Artigo
Peça ajuda!
Autor: Francisney Liberato* –
Se não sabemos ou temos pouca afinidade em determinada área da nossa vida, vamos buscar ajuda.
Se você tem dificuldade em alguma área da sua vida, o que você faz? Fica parado ou tenta obter uma solução? A depender da resposta, nós sabemos que as consequências chegam. O meu propósito é que você busque novas habilidades para se tornar dono de si mesmo.
Suponhamos que você deseja cantar, quem sabe, até para gravar uma música ou single, e publicar nas plataformas digitais. Você tem qualidade vocal, mas a sua performance não é das melhores no momento, você tem cometido várias falhas sob o ponto de vista da técnica vocal. Qual é a solução para isso? Treinar e treinar. Além disso, é necessário buscar ajuda de um especialista, tal como uma fonoaudióloga ou professor de técnica vocal.
Uma situação como essa, parece ser o curso natural das coisas, concorda?! Se é preciso aprimorar, então, é imprescindível procurar o aperfeiçoamento com ajuda de especialistas. E quanto mais se treina, e é orientado de forma correta, o desenvolvimento musical ganha força.
Na área financeira, ou da educação financeira, você deve adotar o mesmo padrão explanado. O problema não é saber administrar as finanças, mas sim não buscar a ajuda necessária para melhorar a sua saúde financeira.
No mundo em que vivemos de muita instabilidade, o valor do dinheiro deve ser significativo para você. Não basta lutar para ganhar mais e mais, mas sim, saber lidar com aquilo que entrou no seu patrimônio. Administrar as entradas (receitas) e saídas (despesas) de recursos é primordial para se ter uma vida sustentável nas finanças, como também noutras áreas da sua vida.
Quem são os especialistas em finanças? São pessoas que sabem e demonstram capacidade para saber lidar com dinheiro. Além, é claro, de ter uma formação específica nisso. Vale ressaltar que é importante você observar os resultados alcançados por esse especialista. Alguns exemplos: analista financeiro, economista, professor, escritor, coach, mentor e outros.
Você já ouviu falar em Associação dos Alcoólicos Anônimos (AAA)? É um grupo de pessoas que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outras a se recuperar do alcoolismo.
Podemos aplicar esse mesmo raciocínio para criar grupos ou associações que trocam experiências e ajudam pessoas a melhorar suas finanças. O grupo é composto por pessoas devedoras, endividadas, que não sabem administrar recursos financeiros, pródigas, gastadores compulsivas, os que fazem muitos empréstimos etc. Esses grupos existem no Brasil, com reuniões presenciais ou on-line, disponíveis na internet.
Esta é uma boa alternativa para aqueles que não sabem lidar com dinheiro: procurar ajuda e conselhos de pessoas que não são especialistas, mas que vivenciam o mesmo problema que você tem. Essa troca de experiência nos fortalece como seres humanos.
Sintomas que demonstram que uma pessoa está desequilibrada financeiramente, conforme o site “InfoMoney”:
“O Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, explica que são sintomas clássicos, por exemplo: a preocupação excessiva e perda de controle sobre o ato de comprar; o aumento progressivo do volume de compras; as tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras; as compras para lidar com a angústia ou outra emoção negativa; as mentiras para encobrir o descontrole com compras; os prejuízos no âmbito social ou problemas financeiros causados por compras, roubo, falsificação, emissão de cheques sem fundos ou outros atos ilegais para poder comprar”.
O site mencionado ainda apresenta um questionário de autoconhecimento:
“Se você responder sim a oito ou mais questões, tudo indica que você tem um problema com endividamento compulsivo ou está prestes a ter um. Não perca tempo e procure ajuda. 1. Suas dívidas estão fazendo sua vida familiar infeliz? 2. A pressão de suas dívidas está tirando a atenção de seu trabalho diário? 3. Sua reputação está sendo afetada por suas dívidas? 4. Suas dívidas estão fazendo você pensar que é menos do que é? 5. Você já deu informação falsa para obter crédito? 6. Você já fez promessas irrealistas para seus credores? 7. A pressão de suas dívidas está fazendo com que você seja descuidado com o bem-estar da sua família? 8. Você teme que seu empregador, família ou amigos descubram até que ponto vai seu endividamento? 9. Quando você se depara com uma situação financeira difícil, a possibilidade de um empréstimo lhe dá uma sensação desenfreada de alívio? 10. A pressão de suas dívidas já lhe causa dificuldade em dormir? 11. A pressão“.
De uma coisa devemos ter convicção: você precisa buscar ajuda, já que não consegue lidar com seus recursos financeiros, isto é, gasta mais do que ganha. Não procrastine, não adie o problema, decida reestruturar a sua vida.
Quiçá, consigamos, com um pouco mais de treino, auxílio de especialistas, e, quem sabe, na troca de experiências com outros indivíduos, revolucionar a nossa inteligência financeira.
Que tal tentar mais uma vez?
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 23 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
Artigos
Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?
Autor: Luis Carlos Marques Fonseca* –
A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.
A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.
Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.
Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.
As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.
Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.
*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).
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