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Em 2021, o DNA da vertical educação facilita a criação de ambientes digitais seguros

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Autor: Arley Brogiato –

Desde março de 2020 o ensino a distância tornou-se a principal opção de estudo para milhões de estudantes brasileiros. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED) realizada no segundo semestre do ano passado com 5580 alunos, professores, gestores educacionais e pais, 60,5% acessam remotamente aulas, laboratórios e reuniões. As deficiências na entrega de Internet a todo o universo educacional brasileiro, porém, continuam. Levantamento realizado em maio de 2020 pelo Datafolha/Fundação Lemann com um universo de 1005 professores de escolas públicas de todo o Brasil confirma essa realidade: 29% das unidades educacionais das redes públicas não têm nenhum acesso à Internet.

O quadro se agrava quando se pensa que não basta ter um acesso de qualidade para que a atividade educacional aconteça de forma estável e segura. Escolas e universidades do todo o Brasil estão no grupo das empresas mais atacadas pelos criminosos digitais.

Os cibercriminosos identificam a instituição educacional como um alvo fácil: um contexto em que, apesar de trabalhar com dados sensíveis e privados, os controles de segurança e os recursos tecnológicos nem sempre são robustos. A falta de experiência dos usuários, combinada com a tendência de usar senhas simples em vários serviços, torna a vertical educação propensa a ataques de coleta de credenciais e de pulverização de senhas.

Em junho do ano passado, por exemplo, a Universidade Anhembi Morumbi sofreu ataques que expuseram dados pessoais de cerca de 1,3 milhão de alunos e professores. No vazamento, dados como nome, RG, CPF, data de nascimento e endereço de e-mail ficaram à disposição de criminosos na dark web.

LGPD aumenta os riscos enfrentados pela entidade educacional

Com a regulamentação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), vazamentos como estes irão muito além do dano à marca da universidade atacada: a escola poderá pagar 2% de seu faturamento em multas, em valores que podem chegar até R$ 50 milhões de reais. O alinhamento com a LGPD exige novas tecnologias e profundas mudanças nos processos de governança e jurídicos da escola.

Num mundo cada vez mais híbrido, crescem, também, as vulnerabilidades causadas pelos dispositivos IoT implementados no campus. Parte das atividades escolares seguem sendo realizadas em espaços físicos – é o caso de aulas em laboratórios, em que professores e assistentes estão presentes no ambiente de testes. O IDC acredita que, até 2024, haverá mais de 41 bilhões de sensores IoT em atividade, gerando cerca de 80 zetta bytes de dados. São dispositivos com pouquíssimos recursos de segurança, com milhares de vulnerabilidades.

Os ataques são reais. Segundo o Relatório de Ameaças SonicWall de março deste ano, o Brasil é o nono país do mundo a mais sofrer com ataques de ransomware.

Roubo de credenciais, phishing e ransomware

Para se chegar a uma realidade como essa, é necessário que o ecossistema de segurança digital apresente várias vulnerabilidades. O roubo de credenciais como o que aconteceu na Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, é uma etapa crítica para que os criminosos sejam bem-sucedidos em seus ataques. De posse de credenciais de usuários, fica mais fácil burlar defesas e realizar um phishing bem-sucedido – phishing que fatalmente abrirá espaço para o ransomware. Com o império do ensino a distância, as soluções de segurança para o perímetro da escola deixam de ser suficientes. É necessário levar a segurança a pontos remotos, de difícil controle.

É nesse contexto que entram em cena novas ofertas de firewalls e de outras tecnologias que se destacam, justamente, por levar para as pontas da rede educacional brasileira a segurança que, antes, era comum encontrar no data center da entidade educativa. São soluções escaláveis – muito delas oferecidas como serviço, na nuvem – que protegem simultaneamente uma grande quantidade de dispositivos e conexões. Essas tecnologias realizam o scan de links criptografados sem que isso afete o desempenho da aplicação de EAD ou de gestão da escola. Isso garante uma excelente UX, algo essencial para o rendimento do aluno ou do colaborador.

Inteligência artificial e machine learning: luta contra ameaças Zero Day

Essas novas tecnologias utilizam inteligência artificial e machine learning para funcionarem num modelo de aprendizagem contínua. É isso que permite às novas gerações de firewalls identificarem ameaças Zero Day e protegerem o ambiente escolar contra malware cada vez mais focados e eficazes.

Em 2021, escolas e universidades devem deixar para trás modelos convencionais de segurança e adotar estratégias que vão além do perímetro.

