nomes como o dos governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), são conhecidos apenas por cerca de metade da população. O desafio é ainda maior no caso de outros candidatos, desconhecidos por mais de 60% dos eleitores.

Mas o ponto mais importante não é quem é conhecido e sim o que deriva disso. Porque, na prática, há os conhecidos que têm potencial de crescimento; os conhecidos que já acumulam rejeição alta e os pouco conhecidos que ainda são uma “folha em branco”. São fatores essenciais para que o jogo se defina.

O verdadeiro ativo: potencial de voto

Na fotografia de abril, todos os nomes enfrentam o mesmo problema, em maior ou menor grau: mais pessoas dizem que poderiam rejeitar do que votar. Um candidato competitivo não é apenas aquele que tem intenção de voto hoje, mas aquele que ainda pode conquistar novos eleitores sem enfrentar barreiras emocionais ou políticas.

Se o potencial de voto define o quanto um candidato pode crescer, a rejeição define até onde ele consegue chegar. E aqui está um dos principais achados da pesquisa: os principais nomes da disputa também concentram níveis elevados de rejeição, o que cria um cenário de forte limitação estrutural.

O mais rejeitado é Lula, com 55%dos eleitores afirmando que não votariam no presidente. O petista também tem pouca margem de manobra, já que só 2%dos brasileiros disseram não o conhecer. Flavio Bolsonaro tem 52%de rejeição, mas ainda tem 9% dos eleitores que não o conhecem e podem ser conquistados.

Na prática, isso significa que não basta ampliar apoio, é necessário reduzir resistência. Os dados por posicionamento político reforçam que cada liderança possui um território mais ou menos consolidado. Entre eleitores alinhados ideologicamente, o potencial de voto é alto e a rejeição, menor. Já fora desse núcleo, o cenário se inverte rapidamente.

Isso indica que o desafio de 2026 é composto de algumas etapas: A primeira será de mobilizar fortemente a base de militância de asfalto e usá-la para fortalecer o exército digital. Depois, é essencial romper a bolha através da força dessas ferramentas. A corrida tende a ser menos sobre quem tem mais votos e mais sobre quem consegue ampliar seu potencial, reduzir sua rejeição e atravessar fronteiras eleitorais.

Num cenário de alta polarização e limites bem definidos, vence quem consegue crescer nos indecisos. Porque, no fim, eleições não são vencidas apenas com apoio. São vencidas com menos rejeição do que o adversário.

*Guto Araújo (@gutofaraujo) é publicitário e especialista em marketing político. Colaborou em 6 campanhas presidenciais no Brasil e América Latina e mais de trinta campanhas para governos estaduais e prefeituras. É vice-presidente de planejamento do CAMP e co-autor do livro “Marketing Político no Brasil”.

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