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Artigo

Ultrassom dermatológico

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Autora: Dra. Joelma Magalhães*

A radiologia dermatológica é considerada a subárea mais recente e promissora da imagenologia médica, ocupando um papel de destaque tanto na abordagem multidisciplinar nas lesões cutâneas e de partes moles, quanto na cosmiatria. Além de contribuir para diagnósticos mais precisos, podem auxiliar na definição de conduta, no monitoramento, no planejamento cirúrgico e mesmo guiar os procedimentos com punções e biópsias.

O radiologista contemporâneo deve estar familiarizado com as técnicas corretas dos exames para avaliação da pele e com as possibilidades diagnósticas diferenciais das afecções cutâneas. E para isso devemos estar munidos com aparelhos modernos com transdutores de alta resolução (maior que 15 MHz) e estudos com Doppler de microcirculação SMI.

Os profissionais de saúde que lidam com a dermatologia (seja estética ou patológica), devem estar cientes dos métodos de imagem disponíveis e saber como solicitar os exames.

A tecnologia é grande aliada quando usada na prática médica baseada em evidências, permitindo oferecer mais segurança e precisão no diagnóstico e no tratamento dos pacientes.

Na cosmiatria, a ultrassonografia de alta frequência com Doppler tornou-se uma ferramenta útil para a localização de trajetos vasculares e de fios estéticos, a identificação de variações anatômicas, e para o reconhecimento e diferenciação dos mais diversos tipos de materiais injetáveis, ajudando a reduzir riscos e, também, no diagnóstico e manejo de complicações.

Além disso, possibilita guiar procedimentos como PAAFs (punções aspirativas com agulha fina) tanto para diagnóstico e/ou tratamento e biópsias com agulha grossa (core biópsia) em tempo real, propiciando maior segurança e precisão. A correta compreensão anatômica é a chave para a realização de procedimentos seguros.

A injeção intravascular de preenchedores cosméticos pode acarretar desde equimoses (manchas roxas) e hematomas até complicações mais graves como necrose tecidual, amaurose (perda da visão) e acidente vascular cerebral.

Devido ao aumento crescente do número de procedimentos estéticos realizados, o conhecimento das áreas de risco é fundamental para evitar complicações.Em relação às lesões dermatológicas, incluindo lesões ungueais, a história clínica e a ectoscopia (exame físico) das lesões são de fundamental importância na construção do raciocínio clínico para as hipóteses diagnósticas.

Aliado a esses dois parâmetros o radiologista/ultrassonografista deverá fornecer características técnicas de cada lesão, assim como a descrição do plano anatômico detalhado, cabendo ressaltar a importância da análise dopplerfluxométrica (vascularização) da lesão.

O relatório diagnóstico deverá fornecer todas as informações relevantes tais como composição (cística ou sólida), localização, tamanho, estruturas adjacentes relacionadas, ecogenicidade, margens e vascularização.

O advento da ultrassonografia de alta frequência com Doppler, principal método de imagem para a avaliação da pele, trouxe aos médicos de diversas especialidades as possibilidades de diagnósticos mais precisos, condutas mais seguras e melhores desfechos dos tratamentos clínicos e cirúrgicos.

*Dra. Joelma Magalhães é médica radiologista, atua no IDAPI – Instituto de Diagnóstico Avançado por Imagem, Cadim – Hospital São Matheus e coordena o setor de mamografia e ultrassonografia do HCan há 15 anos.

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Artigos

Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?

Publicados

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Autor: Luis Carlos Marques Fonseca*

A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.

A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.

Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.

Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.

As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.

Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.

*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).

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