LIMPO GRANDE VAI POTENCIALIZAR O TURISMO E A COMERCIALIZAÇÃO
“Não podemos deixar uma tradição que vem passando por gerações de pessoas deixe de existir”
Limpo Grande é uma comunidade do distrito de Várzea Grande e está localizada cerca de 30 km de distância do centro de Cuiabá. Os moradores de Limpo Grande têm na agricultura de subsistência e na tecelagem suas principais fontes de renda.
Mato Grosso abriga uma tecelagem artesanal muito reconhecida pelo colorido e técnica herdada dos índios e portugueses, com desenhos que retratam a flora e a fauna, com cores fortes certamente influenciadas pela exuberância do ambiente natural e clima quente da região. A produção da rede cuiabana conserva ainda a técnica do tear vertical, herança da cultura indígena, feita por mulheres da região há mais de quatro gerações.
O principal produto da comunidade é a rede, mas as tecelãs também produzem mantas, tapetes, caminhos de mesa, jogos americanos, saídas de banho e xales.

O Distrito de Limpo Grande ganhou um Centro Cultural que visa devolver oportunidade ao trabalho de tear das artesãs que por séculos tecem verdadeiras obras de artes. A história das redes se confunde com a própria história do Distrito de Limpo Grande e de Várzea Grande e são chamadas de cuiabanas, porque na época que ganharam notoriedade, Várzea Grande ainda era um distrito da Capital de Mato Grosso.
O Prefeito de Várzea Grande, Kalil Sarat Baracat de Arruda (MDB), e a primeira-dama da Cidade Industrial, e promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, além do secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Silvio Fidelis inauguraram as obras do Centro Cultural Neide Clemente Lemes no Distrito do Limpo Grande. A entrega do centro faz parte da comemoração pelo aniversário dos 156 anos de Várzea Grande.
“Um ano após o lançamento do projeto, estamos voltando aqui ao distrito do Limpo Grande, juntamente com a primeira-dama, Kika Dorilêo Baracat, e da minha equipe de trabalho para entregar à população desta comunidade, especialmente para a associação das redeiras, esse espaço digno, adequado e que será muito importante para que nossas artesãs exponham seus trabalhos, promovam encontros, simpósios, cursos e também receber os turistas para visitar o local, além de comercializar o artesanato genuíno de Várzea Grande”, disse Kalil.
O prefeito destacou que, com a criação da associação, as redeiras do Limpo Grande, incentivada pela primeira-dama, Kika Dorilêo Baracat, possibilitou que as artesãs tivessem apoio para a participação de feiras importantes dentro e fora do Estado de Mato Grosso para a divulgação dos seus trabalhos.
“Fico muito feliz em investir na cultura, investindo de forma que as futuras gerações possam dar continuidade nesta tradição fantástica e única no mundo que são as redes e o artesanato produzido aqui no Limpo Grande”, pontuou.
Ele sinalizou que o espaço vai ser fomentado pela Associação das Redeiras de Limpo Grande – Tece Arte em conjunto com a Prefeitura de Várzea Grande para realizar eventos que levem as pessoas até o Limpo Grande e possam difundir da melhor maneira que existe toda as informações e valores deste pessoal secular que produz arte, produz riqueza, produz cultura, produz história para a eternidade e para todas as gerações.
Para o secretário Silvio Fidelis, as ações de valorização das artesãs do Limpo Grande tiveram início muito antes da idealização do Centro Cultural.
“Durante esses três anos da gestão Kalil/Hazama, já foram oportunizadas 12 viagens para municípios de Mato Grosso e para outros estados, onde as artesãs do Limpo Grande puderam levar, divulgar e comercializar os trabalhos de Várzea Grande por todo o país”, informou.
Fidelis disse ainda que, com ações efetivas da administração, o resgate da cultura tradicional de Várzea Grande pôde florescer e hoje é uma realidade no município.
O evento ainda contou com a presença Maria Lígia Borges Garcia, ex-primeira-dama, esposa do ex-governador de Mato Grosso Garcia Neto (1974/1978), que, com a experiência dos seus 95 anos, elogiou a iniciativa pela inauguração da Casa de Sarita, da construção do Centro Cultural e pela valorização do artesanato centenário do Limpo Grande.

Jilaine Maria da Silva, presidente da Tece Arte, Associação das Redeira do Limpo Grande, parabenizou o prefeito Kalil Baracat e sua equipe pela realização do sonho da comunidade local que era um espaço como aquele do Centro Cultural.
“Nossa tradição é antiga, atravessa gerações e nossa Associação vai fazer 2 anos e com o incentivo da primeira-dama, juntamente com a equipe do GAAT, conseguimos viabilizar e colocar o trabalho das redeiras do Limpo Grande em evidência nacional”, comentou.
A presidente da Tece Arte destacou também a grande conquista que foi a assinatura das peças produzidas pela Associação, que certifica a origem, agregando mais valor às obras.
“A assinatura atesta as obras de nosso coletivo formado por 55 mulheres artesãs que compõem a Associação. Lembrando também que a Associação conquistou o Prêmio TOP 100 do SEBRAE em nível nacional, que chancela também a qualidade dos nossos trabalhos”.
Durante a visita ao Centro Cultural, o prefeito Kalil Baracat e a primeira-dama e promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, contemplaram a pintura ao vivo de um painel do artista plástico Ozires Paulo, bem como o tear sendo executado por artesãs do Limpo Grande.

