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Drº Rosário Casalenuevo: – A estética facial, agora uma “terra de ninguém”
A estética facial, agora uma “terra de ninguém”
Por: Drº Rosário Casalenuevo –
Sem criticar pessoas e profissionais, escrevo diante de uma reflexão sobre a situação atual dos tratamentos de estética da face. Principalmente toxina butolínica, preenchimento, fio de sustentação, tratamentos de pele, também as plásticas faciais como rinoplastia e lifiting. Não venho me opor às especialidades como a odontologia, a bio-medicina a enfermagem, esteticista, a medicina (dermatologia, otorrinolaringologia, cirurgia plástica, oftalmologia e medicina estética), mesmo porque todas estão autorizadas a trabalhar na face pelos seus conselho reguladores (CFM, CFO, CFE, CFBM).
Venho por aqui mostrar um panorama da situação no Brasil de tantos profissionais de diferentes formações que atuam na mesma região do corpo, que é o rosto, em busca da beleza e muito pouco da saúde.
Conheço meu país e sei que quando ocorre esta situação de popularização, vem junto a competição desregrada, primeiramente da baixa dos preços que para produtos é muito saudável, mas para serviços que dependem da dedicação, da vocação, dos estudos, como consequência acontecerá um desabamento da qualidade podendo acontecer problemas e descontentamentos. Pela cultura do brasileiro (cliente) que gosta de levar vantagem pagando o mínimo que puder e se encorajando a correr riscos, ele acaba se dando mal.
Este é o perfil do paciente no Brasil que busca o imediatismo, modismo e preços baratos, e torna-se um alvo fácil para os tratamentos que visam apenas os lucro, e lógico que com preços abaixo do custo, não tem como fazer com qualidade, e se muita gente faz sem regulação pelos conselhos, o nível cai muito.
Como acontece na ortodontia, onde é feito apenas alinhamento nos dentes da frente passando 3 anos trocando os fios do aparelho sem resultados funcionais algum. Uma situação explícita de comércio.
Por outro lado, os tratamentos da estética da face vêm se especializando. A cirurgia de nariz (rinoplastia) chegou ao padrão ouro, realizada por otorrinos que conhecem e buscam as funções da respiração, e agora se especializaram em plástica facial.
Pálpebras e olhos, por oftalmologistas especializados em cirurgias plásticas de face tornaram-se um padrão de qualidade máxima. Tratamentos de pele e envelhecimento realizados pelo dermatologista, com tratamentos de rugas com cremes e preenchimento. O cirurgião plástico trabalhando a volumização, os fios de sustentação e lifting na pele do rosto. A odontologia onde tem a cirurgia ortognática a ortodontia e os tratamentos estéticos nos dentes. E o que eu defendo é o não uso da ortodontia convencional, que visa apenas alinhar e encaixar os dentes, mas sim a ortodontia funcional, que posiciona os dentes para dar suporte aos músculos da face que definem a estética naturalmente e equilibra as funções. Exemplo: a boca murcha não é causada pela espessura dos lábios, mas a posição dos dentes que com aparelhos ortodônticos podem causar retração, deixando os lábios para dentro e piorar a situação. Caso seja realizado o preenchimento, a estética ficará estranha. O que deve ser feito é suporte dos dentes para ganhar mais volume de lábios.
Vejam que são tantas especialidades, tantos conhecimentos e habilidades diversas que torna-se muito difícil conciliar os tratamentos no que há de melhor para o paciente.
O que acontece hoje é que o profissional acaba por fazendo tudo que está ao seu alcance, mesmo que não tenha habilidade em fazer o que é indicado ou até mesmo desconhece o que é de outra área e mesmo sabendo que deveria indicar prefere manter o paciente no seu domínio realizando assim “camuflagens estéticas”. A ciência evoluiu muito no campo estético, principalmente com equipamentos (tecnologia) e fármacos (cremes, produtos rejuvenescedores), mas existe uma grande deficiência no campo acadêmico, que é o conhecimento funcional da face. Este que é o principal de todos, pois todo nosso corpo foi formado pela natureza esculpido pelas funções. Se as funções da face não estão equilibradas, ou até mesmo semiparalisadas, não vai haver nutrição, tonicidade muscular e ocorrerá uma queda total da face. Aí que vem esta “camuflagem” que é dar a face uma forma de “saudável“ criando definições imitando os músculos que estão caídos. É como fazer preenchimento e lipo para esculpir uma barriga de “tanquinho” por baixo da pele e os músculos abdominais caídos, lógico que não fica bom.
