Artigo
O coração não avisa: riscos cardiovasculares do uso de anabolizantes
Autora: Mariana Ramos* –
A busca por resultados rápidos no corpo tem levado cada vez mais pessoas ao uso de anabolizantes, mas muitas vezes não se considera o impacto direto dessas substâncias no coração e nos vasos sanguíneos.
Do ponto de vista endocrinológico, os esteróides anabolizantes alteram profundamente o equilíbrio hormonal do organismo e desencadeiam mudanças importantes no metabolismo, especialmente no perfil lipídico, com redução do colesterol HDL e aumento do colesterol LDL, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias.
Esse processo pode acelerar o desenvolvimento da aterosclerose, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis, além de contribuir para o aumento da pressão arterial e maior risco de formação de coágulos.
O coração também sofre efeitos diretos, com alterações estruturais, como o aumento do músculo cardíaco de forma desorganizada e disfuncional, o que compromete sua função ao longo do tempo e pode levar a arritmias, insuficiência cardíaca e até morte súbita.
Um dos aspectos mais preocupantes é que essas mudanças costumam ser silenciosas: muitos usuários mantêm bom desempenho físico e não percebem sinais evidentes, enquanto o risco cardiovascular continua aumentando de forma progressiva.
Não existe uso seguro de anabolizantes para fins estéticos, e, quanto maior o tempo de exposição, maiores são as chances de complicações, incluindo infarto e acidente vascular cerebral.
Mais do que uma escolha estética, o uso dessas substâncias representa um risco real à saúde e pode impactar diretamente a expectativa de vida.
Tratamentos hormonais devem ser realizados apenas quando há indicação médica, com acompanhamento adequado. Quando o assunto é coração, os danos nem sempre dão sinais e podem ser irreversíveis.
*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT
Artigos
Como o excesso de informações impacta na relação com a dor?
Autor: Luiz Sola* –
Em um cenário onde todos opinam sobre saúde, as redes sociais se tornaram uma fonte constante de informação, e também de distorção. O excesso de conteúdo, muitas vezes sem contexto ou embasamento, tem contribuído para um fenômeno crescente: o aumento do medo relacionado à dor.
Muitos pacientes chegam aos consultórios já carregando crenças formadas a partir de relatos vistos online. Experiências individuais são frequentemente apresentadas como verdades absolutas: “minha dor piorou ao subir escadas”, “me machuquei ao treinar”, “parei e melhorei” ou até afirmações alarmistas como “correr faz o osso bater com o osso”. O problema é que cada corpo responde de forma única. O que acontece com um não define o que acontecerá com outro.
A exposição excessiva a conteúdos alarmistas ativa mecanismos de alerta no cérebro. A pessoa passa a observar mais o próprio corpo, interpretar sensações com preocupação e evitar movimentos por medo. Forma-se um ciclo conhecido: medo gera tensão, tensão gera rigidez, a rigidez aumenta a dor, e a dor reforça o medo.
Além disso, a repetição dessas mensagens amplia o alcance do problema. Uma experiência pessoal compartilhada sem contexto pode gerar pânico coletivo, especialmente em quem já está fragilizado. A dor deixa de ser apenas física e passa a ser influenciada pela expectativa negativa.
Informação é essencial, mas precisa de critério. Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual. Buscar orientação qualificada, reduzir o consumo de conteúdos alarmistas e compreender que o corpo é adaptável são passos fundamentais para quebrar esse ciclo.
Em tempos de excesso de informação, proteger a mente tornou-se também uma forma de tratar a dor.
*Luiz Sola é fisioterapeuta, especialista em dor crônica e autor do livro “365 dias sem dor”
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