Artigo
FGC e a crise de Notas: a responsabilidade sob exame
Autor: Wagner Balera* –
Com os sobressaltos que ocorrem a cada dia nos inusitados caminhos do banco e da banca (rumos do sistema bancário), causa espanto constatar, segundo informações de autorizado especialista do setor, que certa agência classificadora de risco deu nota A para o banco liquidado e desliquidável (sem salvação).
Aliás, o mesmo especialista indicou como funcionam as coisas. São solicitadas as avaliações às abalizadas agências, de reconhecida idoneidade, e se divulgam tão somente as melhores ou, até mesmo, só a melhor nota. As más avaliações são guardadas no sexto arquivo.
É bem possível que, se algum dos órgãos investigadores fosse atrás de saber o que motivou a nota A, sairia correndo para comprar títulos podres remasterizados, para guardar como relíquia dessa época atípica.
A chancela oficial, concedida sob o manto de uma tecnicidade questionável, mascara o risco real que corrói o patrimônio de terceiros. Esse descompasso entre a classificação e a realidade operacional denota uma fragilidade alarmante nos mecanismos de controle vigentes.
Diante de tal cenário, a confiança, que deveria ser o pilar mestre do sistema financeiro, transforma-se em mercadoria volátil e de procedência duvidosa. O investidor, desamparado por laudos de conveniência, torna-se a peça vulnerável em um tabuleiro de interesses opacos.
Um respeitável e sóbrio economista não teve dúvida em asseverar que, no caso presente — o do banco nota A —, “tem muita gente que quer assar uma pizza do tamanho do Maracanã”.
Sei que, para a maior parte dos leitores, inclusive para mim, a pizza é quase um bem de consumo direto carregado de unanimidade. Pode-se dizer, parafraseando o sambista, que quem não gosta de pizza bom sujeito não é.
Entretanto, o odor insuportável dos ingredientes estragados torna esse tão apreciado alimento algo repugnante.
O odor que perpassa essa preparação da imensa pizza deixa, em seu rastro, a podridão dos consignados que, já exalando mau cheiro de outros locais, avançam pela pimenta vermelha estragada das invasões de competência — onde todos querem aparecer, sempre em cumprimento daquela missão que Chacrinha ironicamente se atribuía:
“Eu vim para confundir, não para explicar“.
Nessa linguagem cifrada, que pouco ou nada significa para nós, os leigos, aparece uma tábua de salvação que, talvez, tenha de salvar a si mesma. É o Fundo Garantidor de Créditos. Este fez sua parte, emitindo nada menos que trinta e oito alertas sobre os ingredientes estragados que poderiam matar quem ingerisse a deformada pizza.
Agora, os custos serão repartidos entre todos.
Até os beneficiários de fundos de pensão — que confiaram no zelo de aplicações destinadas a um futuro menos aflitivo — serão forçados a engolir um naco de pizza podre.
Ainda bem que foi vetada a compra do Banco nota A por um banco público, cujos avaliadores internos deveriam estar comprando gato por lebre; ou seja, recebendo, em suas sofisticadas due diligences, apenas os laudos enviesados de agenciadores que torciam pelo sucesso da transação. Essa foi a pizza que desandou antes de ir para o forno.
A crise mundial — na qual o Brasil se encontra perfeitamente inserido — revela que a capacidade de previsão tem falhado em quase tudo.
Agora já se chegou ao ponto de um órgão do poder público projetar a organização de um dos maiores eventos de certa cidade mediante a previsão de um falecido cacique, de que não haveria chuva naquele dia.
O sistema, envolto em fumaça de conveniência, prefere ignorar o óbvio em favor de uma estabilidade de fachada. Enquanto os ingredientes da má gestão apodrecem à vista de todos, as notas oficiais seguem perfumando o que já não tem mais salvação.
Essa cegueira deliberada, que ignora alertas técnicos para servir fatias de prejuízo ao público, é o sintoma de uma ética em colapso. No banquete dos conchavos, o custo da indigestão recai sempre sobre o cidadão que acreditou na higidez do cardápio.
Caminhemos, pois, para um ponto final de previsões. Chega de invasão de competências, preparatórias de montagem de pizzarias falidas, vendedoras de ilusões.
*Wagner Balera é Professor Titular de Direitos Humanos da PUC-SP e coordenador da Revista de Direitos Humanos da Editora LexMagister.
Artigos
Brincar é crescer: O papel do brincar no desenvolvimento da criança
Autora: Daniella Starfield* –
Brincar é uma atividade essencial na infância e vai muito além do simples entretenimento. É através da brincadeira que a criança aprende a compreender o mundo, a expressar as suas emoções e a relacionar-se com os outros. Brincar constitui um contexto privilegiado para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor.
No plano emocional, o brincar permite que a criança exteriorize sentimentos que ainda não sabe colocar em palavras. Medos, alegrias, inseguranças e desejos surgem naturalmente nas brincadeiras, ajudando-a a desenvolver a autorregulação e o equilíbrio emocional. A brincadeira simbólica, em particular, possibilita que a criança represente experiências, elabore conflitos internos e atribua significado às vivências do seu cotidiano.
No plano social, brincar com outras crianças ensina competências fundamentais como partilhar, cooperar, respeitar regras e lidar com frustrações. Promove ainda o desenvolvimento da empatia, da comunicação, da resolução de conflitos e da capacidade de negociação, competências essenciais para a construção de relações saudáveis e para uma adaptação positiva aos diferentes contextos sociais, como a família e a escola.
Num contexto cada vez mais digital, o tempo de brincar ao ar livre tem diminuído. No entanto, é precisamente neste tipo de brincadeira espontânea que a criança desenvolve criatividade, autonomia, competências sociais reais e competências motoras, através da exploração do ambiente e da interação com os seus pares. O principal desafio reside no equilíbrio entre o tempo de ecrã e as oportunidades de brincadeira livre, ativa e presencial.
O papel dos adultos é fundamental. Criar tempo e espaço para brincar, sem excesso de estruturas ou distrações, permite que a criança explore a sua imaginação e aprenda de forma natural. Quando o adulto participa de forma leve e presente, respeitando a iniciativa da criança e evitando dirigir constantemente a brincadeira, o vínculo emocional fortalece-se.
Brincar não é apenas uma atividade da infância; é um direito da criança e um dos principais pilares do seu desenvolvimento global. Através da brincadeira, desenvolvem-se competências emocionais, sociais, cognitivas, linguísticas e motoras que constituem uma base essencial para o bem-estar, a aprendizagem e a adaptação ao longo de toda a vida.
*Daniella Starfiel é escritora, letrista, empreendedora criativa e autora do livro infantil “O Grande Dia da Escolha”
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