Artigo
Prótese de silicone com recuperação em 24h: fake ou verdade?
Autor: Benedito Figueiredo Junior*
Essa técnica que está sendo adotada por alguns cirurgiões no Brasil ainda traz muitas dúvidas nas pacientes. Será que é fake ou verdade que pode-se colocar prótese de silicone com recuperação em 24h e, no dia seguinte voltar às atividades normais?
Vamos lá. Essa técnica já existe e está disponível, inclusive no Brasil.
Como funciona a colocação de prótese de silicone com recuperação em 24h?
Para proporcionar uma recuperação rápida, alguns médicos utilizam o método Dual Plane ou Grip Plane com Fast Track Recovery que prevê a colocação da parte superior da prótese de silicone abaixo do músculo peitoral. Porém, a parte inferior fica atrás da glândula mamária. Por isso, ela é chamada de dual plane, ou seja, plano duplo.
Também é possível a colocação de prótese de silicone com recuperação em 24 horas tanto com a cauterização dos vasos sanguíneos; ou o sutiã interno; ou com alça de sustentação muscular.
Com esse procedimento, a paciente pode fazer exercícios e levantar os braços logo no pós-operatório, 20 minutos após o fim da cirurgia.
Porém nas 6 horas seguintes é recomendado que a paciente fique internada e em observação e em seguida recebe alta hospitalar e pode retornar às atividades normais em 24 horas como dirigir e trabalhar.
Por isso essa técnica é boa para pacientes que querem uma recuperação rápida.
A desvantagem é somente a limitação do tamanho da prótese por ser atrás do músculo, que não comporta e nem tem elasticidade para próteses grandes. Ou seja, não serve para aquelas que querem um peito mais destacado com prótese perceptível.
NEM TUDO É PERMITIDO
A mulher tem que manter a frequência cardíaca logo após a cirurgia nos primeiros 15 dias, portanto só caminhadas leves.
Levantamento com pesos nas pernas e braços após 3 semanas.
Flexão de braços, apoio sobre o corpo, esportes de contato e artes marciais, só após 6 semanas.
Ou seja, no quesito exercício físico a cirurgia não é liberada 24 horas depois.
RISCOS
Como essa técnica é mais complexa apesar da recuperação mais rápida, diversos médicos a utilizam por segurança a anestesia geral, ou seja, o risco cirúrgico é maior.
Escolha um médico cirurgião plástico para sua realização. Não são todos que realizam essa técnica tem que ser um habilitado, não um curioso.
E lembre-se, opós-operatório faz parte da cirurgia de sucesso. Se a paciente não segue as recomendações, o sonho do silicone pode se tornar um pesadelo.
*Benedito Figueiredo Junior é cirurgião plástico na Angiodermoplastic. CRM 4385 e RQE 1266.
– Email: [email protected]
Artigos
Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?
Autor: Luis Carlos Marques Fonseca* –
A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.
A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.
Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.
Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.
As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.
Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.
*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).
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