Opinião
Na Engenharia, o que é responsabilidade de quem?
Autora: Marciane Prevedello Curvo –
Neste artigo você conhecerá as Responsabilidades referentes às Instituições do Sistema Profissional de Engenharia, às Instituições de Ensino e aos Profissionais desta classe.
Como todos sabem, a Engenharia é uma profissão regulamentada, ou seja, tem como benefícios carteira profissional, piso salarial, jornada de trabalho e licença.
E é a Lei Nº 5.194 de 24 de dezembro de 1966 que define as obrigações, responsabilidades, direitos e deveres para o exercício legal da profissão, bem como de seus órgãos fiscalizadores, e dá outras providências.
Na Engenharia – Apesar de todas as regras, existem muitas dúvidas referentes às atuações de cada Instituição do Sistema Profissional de Engenharia, bem como das Instituições de Ensino e também dos próprios Profissionais em questão.
É comum vermos muitos comentários e cobranças, um tanto quanto contraditórias, sem um mínimo conhecimento sobre o que realmente é responsabilidade de quem.
Neste artigo apresentamos uma abordagem resumida sobre as Responsabilidades Institucionais e Profissionais de forma a simplificar este compreendimento. Vamos lá.
Qual é o papel das Instituições de Ensino?
Algumas pessoas acham que ao pegar o canudo (diploma) automaticamente receberá o título de Engenheiro. Atenção, não é assim que funciona.
É muito importante saber que as Instituições de Ensino são responsáveis pela formação profissional e não pela concessão de títulos profissionais.
Após colar grau, ou seja, se formar em “Bacharel em Engenharia”, ainda não é considerado Engenheiro”.
Ou seja, as Instituições de Ensino são responsáveis exclusivamente por oferecer qualificação técnica aos seus alunos e alinhar teoria à prática de forma a prepara-los para o mercado de trabalho.
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, autarquia federal com jurisdição em todo o território nacional, no desempenho de seu papel institucional, é quem exerce, principalmente, ações regulamentadoras. Baixando resoluções, decisões normativas e decisões plenárias para o cumprimento da legislação referente ao exercício e à fiscalização das profissões.
A autarquia é quem regulamenta as profissões de Engenharia, Agronomia e Geociências. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). As pessoas muitas vezes confundem ao pensar que é responsabilidade do Crea a fiscalização da qualidade de uma obra ou serviço. Porém não é assim que funciona.
O Conselho fiscaliza o exercício ilegal da profissão. Ou seja, ele fiscaliza o profissional e não o seu serviço. Temos como principal missão resguardar a sociedade de serviços prestados por pessoas sem competências, atribuições para execução.
Por exemplo, se um fiscal do Crea chegar em uma obra e ver que o prédio vai cair, ele simplesmente não pode autuar o profissional responsável por aquele serviço, até porque sua função não é este!
É de responsabilidade do Crea registrar, cadastrar e atualizar os dados sobre os profissionais, bem como orientá-los sobre o exercício de suas profissões, regular os limites de atuação profissional, ou seja, garantir que cada profissional exerça somente aquilo que possui atribuição para exercer, e também, divulgar e discutir temas como ética profissional, áreas de atuação e exercício legal da profissão.
Então é partir do registro profissional no Crea que o “Bacharel em Engenharia” recebe a concessão do título de “Engenheiro”. Portanto, para ser um profissional Engenheiro e poder exercer legalmente a sua profissão, você deve, por obrigatoriedade, ser registrado no Conselho Profissional.
Também não é responsabilidade do Crea a garantia do piso salarial e dos direitos trabalhistas dos profissionais. Esta responsabilidade, por sua vez, cabe aos sindicatos.
Os sindicatos são responsáveis por orientar e fiscalizar relações trabalhistas, o cumprimento da CLT, das normas de segurança do trabalho e de atuação funcional, de pisos salariais, convenções e acordos.
Cabendo a entidade a coordenação, defesa e representatividade legal da Engenharia, Agronomia e das Geociências nas esferas pública e privada e perante ao órgão e poderes. Sendo responsáveis por oferecer assistência profissional e judicial aos seus associados, bem como, defender os direitos relacionados ao cargo, função ou condições de trabalho.
Qual o principal objetivo da Associações/Entidades de Classe?
Cabe às Associações, a contribuição com a sociedade na formação de profissionais aptos. Ou seja, elas são responsáveis pela promoção de treinamentos e aprimoramentos técnicos aos seus associados. Desta forma, apoiam e promovem atividades para um melhor posicionamento dos profissionais no mercado de trabalho.
Na Engenharia
Uma outra função das Associações é dar representatividade à Engenharia, Agronomia e às Geociências em eventos e espaços políticos, interagindo profissionais através de encontros, simpósios e fóruns.
O que é a Mútua?
A Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea (Mútua) é uma sociedade civil sem fins lucrativos criada pelo Confea em 1977, com o principal objetivo de oferecer a seus associados planos de benefícios sociais, previdenciários e assistenciais, de acordo com sua disponibilidade financeira, respeitando o seu equilíbrio econômico-financeiro.
Todos os profissionais com registro nos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas) podem se associar à Mútua, desde que atendam às condições estabelecidas em seu regimento, além de empregados dos Creas, do Confea e da Mútua.