A face possui os mesmos músculos que o corpo e deve ser entendida igual. A face possui funções que devem ser conhecidas pelos profissionais e pacientes, pois assim haverá um tratamento de saúde e não apenas uma imitação de formas bonitas.
Para iniciarmos um debate temos que definir os objetivos destes tratamentos, envolvendo dentes, postura de cabeça, pele, músculos da face, pálpebras, boca, nariz, orelha, mandíbula, maxilar. Tanta coisa, né?
O objetivo é atingir a beleza máxima. Pergunta: O que é um rosto lindo?
Beleza é a harmonia entre as estruturas quando saudáveis. Apenas isto! A definição de beleza é confundida pela imensa maioria como SIMETRIA. Digo que está errado, não é simetria. Trabalho com isto há 30 anos e entre os rostos mais lindos que já vi são assimétricos e encontrei muitas pessoas com essas características que não são exemplo de beleza.
Dou como exemplo o cabelo repartido na cabeça, nunca se busca dividi-lo exatamente no meio, os penteados são propositalmente assimétricos. A boca pode ser feia e simétrica, as bochechas podem serem muito grandes e simétricas. Não me refiro às deformidades que acabam incomodando e chamando atenção quando assimetria mas sim a 90% dos rostos. Lógico que quando se vai fazer algum preenchimento, busca-se deixar os dois lados mais simétricos possível. Como eu trabalho com o tratamento de dores e disfunção de ATM, o que mais dou importância é a simetria não de forma, mas de função que é definida como equilíbrio, um rosto assimétrico possui a boca “manca” no seu movimento. Este problema pode levar a sérias patologias de disfunção da articulação da boca, da coluna cervical, no ouvido, portanto analiso em todos os casos as assimetrias para diagnosticar os desequilíbrios funcionais.
Se beleza é harmonia entre as partes, então a face tem que ser trabalhada com todas as estruturas para se conseguir o melhor. Um nariz grande pode ser adequado para uma face longa e nunca quadrada, e neste rosto alongado, o nariz pode levar toda a culpa quando o queixo esta recuado, e por isto acaba incomodando, sendo o vilão injustamente e para este caso o professional é procurado para fazer rinoplastia e isto pode causar uma catástrofe, deixando no mínimo…esquisito.
A busca da forma é a única opção para a beleza? Se for por este prisma os profissionais da estética não seriam profissionais da saúde. Seriam apenas meros escultores. Já é muita coisa se este escultor for um artista que tem uma noção tridimensional do rosto, dos dentes. Como é um trabalho que aparentemente gera muita procura e lucros, o número de profissionais aumentou absurdamente nestes últimos dez anos. Levando em consideração que ter técnica é obrigação de todos, mas apenas 10% possuem habilidade manual, a arte na veia, visão tridimensional, podemos esperar que estas esculturas feitas no rosto em busca da harmonia entre as partes torna-se mais difícil, ficando artificial e estranha.
E a saúde, onde fica?
Fazer uma escultura pode ser em madeira, argila, pedra, mas o corpo possui vida. Com este “simples detalhe”, a concepção muda consideravelmente quando consideramos a vida. – SUGIRO TIRAR O “CONSIDERAMOS A VIDA” PARA NÃO FICAR REPETITIVO.
Um corpo vivo tem uma diferença infinita de um corpo morto. Por isto a vida é considerada a quinta essência, ou seja, a vida não pertence à terra, ela está em outra dimensão. Exemplo: diante de um corte na carne, o corpo irá regenerar, cicatrizar voltando ao que era. Com apenas duas células, o esperma e o óvulo, formou-se você que está lendo. O organismo faz milagres, se considerarmos isto, vamos entender que o profissional da saúde deverá apenas ajudar o organismo a se curar e induzi-lo ao equilíbrio e nada mais.
O que isto tem relação com a beleza do rosto que é o assunto?