Antes de concluir, Kalil Baracat lembrou como fundamental a união de todos na busca de soluções e principalmente, no fato, de que a simples assinatura nas redes por parte das artesãs que produzem as mesmas, assegura direito, “pois cada peça é única, pois é feita fio a fio e com detalhes que são definidos pelas tramas que de cada tear”, frisou Kalil Baracat.
Já a primeira-dama, Kika Dorilêo Baracat, assinalou que manter uma tradição secular se tornou uma missão para ela, reconhecendo como brilhante o trabalho realizado pelas artesãs e que tem reconhecimento mundial.
“Não podemos deixar uma tradição que vem passando por gerações de pessoas, inclusive de nativos em Mato Grosso deixe de existir, por isso, qualquer iniciativa voltada para potencializar as redes são fundamentais”, frisou ela sinalizando que não faltará por parte da gestão Kalil Baracat determinação e afinco na ajuda para toda e qualquer manifestação cultural.
Destaques
Fissuras na narrativa de paternidade da 1ª Ferrovia Estadual de Mato Grosso
O embate político pelo protagonismo da infraestrutura mato-grossense ganhou novos contornos com a contestação do governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos, às declarações do Senador Carlos Fávaro (PSD). A divergência pública expõe uma clara fratura na narrativa sobre a paternidade da 1ª Ferrovia Estadual do País, evidenciando como as obras de grande porte se transformaram em tabuleiro de disputa federativa.
Os protagonistas dessa crise institucional representam forças antagônicas no cenário regional: de um lado, o chefe do Executivo de Mato Grosso, amparado pela gestão estadual; de outro, o ex-ministro da Agricultura do governo federal, que atua hoje como o principal interlocutor do Palácio do Planalto perante o agronegócio do Centro-Oeste.
A contenda oficializou-se logo após o último sábado, dia vinte de junho, data que marcou a solenidade de inauguração do primeiro segmento do modal de transporte. O pronunciamento incisivo do governador durante o evento público desencadeou reações imediatas nos bastidores partidários, estendendo os reflexos do conflito ao longo dos dias subsequentes.
O epicentro geográfico da divergência localiza-se em Dom Aquino, município que abriga o novo terminal ferroviário instalado estrategicamente às margens da rodovia BR-070. Essa localidade representa o ponto de chegada do trecho inicial de cento e sessenta e dois quilômetros de extensão, que conecta o polo produtor regional ao município de Rondonópolis.

A dinâmica do confronto desenvolveu-se por meio de discursos inflamados na solenidade de entrega e subsequentes entrevistas coletivas concedidas pelos líderes. Fávaro classificou a conduta de Pivetta como desrespeitosa e despreparada, enquanto o governador rebateu qualificando o comentário do congressista como nulo e desprovido de valor político.
A motivação central por trás da troca de acusações reside na insatisfação estadual com a tentativa da União de reivindicar dividendos sobre o empreendimento. Segundo o mandatário mato-grossense, os aliados da gestão federal buscaram converter uma cerimônia administrativa em comício partidário, restando frustrados pela postura firme regional.
O propósito socioeconômico da estrutura visa acelerar o escoamento da produção agrícola estadual rumo aos portos marítimos, aumentando a competitividade internacional dos grãos. O projeto busca mitigar o histórico gargalo logístico rodoviário da região produtora, barateando o frete e otimizando a circulação de riquezas nacionais.
Os recursos financeiros mobilizados para a consecução da primeira etapa totalizam R$ 5 bilhões de reais, integralmente custeados e executados pela iniciativa privada. O planejamento macroeconômico prevê investimento global de R$ 15 bilhões de reais até a conclusão integral de toda a malha, tornando-se a maior intervenção ferroviária do país.

A modelagem jurídica do projeto viabilizou-se sob condições estritamente estaduais de autorização, tendo a execução física ficado sob responsabilidade da concessionária Rumo Logística. O governo estadual reitera que a União não aportou recursos financeiros nem participou da articulação técnica, fato exposto ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
O desdobramento do projeto prevê a expansão da linha férrea por setecentos e quarenta quilômetros até Lucas do Rio Verde, com ramal direcionado a Cuiabá. A expectativa mercadológica aponta para a transformação logística de dezesseis municípios, enquanto o cenário político projeta o acirramento das tensões federativas.
As obras tiveram início em novembro de 2022 e mobilizaram mais de 65 empresas contratadas e cerca de 5 mil trabalhadores. Somente na construção do terminal, foram gerados mais de 800 empregos diretos e indiretos.
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