ECONOMIA
Governo assegura pagamento de 7% de perdas salariais para servidores da Educação
O Governo do Estado pagará os 7% das perdas salariais para os servidores da Educação, conforme prevê a Lei Complementar 510/2013. A recomposição será aplicada na próxima folha de pagamento.
A garantia foi dada pelo secretário de Estado de Gestão, Júlio Modesto, durante a apresentação da situação financeira do Governo de Mato Grosso, para cerca de 300 servidores da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc). A reunião foi realizada na manhã desta terça-feira (10.05).
O aumento de ganho real dos servidores da Estadual ocorre de maneira gradual até 2023. No entanto, diante do atual cenário econômico onde as despesas com pagamento ultrapassam o percentual de receitas, “não há possibilidade, no momento, do Estado pagar o Reajuste Geral Anual (RGA) de 11,28%”, explicou o gestor.
Conforme o secretário, com base em dados da Secretaria de Planejamento e da Fazenda, o principal motivo que culminou no aperto do caixa do governo, além da crise pela qual atravessa o país, é a falta de planejamento das gestões passadas que, consequentemente, afetaram a atual administração.
“Estamos sendo transparentes com os servidores do Estado, nesse momento, especificamente com os da educação. Todos os estados estão com dificuldades, mas os números estão aí: em 2009 e 2010 Mato Grosso estava abaixo do limite de alerta de gastos com servidores, atingindo 2,2% e 4,2%, respectivamente. Depois houve um descompasso com o crescimento de pessoal, as concessões foram dadas sem planejamento e isto representa um risco muito grande”, argumentou Modesto, apontando a elevação de 15% para a despesa, enquanto que a receita obteve apenas 6% em 2015.
Um ranking com as principais carreiras dos servidores efetivos do Estado foi apresentado.“Algumas carreiras decolaram muito causando expectativas para outras, mas sem planejamento”, pontuou Júlio Modesto, esclarecendo que o percentual do RGA implicaria em estouro e o Estado seria penalizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
“Mato Grosso precisa reduzir ainda mais o percentual de gastos com a folha, o que vem fazendo desde o ano passado, com a maioria de efetivos ocupando cargos comissionados. Caso contrário, sofrerá sanções que inviabilizará a administração estadual, porque compromete, inclusive, repasses federais. Para isso, precisamos manter o que está previsto de gasto na Lei Orçamentária Anual (LOA)”, esclareceu Modesto.
Na oportunidade, ele frisou a preocupação do governador Pedro Taques com a folha de pagamento. “O governo tem contingenciado outros compromissos para honrar o pagamento da folha, que é a prioridade número um de seu governo. Atrasar salário não é bom pra ninguém, inclusive para a economia local”, declarou ao relatar que alguns estados já estão parcelando pagamento de salários e o Rio de Janeiro já está com folhas atrasadas.
Os secretários de Planejamento, Marcos Marrafon e o de Educação (interino) José Arlindo de Oliveira acompanharam a reunião.
RGA
O pagamento de 11,28% referente ao RGA implicaria em um acréscimo de mais de R$ 628 milhões com a folha de pagamento até dezembro deste ano. No entanto, a Lei 8.278/2004 nos Artigos I, II e III condicionam os requisitos para o pagamento do RGA. Ou seja, estabelece os casos para o não pagamento.
Os dados que embasaram a explanação estão disponíveis no site do governo: clique aqui. Caso pague o RGA, o secretário reforçou que o Estado corre o risco de atrasar a folha salarial para todos os servidores.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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