É essencial que, em paralelo a esses avanços tecnológicos, a escola invista em programas educativos para alunos, pais e colaboradores. A inovação e os recursos dos criminosos digitais são de tal monta que, além de tecnologia, é necessário promover a mudança de processos, com novos controles e a interiorização, por parte dos usuários, de novas posturas de segurança digital. Por causa de seu DNA único – expertise em transmissão de conhecimento -, entidades educacionais podem dar uma aula sobre essa transformação, atuando como um benchmark para outros setores da nossa economia.

Arley Brogiato é Diretor da SonicWall América Latina e Caribe.

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O Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia

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Autor: Ives Gandra da Silva Martins*

Ciência, ética e fé: a encíclica Magnifica humanitas como um guia para o bem comum

A Encíclica Magnifica humanitas (em português: Magnífica humanidade), primeiro documento papal de Leão XIV, publicada em maio deste ano, deve ser lida não só por nós, católicos, mas por todos aqueles que realmente se interessam pela evolução do gênero humano.

O documento pontifício mostra, em primeiro lugar, que para a Igreja não há incompatibilidade entre a ciência e a religião. O texto faz uma menção direta e profunda à Encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), de Leão XIII, publicada em 1891, que debateu a grave situação dos trabalhadores gerada pela Revolução Industrial, propondo uma via que rejeitava tanto os excessos do capitalismo quanto as propostas do socialismo. Considero que o primeiro grande documento a apresentar soluções de convivência entre a liberdade econômica e a justiça social foi a referida encíclica e não os livros daqueles autores do século XIX que propugnavam a luta de classes.

As diversas encíclicas escritas a partir da Rerum Novarum revelam como a Igreja tem demonstrado compatibilidade e preocupação não só com o ser humano em sua relação com Deus, mas também com o papel de cada indivíduo na convivência com seus semelhantes.

G. K. Chesterton (1874–1936), escritor inglês e defensor da fé e da tradição católica, dizia que nós não vemos o plano de Deus porque estamos do lado de trás de uma tapeçaria, vendo apenas a cordoalha (o avesso da tapeçaria) que lá existe. Mas Deus está vendo o desenho que fez para cada um de nós, a beleza da tapeçaria que está à frente d’Ele.

O que a Encíclica Magnifica humanitas procura mostrar sintetiza-se em três pontos: os desafios contemporâneos da sociedade; a plena compatibilidade entre a ciência e a religião; e, finalmente — sendo este o aspecto mais relevante —, os dilemas trazidos pela inteligência artificial.

O documento pondera tanto os seus benefícios quanto o risco de sua exploração negativa contra a humanidade, alertando especificamente para o perigo de a tecnologia anular o discernimento moral e desumanizar as relações de trabalho, assim como a Revolução Industrial ameaçou o operariado na época da Rerum Novarum. Mostra, enfim, que devemos aprender a utilizar essa poderosa ferramenta tecnológica para o bem comum, protegendo o gênero humano de seus efeitos nocivos.

Ao traçar esse paralelo histórico, o Sumo Pontífice nos recorda que o progresso técnico, isolado de uma sólida moldura ética, tende a converter o ser humano em mero insumo produtivo. Se no século XIX a máquina a vapor ameaçava subjugar a força física do operário, no alvorecer deste milênio os algoritmos e os sistemas autônomos colocam em xeque a própria singularidade do intelecto e do livre-arbítrio.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não se reveste de um teor de oposição à tecnologia; ao contrário, ela nos convoca a resgatar a primazia da pessoa humana sobre a técnica, assegurando que a inteligência artificial sirva como instrumento de emancipação e de justiça distributiva, e nunca como vetor de novas e mais profundas desigualdades sociais.

Desse modo, a leitura desta encíclica transcende o debate estritamente teológico para fixar-se como um autêntico tratado de Direito Natural e de preservação da dignidade humana. Diante de uma realidade cada vez mais fragmentada pelo relativismo e pela velocidade das transformações digitais, o documento papal surge como um guia de lucidez e de esperança.

Tenho a impressão de que é uma encíclica que todos devemos ler, crentes ou não, católicos ou de outras convicções, pois ela apresenta os grandes problemas da atualidade, de toda a humanidade, trazendo sugestões muito interessantes para a convivência pacífica e harmoniosa, inclusive na busca de que o bem triunfe sobre o mal.

Vale, pois, a pena ler esse importante documento, que é a Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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