SEM PRESTAÇÃO DE CONTAS
34 municípios são notificados por receberem e não comprovarem realização de cirurgias
A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), já pagou R$ 14 milhões referentes à antecipação de 30% aos 31 municípios que tiveram as propostas homologadas em CIB. Ao todo, 35 propostas já foram aprovadas em CIB e estão em trâmite de documentação, totalizando R$ 56,3 milhões em cirurgias eletivas das propostas apresentadas por municípios ou consórcios intermunicipais de saúde.
O programa Mais MT Cirurgias, lançado em julho de 2021 pelo Governo de Mato Grosso, tem o objetivo de reduzir drasticamente a fila por procedimentos eletivos no Estado e prevê a realização de cerca de 138 mil cirurgias, com um investimento disponível de aproximadamente R$ 105 milhões.
Retorno dos atendimentos eletivas
Os atendimentos eletivos no Estado estavam paralisados desde março de 2020 em decorrência da Pandemia pela Covid-19 e foram retomados em julho de 2021 pelo programa Mais MT Cirurgias.
De julho a novembro de 2021, o Governo de Mato Grosso, por meio dos Hospitais Regionais geridos pela SES-MT, realizou um total de 77.856 atendimentos eletivos, entre consultas, cirurgias, procedimentos ambulatoriais e serviços de diagnósticos.

O Programa
O aporte financeiro é destinado ao pagamento dos estabelecimentos de saúde, seja público ou privado, que se adequem às regras estabelecidas pela SES. Entre os requisitos para o incentivo, está o credenciamento do estabelecimento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), a especificação do quantitativo de procedimentos eletivos a serem atendidos e o serviço a ser executado deve ser complementar às pactuações já existentes na unidade. O repasse do valor será realizado pós-produção. A ação terá como base a tabela do SUS e os incentivos serão de acordo com a complexidade de cada procedimento.
Sem prestação de contas
A Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), notificou 34 municípios que ainda não prestaram contas sobre os valores que receberam do Governo do Estado para a realização de cirurgias pelo programa Mais MT Cirurgias.
A informação consta nos documentos que foram encaminhados para as prefeituras nesta semana. Ao todo, essas prefeituras receberam R$ 8,4 milhões do Estado para os procedimentos, mas não comprovaram se foram, de fato, realizados.
As notificações contidas nos documentos mostram que essa é a terceira vezes que os municípios são alertados sobre a ausência da prestação de contas.
“Até o presente momento este município, através de seus estabelecimentos de saúde, não iniciaram a execução dos procedimentos propostos, mesmo com a aproximação do prazo estipulado”, diz trecho de uma das notificações.
Pelo programa Mais MT, cabe aos municípios informarem as suas demandas de cirurgias ao Estado, que fica responsável por dar uma “entrada” de 30% do valor dos procedimentos.
Após a comprovação, o Estado repassa o montante total. As cirurgias podem ser feitas em todas as unidades de saúde, inclusive particulares, que se habilitarem e estejam regularizadas junto à Secretaria de Estado de Saúde.
O programa prevê a realização de mais de 22 mil cirurgias, com investimento superior a R$ 105 milhões. Todavia, até o momento, pouco mais de 6 mil cirurgias foram feitas, a maioria nas unidades de saúde do próprio Estado.
Confira a lista dos municípios que não comprovaram a prestação dos serviços:
1. Cuiabá: R$ 5,3 milhões
2. Água Boa: R$ 85,2 mil
3. Campo Verde: R$ 571,2 mil
4. Nova Xavantina: R$ 142,5 mil
5. Santo Antônio do Leste: R$ 44,3 mil
6. Juscimeira: R$ 41,1 mil
7. Juara: R$ 72,5 mil
8. Diamantino: R$ 130,2 mil
9. Matupá: R$ 25,5 mil
10. Novo Horizonte do Norte: R$ 5,7 mil
11. Brasnorte: R$ 9,7 mil
12. Alto Araguaia: R$ 58,4 mil
13. Alto Paraguai: R$ 67,7 mil
14. Campo Novo do Parecis: R$ 86,7 mil
15. Terra Nova do Norte: R$ 38,4 mil
16. Rondonópolis: R$ 491,4 mil
17. São Pedro da Cipa: R$ 2,5 mil
18. Jaciara: R$ 158,3 mil
19. Guarantã do Norte: R$ 16,6 mil
20. Peixoto de Azevedo: R$ 34,1 mil
21. Porto dos Gaúchos: R$ 60,8 mil
22. Novo Mundo: R$ 19,7 mil
23. Tabaporã: R$ 9,1 mil
24. Rosário Oeste: R$ 18,8 mil
25. Tangará da Serra: R$ 457,7 mil
26. Arenápolis: R$ 57,1 mil
27. Nova Marilândia: R$ 11,1 mil
28. Juruena: R$ 64,7 mil
29. Santa Terezinha: R$ 2,6 mil
30. Paranatinga: R$ 183 mil
31. Juína: R$ 12,1 mil
32. Araguainha: R$ 1,5 mil
33. Paranaíta: R$ 31,2 mil
34. Alta Floresta: R$ 71,4 mil
ECONOMIA
Decretado falência definitiva do Grupo Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora Oi, após a administração judicial da companhia reportar ao magistrado a absoluta incapacidade financeira para manter as atividades essenciais do grupo. A decisão judicial derrubou os recursos interpostos pelas instituições bancárias credoras que buscavam a manutenção do processo de recuperação judicial e a consequente renegociação do passivo acumulado.
Diante da comprovação inequívoca do esgotamento total das reservas de caixa previsto para o término de agosto de 2026, a Corte Fluminense determinou a conversão imediata do procedimento recuperacional em falência, visando interromper o sangramento patrimonial da corporação.
O colapso financeiro da gigante de telecomunicações reflete-se com severidade nos balanços contábeis mais recentes apresentados ao Poder Judiciário. Com base em dados consolidados de março de 2026, o patrimônio líquido negativo da corporação ultrapassa a marca expressiva de R$ 22,6 bilhões, demonstrando a profunda assimetria entre os ativos disponíveis e o montante global de dívidas acumuladas.
As projeções de caixa, que indicavam uma disponibilidade de R$ 88,1 milhões no final de julho de 2026, sofreram uma corrosão acelerada desde abril do mesmo ano, quando os valores mantidos em conta corrente haviam despencado para escassos R$ 19,6 milhões.
A atual deliberação colegiada põe fim ao impasse jurídico iniciado em novembro do ano passado, ocasião em que a falência da operadora sediada no Rio de Janeiro fora decretada preliminarmente pelo juízo de primeiro grau. Naquela oportunidade, contudo, os maiores bancos credores do grupo notadamente o Itaú Unibanco e o Bradesco, obtiveram um efeito suspensivo mediante concessão de liminar, o que permitiu o retorno temporário da empresa à recuperação judicial.
Os estabelecimentos bancários alegavam que a liquidação judicial não representaria o meio mais eficaz para satisfazer as obrigações creditícias e defenderam a nomeação de um novo gestor para intermediar os acordos com os órgãos reguladores.
Como ato contínuo à decretação da falência, o Tribunal de Justiça nomeou o especialista Bruno Rezende para exercer as funções de administrador judicial no processo. Caberá ao profissional designado a responsabilidade legal de auxiliar o juízo nas diligências necessárias para arrecadar, avaliar e lacrar o patrimônio remanescente da companhia, além de elaborar a lista definitiva de credores.

