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Misael Oliveira Galvão: – Mais do que um shopping, uma família popular
Mais do que um shopping, uma família popular
Por: Misael Oliveira Galvão –
Em 21 de abril de 1995 nascia a Associação dos Camelôs do Shopping Popular, carregada de muitas histórias de luta e conquistas. Este dia foi o início de uma trajetória de sucesso. O ponto de partida da união e persistência do que seria uma grande família: a “família popular“.
Foi neste dia que, há 24 anos, teve origem o que seria hoje o nosso Shopping Popular de Cuiabá. Há quem o conheça por “Camelódromo”. Outros, como “Paraguaizinho”. Para além da sua nomenclatura, ele é um símbolo de como que a união tem o poder de superar qualquer obstáculo.
Se hoje é referência nacional na área de comércio popular e serviços, o Shopping Popular traz em seus pilares muito suor e dedicação de todos os que ajudaram a construir esta trajetória de exemplo ao longo dos anos. Uma trajetória que tenho orgulho em dizer que me dediquei com todo meu coração e fiz parte junto com nossos amigos camelôs.
Era outono em Cuiabá quando aproximadamente 400 camelôs foram retirados à força pela polícia da região central da cidade. Naquela época, eu era um camelô e também um líder de rua – profissão que me fez ter conhecimento sobre as preocupações que existiam entre os comerciantes diante da tentativa da Prefeitura em “organizar” os espaços do centro da Capital.
Apesar das discussões da nossa categoria com os representantes municipais, não houve entendimento e só nos restou sair. Isto nos levou até um novo local, um pequeno espaço afastado ao lado do Ginásio Dom Aquino. Um espaço sem estrutura em que o asfalto era o chão e o céu era nossa cobertura. Tentamos reivindicar um novo lugar, sem êxito. Muitos não acreditaram e foram embora.
A partir daí, carregamos conosco uma frase que serviu para este sucesso: “se é o único lugar que sobrou para nós, então iríamos transformá-lo no melhor lugar para se viver e trabalhar” – empenhar para fazer dele um grande gerador de empregos, para viver em sociedade comercial e, é claro, despontar como referência de Cuiabá para o Brasil. Uma missão nem um pouco fácil e que exigia muito mais do que vontade. Era preciso estruturar fisicamente o Shopping e vencer, até mesmo, o preconceito da sociedade em relação aos ambulantes.
Sob uma cobertura de lona, enfrentamos o calor, o frio, as chuvas e tudo o que surgisse em nosso caminho. Por vezes, enchentes foram responsáveis pela perda de nossas mercadorias e barracas. Teve sofrimento, suor e muita garra. Logo, nós, camelôs, nos unimos e instituímos uma Associação que pudesse representar a classe. Assim, tive a honra de disputar e vencer a primeira eleição para presidente em 1995.
Com o tempo, a união fez a força e buscamos a legalização de nossa classe. Alguns marcos possibilitaram que o Shopping se tornasse o que ele é hoje. Contudo, um grito de vitória ecoou da garganta dos vendedores ambulantes em 2007 com a aprovação e publicação federal da Medida Provisória nº 380, que criou o Regime de Tributação Unificada (RTU) na importação de mercadorias do Paraguai. Esta conquista beneficiou microempresários optantes pelo programa Simples Nacional.
Outra vitória foi a legalização da categoria. Ela permitiu que muitos camelôs mudassem de vida ao se tornarem empreendedores – com empresas próprias, CNPJ e colaboradores. Tudo isso foi possível graças a uma grande vitória do diálogo com poder público. A Câmara Municipal esteve presente na aprovação da Lei 5.757, que garantiu uma Concessão Onerosa com a prefeitura e um TAC com Ministério Público. Este modelo único está sendo copiado nas grandes cidades do país. Muitos representantes públicos vieram até Cuiabá e levaram nossa experiência.
Nossa história é também pelo social e pela Capital. Nesta Concessão Onerosa, nós tivemos a oportunidade de construir e revitalizar todo o Complexo Poliesportivo Dom Aquino, um marco na Saúde e bem-estar da população com 11 modalidade de esporte, e o mini estádio da antiga Prosol no bairro Dom Aquino. Há tempos pela solidariedade, retribuímos para Cuiabá tudo o que recebemos de carinho através de doações de sacolão e brinquedos todos os anos.
Hoje, essa é uma trajetória que gera quatro mil empregos direta e indiretamente em Cuiabá. Hoje, o Shopping Popular se consolidou como referência no mercado nacional e qualquer associado tem orgulho em dizer que faz parte dessa família.
Vida longa ao Shopping Popular, vida longa à Família Popular.
Nosso passado garantiu o presente e o presente garantirá nosso futuro.
Misael Oliveira Galvão é presidente da Câmara Municipal de Cuiabá
Artigos
Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase
Autora: Adriana Costa* –
Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.
Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.
Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.
Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.
Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.
Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.
Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.
Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.
*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT.
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