Existem seis tipos de Responsabilidades Profissionais. Estes, estão listados e resumidamente exemplificados a seguir:
Técnica: se existe serviço, mas não existe ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), o profissional será responsabilizado.;
Civil: caso haja negligência na análise ou no acompanhamento do serviço e/ou dos materiais utilizados, a responsabilidade é do profissional;
Criminal: ocorre quando a Responsabilidade Civil apresenta caráter criminal com possíveis danos a pessoas e/ou ao meio ambiente;
Administrativa: referente a negligências com relação à legislação do Conselho Profissional e também de órgãos estaduais, municipais, ambientais, etc.
Trabalhista: dedicada aos profissionais empregadores, responsáveis por empresas, etc.
Ética: Em caso do descumprimento do Código de Ética definido pela Resolução Nº 1.002 de 26 de novembro de 2002, do Confea.
É importante ressaltar que uma Responsabilidade Profissional não exclui as outras.
Um profissional for autuado, por exemplo, por um crime ambiental, o processo também será encaminhado ao Crea, para verificação de falha na conduta ética. E se confirmada, este profissional poderá responder ao órgão ambiental, à justiça e também ao Crea, por infringir o Código de Ética.
Então é sempre válido ressaltar a importância da responsabilidade, da atenção, do cuidado e principalmente, da ética profissional nos serviços de Engenharia, Agronomia e Geociências.
– Marciane Prevedello Curvo – Conselheira do Crea-MT- Eng. civil
Artigos
Toró eleitoral
Autora: Valéria del Cueto* –
Quem aguenta essas tormentas intermináveis?
Temos tempestades de todos os jeitos. Para todos os lados.
São borrascas de águas, enchentes de informação, enxurradas de corrupção…
Para pensar positivo considero que o sol apareceu!
Depois de semanas escondido pelas nuvens que, além de enchentes, granizo e tornados, trouxeram (essa é a parte boa) a subida dos níveis dos reservatórios. Andavam abaixo da linha do alerta da insuficiência hídrica.
Melhorar as reservas é essencial ao enfrentamento dos prometidos tempos de El Niño marombado que estão chegando.
Os poucos dias com tempo firme também permitiram que pelo menos as roupas finalmente sequem nos varais. É uma beleza vê-los cheios de adereços. As peças dançando alegremente.
Também fizeram que, mais uma vez, o caderninho entrasse em ação.
Sim, gosto de escrever ao ar livre, se possível ouvindo um barulho de água.
Pode ser na beira do mar esticada numa canga na praia. Ou, como agora, empoleirada nos degraus a caminho da ponte de madeira que une os dois lados do rio no meio do mundo.
Diante do estado de umidade do gramado, esse é o melhor ponto para deixar que o murmúrio do regato (no momento límpido, depois de crescer enlameado durante as últimas semanas) conduza as ideias que vou alinhavando no caderninho.
Foi isso que adiou a entrega do texto da vez.
Era tanta lama de informações atingindo minhas ideias que, mal formulava uma linha de pensamento cronical, já surgiam outras revelações, desatualizando as colocações cuidadosamente buriladas.
Virou um escreve-apaga interminável, com os textos perdendo a validade antes de conseguir fechar as duas laudas de praxe. Elas são definidas pelo espaço que me cabe no Diário de Cuiabá.
Cheguei a pensar em trocar o encadeamento costumeiro por notinhas, tipo uma coluna.
Não consegui dar adeus às crônicas e optei por atrasar o envio do material até ter a chance de encadear os assuntos como sempre fiz.
Mal comparando, se fosse nos tempos das máquinas de escrever, a lata de lixo do lado da escrivaninha estaria transbordando de bolinhas de papel amassadas de trechos inacabados.
A vida está assim, uma lixeira lotada de informações que chegam rápidas em grande quantidade e são descartadas ou absorvidas sem tempo de checagem, de aprofundamento.
Enquanto isso, o Brasil e o mundo não rolam, capotam descontrolados em meio a tiroteios de snipers invisíveis. Dispostos a transformar nossas vidas num inferno agem sempre em causa própria, sem pensar no coletivo.
Querido leitor, teremos eleições daqui a alguns dias!
Dizem os analistas que elas serão decididas, não pelo quesito das propostas, mas por quem tiver menos rejeição.
E dá-lhe tiro, porrada e bomba para desconstruir os adversários.
O povo estarrecido procura se defender das balas perdidas sem ter tempo de atinar, analisar. É hora de procurar os melhores quadros para o poder legislativo. Já escolheu seus representantes?
Se lembra em quem votou para deputado estadual, federal e senador nas últimas eleições?
Não sei você. Vou escolher aqueles que, realmente, pensam no bem comum e não apenas no próprio umbigo e seus interesses familiares e pessoais. BETs, emendas impositivas dirigidas aos apaniguados, entregar o país à tutela de terceiros. Como assim?
São eles, os parlamentares, que poderão fazer a diferença numa busca coletiva de melhorias reais para o povo brasileiro, seus eleitores.
Existem indecisos a serem convencidos, os que definirão os rumos do país nos próximos anos. Cabe a nós trazermos de volta a esperança de que o país deve seguir independente, soberano e altivo, sem se curvar às ingerências externas. É ela que fará os eleitores nortearem suas escolhas.
Sabemos que o céu voltará a ficar limpo, deixando espaço para o sol, a lua e as estrelas, nossas armas para convencer os indecisos de que o mau tempo vai passar. Com a ajuda deles, podemos fazer um toró de esperança, alegria e fé no Brasil chegar às urnas nessa eleição.
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não sei onde enquadrar” e do SEM FIM…
delcueto.wordpress.com
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