EM QUEDA
Consumo dos cuiabanos registra primeira variação negativa no ano
Após oito meses consecutivos de melhora na Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Cuiabá, o índice de setembro apresentou variação de -3,2% sobre o mês anterior e atingiu 79,7 pontos.
Este foi o primeiro recuo no ano da pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituo de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Mesmo com a retração do índice atual, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, destaca a melhora observada no ano e nos últimos 13 meses.
“O índice já acumula alta de 9,18% de janeiro a setembro desse ano e se compararmos com setembro de 2021, o indicador registra crescimento de 8,58%, o que favorece a economia da região”.
As famílias que possuem faixa de renda menor do que 10 salários-mínimos puxaram o índice mensal da pesquisa para baixo, visto que registraram queda de -4,1% na pesquisa, somando 76,3 pontos. Diferente das famílias com renda familiar acima de 10 s.m., que apresentaram alta de 3,5% no mês e alcançando 111,2 pontos, sendo o único indicador em zona de satisfação.
A metodologia utilizada na pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que possui variação de zero a 200 pontos, onde 100 demarca a fronteira entre a avaliação de insatisfação e de satisfação do consumidor.
Ainda para Wenceslau Júnior, a queda mensal pode estar relacionada a preferência do consumidor para esperar a chegada da famosa Black Friday no Brasil.
“Tendo em vista que o indicador para aquisições para bens duráveis foi o que mais registrou variação negativa no mês (-9,8%), cria-se uma expectativa para o consumo nos últimos meses do ano, movimentando, principalmente, o comércio e serviços, e gerando maior circulação na renda local”, explicou.
Entre os subíndices avaliados na capital, O ‘Emprego Atual’ e o subíndice de ‘Compra a Prazo (Acesso ao Crédito)’ registraram variações positivas no mês de setembro, com 0,5% e 1,3%, respectivamente.
Em contrapartida, o indicador de ‘Momento para Aquisições de Duráveis’, (eletrodomésticos, TV, som etc.) e a ‘Perspectiva de Consumo’ registraram variações negativas de -9,8% e -7,7% no mês, respectivamente.
Tenha acesso à pesquisa AQUI.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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