TUDO!!!! O rosto quando está com bochechas, por exemplo, é sinal que a musculatura de toda a face esta caída, sem função, a papada é a queda da língua (músculos caídos e não gordura) que implica em futuros problemas respiratórios e quando tratamos o rosto passa a ganhar definição muscular e a pele fica mais corada e saudável com a circulação sanguínea intensificada de devido ao aumento da tonicidade. Somente vendo os tratamentos realizados para entender.
Os tratamentos de preenchimentos, lifting e plástica da face são realizados devido à queda da musculatura que seria resolvida apenas e unicamente com um tratamento funcional para ativar os músculos faciais. Tudo natural, feito pela mãe natureza!!! Assim fica em harmonia e a beleza fica sublime. Já no tratamento convencional de escultura apenas sem considerar a vida do rosto, torna-se muito artificial e desarmônico. Claro, a natureza faz muito melhor que o homem.
Então a sequência que eu entendo para se realizar um tratamento estético da face, deve começar pelo planejamento anatômico e funcional. Não deve ser apenas estético. Hoje se fala que os otorrinos fazem 70% dos tratamentos de face e alguns já indicam antes para fazer o estudo da ARQUITETURA DA FACE, que estuda as estruturas internas, as alterações funcionais, os dentes, as arcadas, o sorriso o nariz, olhos, papada, ângulos de malar, mandíbula, para depois definir a sequência de tratamento.
Normalmente se começa pele equilíbrio funcional para depois realizar a rinoplastia e por último o preenchimento, fios, lifting, etc. Com o conceito da ARQUITETURA DA FACE, todos os profissionais conseguem se unir nos tratamentos e com isto produzirem a harmonia mais natural e perfeita. Um verdadeiro trabalho em equipe onde cada um atua no que é bom e todos sabendo do PROJETO ARQUITETÔNICO.
Quanto ao tratamento depois da Arquitetura da Face, é definida a sequência dos procedimentos, pois cada um pode influenciar no outro e se perder a referência da harmonia. O nariz será sempre em segundo lugar onde primeiro se devolve as funções do rosto e os preenchimentos e plásticas faciais sempre por último. Esta é a sequência lógica e coerente, a Arquitetura da Face é um regulador, direcionador dos procedimentos, podendo utilizar uma equipe de profissionais padrão ouro para a realização dos procedimentos, a rinoplastia realizada pelo especialista, a blefaroplastia (pálpebras) por outro, o equilíbrio funcional dos músculos por outro e por fim a estética facial. Formando uma equipe vamos ter sempre os melhores resultados. Considerando que o rosto é a maior riqueza que temos.
Quem é você? Você se identifica com o rosto que possui, pessoas que infelizmente perderam parte do rosto devido a cirurgias oncológicas, perdem a identidade e se retiram da sociedade.
Você é seu rosto!
Acredito que este é o futuro, onde os pacientes irão procurar fazer o projeto antes de realizar qualquer procedimento. Não mais com um profissional como clínico geral, mas com os profissionais em equipe realizando os procedimentos em uma sequência lógica onde o paciente participa das escolhas dos tratamentos e profissionais. Como a construção de uma casa, para se unir todos os trabalhos deve se ter um projeto arquitetônico com base estrutural, funcional e estética com a sequência de execução por profissionais especializados. Assim vamos ter uma casa bela com harmonia e não simetria.
Drº Rosário Casalenuovo Júnior, é Diretor Clínico do Instituto Machado de Odontologia – Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT); Co-autor do livro Cirurgia Ortognática e Ortodôntica; Presidente da ABOR-MT (Associação Brasileira de Ortodontia – SEC.MT); Membro da Academia Libero-Latino-Americana de Disfunção Crâneo-mandibular e Dolor Facial; Membro da Academia Libero Latino Americana de Estética Médica e Interdisciplinar. Especialista em: Ortondontia (Bioprogressiva e Arco reto); Ortopedia Funcional dos Maxilares Dor Orofacial e Disfunção de ATM; Formação no Conceito Castillo Morales de Reabilitação; Autor do Conceito Arquitetura da Face; Autor do Conceito Ortodontia Funcional e Estética.
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Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?
Autor: Luis Carlos Marques Fonseca* –
A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.
A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.
Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.
Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.
As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.
Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.
*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).
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