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ARTIGO

Ligia Molina: – A saúde mental dos seus colaboradores pede atenção

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    A saúde mental dos seus colaboradores pede atenção

Autora: Ligia Molina

O ano de 2020 foi muito conturbado, com diversos acontecimentos. A pandemia trouxe uma nova realidade para a área de recursos humanos, mudando a maneira como as equipes interagem e trabalham. Antes impensável para algumas organizações, o home office é uma realidade para diversas empresas ainda hoje e não deve deixar de ser. Incertezas sobre o amanhã e novos desafios do mundo corporativo são pautas que não saem mais da rotina.

Nesse contexto de mudanças, é normal que colaboradores sintam na pele o peso do cansaço.

O ritmo de produtividade automaticamente vai desacelerando. Mesmo em meses de quarentena, descansar foi uma tarefa complicada. Afinal, não é fácil desligar a cabeça das preocupações, sem falar que muitas equipes trabalharam a mais para suprir a necessidade das empresas no período. Um verdadeiro esforço e empenho coletivo.

Pensando na recuperação desses profissionais que estão sobrecarregados, as férias surgem no final do ano como possibilidade de recuperação. Direito garantido pela Legislação Brasileira, elas são fundamentais, afinal mesmo estando em home office muitos se viram lidando com crianças, ou com cônjuges também precisando desenvolver atividades online.

Os acontecimentos desse ano pegaram todos de surpresa. Ninguém esperava uma crise de saúde, que acarretaria crises na economia e dificuldades para muitas empresas. Porém, também aprendemos muito esse ano, sobretudo em como lidar com desafios inesperados. Quanto a isso, podemos dizer que estamos “vacinados”.

Mas ainda assim, temos que ter em mente que pessoas tem sentimentos, desafios e dificuldades. Um ano conturbado como esse causa muita ansiedade, estresse e até mesmo depressão. Os gestores precisam manter contato próximo com suas equipes, para entender o que estão passando e como ajudar e promover motivação.

Embora seja difícil afirmar que é possível entregar todos os dias de férias nesse momento, afinal grande parte das companhias está retomando a produção agora, sem contar aquelas que estão sem abastecimento de matéria-prima em decorrência da quarentena, ainda é importante garantir uma chance de recuperação aos tantos profissionais que se dedicaram nesse período. Sem descanso, lazer e atividades de relaxamento, o rendimento começa a cair.

Outro fator que impacta nesse momento são os diferentes tipos de processos utilizados pelas empresas para manter seu quadro de funcionários durante o período. Reduções de contratos e férias antecipadas também impactam. Diferente dos 30 dias habituais, os colaboradores devam esperar por menos tempo. Mas, é preciso pensar em um descanso.

O indicado é que o profissional que conseguir tirar um período de férias, se desligue do trabalho. Não cheque e-mails e não atenda celular para solucionar problemas do escritório. Sabemos que isso pode ser impossível em alguns casos, mas, separe então apenas um horário do dia para verificar e-mails urgentes e atender ligações e avise a equipe sobre esse período.

Após as férias, os ganhos são tanto para empresa quanto para funcionário. Os profissionais retornarão com uma produtividade maior, uma motivação alta, muita energia, contribuindo assim para atingir as metas e objetivos do planejamento estratégico da organização. Vivemos um ano diferente e 2021 seguirá pelo mesmo caminho, gestão e controle da saúde mental das equipes é a chave para manter motivação em alta.

Ligia Molina é professora na IBE Conveniada FGV, no curso de pós-graduação em Administração, nas disciplinas: Liderança, Gestão de Pessoas e Estratégia empresarial.

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É graduada em Matemática pela PUC Campinas, pós-graduada em Administração de Empresas pela PUC Campinas, Pós-graduada em Gestão de Negócios pela UERJ, e tem MBA em Gestão de Pessoas de FGV.