O administrador atuará diretamente na liquidação ordenada dos bens arrecadados para o pagamento dos passivos e promoverá a extinção formal das atividades empresariais das sociedades integrantes do grupo, estrita e rigorosamente dentro das exigências da lei vigente.
A tentativa derradeira de reestruturação empresarial buscava repactuar uma dívida consolidada da ordem de R$ 44 bilhões, cuja execução dependia da entrada de novos aportes operacionais. O plano aprovado na assembleia geral previa a captação de um financiamento internacional no valor de até US$ 655 milhões, dos quais US$ 505 milhões seriam injetados diretamente pelos credores financeiros.
Complementarmente, a empresa de infraestrutura V.tal, sob controle do BTG Pactual, aportaria entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no capital do grupo, plano este que restou inviabilizado diante do agravamento vertiginoso da insolvência operacional.
Antes do desfecho judicial, a severa escassez de recursos financeiros provocou o desabastecimento de serviços básicos e o descumprimento sistemático de obrigações contratuais com prestadores de serviços. No mês de julho de 2026, a fornecedora Sitelbra interrompeu a conectividade de redes estratégicas, tais como o sistema de lotéricas da Caixa Econômica Federal, o videomonitoramento estadual na Bahia e em Goiás e os canais de atendimento da concessionária Enel no Ceará.
Empresas como Nava Software, Nava Serviços e Hughes também paralisaram as suas atividades operacionais, exigindo a intervenção expressa do Judiciário para impor a restauração das linhas e fixar multa diária pelo descumprimento.
Para minorar o impacto da paralisação de serviços essenciais à população brasileira, a Justiça autorizou a alienação em leilão de ativos estruturais da operadora para outras empresas do setor. Em abril de 2026, a divisão de telefonia fixa residencial foi arrematada pela Método Telecomunicações, transação que incluiu a responsabilidade pela manutenção e operação das linhas destinadas aos atendimentos de emergência nacional, como os canais 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). O processo de transição visa garantir a integridade das comunicações públicas sem que haja a descontinuidade do suporte de emergência aos cidadãos.

Contudo, entraves operacionais e a ausência de interessados impediram a conclusão do plano de desinvestimento de outras unidades de negócios cruciais do grupo falido. O leilão da Oi Soluções, segmento focado na prestação de serviços de tecnologia a corporações privadas e órgãos públicos com lance mínimo de R$ 1,4 bilhão, encerrou-se em 17 de junho de 2026 sem a apresentação de nenhuma proposta formal.
Ademais, a alienação da fatia de 27,2% detida pela Oi na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões e destinada a fundos geridos pelo BTG Pactual, encontra-se judicialmente suspensa devido a recursos apresentados por credores e investidores minoritários.
Mesmo nos processos em que a liquidação dos bens obteve aprovação das instâncias competentes, o fluxo de caixa da tele permaneceu desprovido das receitas estimadas para honrar seus compromissos imediatos. A companhia ainda não recebeu o montante de R$ 60,1 milhões decorrente da alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos à Método Telecomunicações, leiloada em abril de 2026. A transferência efetiva desses recursos e a conclusão definitiva do contrato dependem do preenchimento rigoroso de certas condições regulatórias e homologatórias impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações e por instâncias concorrenciais.
O desfecho dramático encerra uma longa jornada de crises e reestruturações que se arrastava há uma década nos tribunais brasileiros. Em junho de 2016, a Oi ingressara em seu primeiro processo de recuperação judicial para renegociar R$ 65 bilhões em obrigações, procedimento que perdurou por seis anos até o seu encerramento em dezembro de 2022.
Apenas três meses após aquela homologação, em março de 2023, a empresa formalizou o segundo pedido de recuperação reportando novos R$ 43,7 bilhões em dívidas, culminando no atual decreto de falência após restar comprovada a impossibilidade prática de preservação da continuidade empresarial.
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