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UM NOVO ESPAÇO

Justiça determina energização imediata de “Nova Ala Oncológica” no Hospital de Câncer em Mato Grosso

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O Judiciário mato-grossense interveio de forma decisiva para garantir a operação de uma infraestrutura hospitalar estratégica no Estado de Mato Grosso. Em decisão liminar proferida pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da 1ª Vara de Ações Coletivas de Cuiabá, determinou-se que a empresa Energisa efetive, no prazo improrrogável de 48 horas, a ligação e a energização do novo setor de oncologia clínica do Hospital de Câncer de Mato Grosso. A medida impõe uma penalidade diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, visando assegurar o imediato pleno funcionamento da estrutura médica.

A atuação contundente da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), por meio de uma ação de obrigação de fazer proposta pelo defensor público Denis Thomaz Rodrigues, motivou a intervenção judicial. O órgão oficiante buscou resguardar o direito fundamental à saúde e à vida da população sul-mato-grossense e mato-grossense, gravemente afetado pelo bloqueio no fornecimento elétrico de uma edificação essencial à rede pública de saúde estadual.

O impasse institucional teve origem na recusa formal da concessionária de energia elétrica em energizar o novo prédio, sob a justificativa de existência de débitos financeiros pendentes associados ao titular da conta. A distribuidora de energia argumentou que as regulamentações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permitiriam condicionar a nova ligação ao adimplemento de obrigações anteriores associadas ao mesmo CNPJ.

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A motivação para o represamento da energia contrapõe-se a uma estrutura predial totalmente concluída, equipada e dotada de equipe multiprofissional contratada, que exigiu investimentos aproximados de R$ 8 milhões. O local permanece inoperante desde a inauguração oficial em junho, a despeito de a concessionária ter aprovado a infraestrutura do posto de transformação em fiscalização técnica prévia.

Os valores que originaram o bloqueio superam R$ 5 milhões em obrigações acumuladas pela Associação Mato-grossense de Combate ao Câncer (AMCC). As planilhas apresentadas no processo revelam faturas em aberto da ordem de R$ 1,33 milhão, acrescidas de parcelamentos tributários e contratuais que somam R$ 4 milhões, enquanto a concessionária aponta cerca de R$ 1,61 milhão em faturas vencidas além dos montantes renegociados.

A controvérsia jurídica intensificou-se no tribunal após a própria concessionária admitir que utilizou o represamento do fornecimento como uma “medida coercitiva proporcional” para compelir a quitação da dívida. Contudo, o magistrado rejeitou a tese, assinalando que a cobrança financeira deve utilizar os instrumentos legais ordinários de execução e cobrança extrajudicial, sem o uso de coação coercitiva que prejudique serviços essenciais.

O impacto humano e social da medida coercitiva revela-se extremamente crítico no cenário de assistência médica estadual. O Hospital de Câncer registrou 18.564 atendimentos e 1.570 novos casos somente no primeiro semestre de 2026, enfrentando uma demanda reprimida média de 1.700 pacientes por mês que deixam de receber assistência no tempo oportuno.

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A temporalidade no tratamento oncológico possui caráter biologicamente determinante, uma vez que cada dia de atraso na quimioterapia amplia riscos de proliferação celular, metástase e agravamento do quadro clínico. Com o atraso acumulado, estima-se que mais de 20 mil pessoas continuem em filas de espera anuais por diagnóstico e terapias oportunas.

As instalações recém-construídas da capital Cuiabá encontram-se prontas para absorver o fluxo reprimido de atendimentos e ampliar significativamente a capacidade operacional do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão do tribunal reitera que o interesse público coletivo e a proteção à vida sobrepõem-se à disputa comercial e coercitiva entre a concessionária de serviços elétricos e a entidade hospitalar.

A execução imediata da ordem judicial restabelece o fluxo normativo da prestação de serviços de oncologia e assegura a abertura de leitos e consultórios cruciais. A Defensoria Pública prossegue no acompanhamento dos prazos processuais para garantir que a infraestrutura hospitalar seja colocada à disposição da sociedade dentro do prazo delimitado pela tutela de urgência.

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Cacique Raoni é diagnosticado com câncer avançado

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Raoni Metuktire nasceu entre o começo dos anos 30 e os 40 (em 32, de acordo com seu passaporte) em Krajmopyjakare, hoje Kapot, em Mato Grosso. Ele é filho do cacique Umoro, da tribo Metuktire (daí o sobrenome), da etnia Caiapó. Aos 15 anos, segundo a narrativa oficial, Raoni teve ajuda do irmão Motibau para instalar o labret, o adorno utilizado no lábio inferior que marca sua feição até hoje.

Em 1954, Raoni teve o primeiro contato com os homens brancos ao se deparar com uma expedição dos irmãos Villas-Bôas, com quem aprendeu português, no documentário sobre ele, o cacique se refere a Orlando como pai. Também foram os Villas-Bôas que apresentaram o cacique ao seu primeiro contato internacional de renome: o rei Leopoldo 3º da Bélgica, que fazia uma expedição pelo Mato Grosso em 1962.

O cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas do Brasil e reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos originários e da Amazônia, foi diagnosticado com adenocarcinoma, um tipo de câncer de comportamento agressivo. A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni na noite desta segunda-feira (14).

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Aos 94 anos, Raoni está atualmente sob cuidados paliativos, segundo o Instituto Raoni. A medida foi adotada após exames identificarem um tumor em estágio avançado no sistema digestório.

Os primeiros sinais de agravamento da saúde começaram a aparecer há alguns meses, quando o líder indígena precisou ser hospitalizado devido a dores abdominais persistentes. Exames de imagem realizados durante o atendimento identificaram a presença do tumor.

Em 19 de junho, Raoni foi transferido para um hospital em São Paulo. Na unidade, passou por uma cirurgia para tratar uma obstrução intestinal provocada pelo tumor.

Após o procedimento, a equipe médica iniciou os cuidados paliativos. Segundo o Instituto Raoni, o objetivo é controlar dores e outros sintomas, reduzir desconfortos e preservar, dentro do possível, a autonomia do cacique.

A assistência também busca garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações e oferecer acompanhamento médico e de enfermagem.

Respeito à cultura e à família

O Instituto Raoni informou que os cuidados devem ser realizados levando em consideração as decisões do líder indígena, sua cultura e sua língua, além da presença de familiares e integrantes de seu povo.

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A prioridade, segundo a instituição, é garantir que Raoni receba atendimento com segurança, conforto e dignidade durante o tratamento.

Liderança internacional

Raoni Metuktire construiu ao longo de décadas uma trajetória de defesa dos povos indígenas e da preservação da Floresta Amazônica.

O cacique ganhou projeção internacional especialmente a partir da década de 1980, quando passou a participar de campanhas de defesa da Amazônia. Em uma dessas iniciativas, esteve ao lado do músico britânico Sting, com quem participou de ações pela proteção da floresta.

Ao longo de sua trajetória, Raoni também se reuniu com diferentes chefes de Estado e se tornou uma das figuras indígenas brasileiras mais conhecidas internacionalmente.

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