Conta com 22 anos de experiência em empresas multinacionais, como gestora de equipes em projetos de desenvolvimento organizacional, fortalecimento da cultura e desenvolvimento dos diversos níveis da liderança. É consultora com grande atuação em projetos de coach e mentoria (www.elfari.com.br).

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Artigos

O Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia

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Autor: Ives Gandra da Silva Martins*

Ciência, ética e fé: a encíclica Magnifica humanitas como um guia para o bem comum

A Encíclica Magnifica humanitas (em português: Magnífica humanidade), primeiro documento papal de Leão XIV, publicada em maio deste ano, deve ser lida não só por nós, católicos, mas por todos aqueles que realmente se interessam pela evolução do gênero humano.

O documento pontifício mostra, em primeiro lugar, que para a Igreja não há incompatibilidade entre a ciência e a religião. O texto faz uma menção direta e profunda à Encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), de Leão XIII, publicada em 1891, que debateu a grave situação dos trabalhadores gerada pela Revolução Industrial, propondo uma via que rejeitava tanto os excessos do capitalismo quanto as propostas do socialismo. Considero que o primeiro grande documento a apresentar soluções de convivência entre a liberdade econômica e a justiça social foi a referida encíclica e não os livros daqueles autores do século XIX que propugnavam a luta de classes.

As diversas encíclicas escritas a partir da Rerum Novarum revelam como a Igreja tem demonstrado compatibilidade e preocupação não só com o ser humano em sua relação com Deus, mas também com o papel de cada indivíduo na convivência com seus semelhantes.

G. K. Chesterton (1874–1936), escritor inglês e defensor da fé e da tradição católica, dizia que nós não vemos o plano de Deus porque estamos do lado de trás de uma tapeçaria, vendo apenas a cordoalha (o avesso da tapeçaria) que lá existe. Mas Deus está vendo o desenho que fez para cada um de nós, a beleza da tapeçaria que está à frente d’Ele.

O que a Encíclica Magnifica humanitas procura mostrar sintetiza-se em três pontos: os desafios contemporâneos da sociedade; a plena compatibilidade entre a ciência e a religião; e, finalmente — sendo este o aspecto mais relevante —, os dilemas trazidos pela inteligência artificial.

O documento pondera tanto os seus benefícios quanto o risco de sua exploração negativa contra a humanidade, alertando especificamente para o perigo de a tecnologia anular o discernimento moral e desumanizar as relações de trabalho, assim como a Revolução Industrial ameaçou o operariado na época da Rerum Novarum. Mostra, enfim, que devemos aprender a utilizar essa poderosa ferramenta tecnológica para o bem comum, protegendo o gênero humano de seus efeitos nocivos.

Ao traçar esse paralelo histórico, o Sumo Pontífice nos recorda que o progresso técnico, isolado de uma sólida moldura ética, tende a converter o ser humano em mero insumo produtivo. Se no século XIX a máquina a vapor ameaçava subjugar a força física do operário, no alvorecer deste milênio os algoritmos e os sistemas autônomos colocam em xeque a própria singularidade do intelecto e do livre-arbítrio.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não se reveste de um teor de oposição à tecnologia; ao contrário, ela nos convoca a resgatar a primazia da pessoa humana sobre a técnica, assegurando que a inteligência artificial sirva como instrumento de emancipação e de justiça distributiva, e nunca como vetor de novas e mais profundas desigualdades sociais.

Desse modo, a leitura desta encíclica transcende o debate estritamente teológico para fixar-se como um autêntico tratado de Direito Natural e de preservação da dignidade humana. Diante de uma realidade cada vez mais fragmentada pelo relativismo e pela velocidade das transformações digitais, o documento papal surge como um guia de lucidez e de esperança.

Tenho a impressão de que é uma encíclica que todos devemos ler, crentes ou não, católicos ou de outras convicções, pois ela apresenta os grandes problemas da atualidade, de toda a humanidade, trazendo sugestões muito interessantes para a convivência pacífica e harmoniosa, inclusive na busca de que o bem triunfe sobre o mal.

Vale, pois, a pena ler esse importante documento, que é a Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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