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Artigo

Cálculos renais, dos sintomas ao tratamento

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Autor: Daniel Pires Vaz*

Os cálculos renais, também conhecidos como pedras nos rins, são depósitos de substâncias presentes na urina. Eles podem variar em tamanho, número e densidade, além de poder causar desconforto significativo quando passam pelos ureteres (os ‘canudinhos’ que transportam a urina dos rins para a bexiga).

A doença calculosa dos rins pode se formar por uma variedade de razões, incluindo: desidratação, dieta rica em certos alimentos (como sódio, proteínas animais, refrigerantes), histórico familiar, condições médicas subjacentes (como gota, doença inflamatória intestinal, pós-bariátrica ou distúrbios metabólicos) e até certos medicamentos.

Os cálculos podem ser desde assintomáticos até a apresentação de cólica renal, que cursa com dor intensa no flanco ou abdominal, dor ao urinar, presença de sangue na urina, urgência miccional e náuseas ou vômitos.

Quanto ao diagnóstico, geralmente é feito com exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou radiografia simples, e análise da urina para detectar a presença de sangue ou cristais.

O tratamento dos cálculos renais depende do tamanho, localização e gravidade dos sintomas. Opções de tratamento podem incluir desde observação de hidratação, medicações para aliviar a dor e facilitar a passagem das pedras e, em última situação, procedimentos minimamente invasivos para quebrar ou remover os cálculos. Hoje em dia a cirurgia aberta é prescrita para o tratamento da calculose renal, graças ao desenvolvimento de tecnologias e materiais menores e menos traumáticos.

Prevenção

Até 50% dos pacientes que tiveram um cálculo renal vão ter outro em 5 anos se não fizerem um tratamento preventivo. Medidas que servem para a maioria dos pacientes com cálculos são aumentar a ingesta hídrica, com o objetivo de o paciente urinar mais de 2 litros por dia. Para isso, pode-se verificar a cor da urina. Ela deve estar bem clara, quase transparente. Se a urina estiver amarelada é sinal que mais água deve ser ingerida.

Evite excesso de sódio na alimentação e controle a ingestão de proteínas animais também. Pacientes que têm muitas infecções de urina devem ser investigados com atenção especial.

Nos pacientes de alto risco há necessidade de introdução de algum tratamento farmacológico para prevenir a recorrência das pedras, a depender dos minerais que compõe o cálculo e das alterações metabólicas identificadas.

Possíveis complicações

Quando o paciente tem a cólica renal significa que o rim está entupido por um cálculo no ureter ou na pelve renal. Isso além de causar muita dor aumenta riscos de infecção urinária grave, insuficiência renal e risco de perda de função definitiva do órgão.

Prognóstico

Os cálculos renais são altamente tratáveis e preveníveis. Entretanto, um cálculo renal não tratado pode causar alterações renais irreversíveis, podendo levar até a perda definitiva da função renal.

Uma boa parte dos cálculos é eliminada espontaneamente, mas em cerca de 20% dos casos são necessários tratamento medicamentoso ou cirúrgico.

Assim, se uma pessoa descobre que tem um cálculo renal, deve procurar um urologista para definir o melhor tratamento a ser instituído.

*Dr. Daniel Pires Vaz é urologista e integra a equipe da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde, em Várzea Grande (MT).

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Artigos

O Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia

Publicados

em

Autor: Ives Gandra da Silva Martins*

Ciência, ética e fé: a encíclica Magnifica humanitas como um guia para o bem comum

A Encíclica Magnifica humanitas (em português: Magnífica humanidade), primeiro documento papal de Leão XIV, publicada em maio deste ano, deve ser lida não só por nós, católicos, mas por todos aqueles que realmente se interessam pela evolução do gênero humano.

O documento pontifício mostra, em primeiro lugar, que para a Igreja não há incompatibilidade entre a ciência e a religião. O texto faz uma menção direta e profunda à Encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), de Leão XIII, publicada em 1891, que debateu a grave situação dos trabalhadores gerada pela Revolução Industrial, propondo uma via que rejeitava tanto os excessos do capitalismo quanto as propostas do socialismo. Considero que o primeiro grande documento a apresentar soluções de convivência entre a liberdade econômica e a justiça social foi a referida encíclica e não os livros daqueles autores do século XIX que propugnavam a luta de classes.

As diversas encíclicas escritas a partir da Rerum Novarum revelam como a Igreja tem demonstrado compatibilidade e preocupação não só com o ser humano em sua relação com Deus, mas também com o papel de cada indivíduo na convivência com seus semelhantes.

G. K. Chesterton (1874–1936), escritor inglês e defensor da fé e da tradição católica, dizia que nós não vemos o plano de Deus porque estamos do lado de trás de uma tapeçaria, vendo apenas a cordoalha (o avesso da tapeçaria) que lá existe. Mas Deus está vendo o desenho que fez para cada um de nós, a beleza da tapeçaria que está à frente d’Ele.

O que a Encíclica Magnifica humanitas procura mostrar sintetiza-se em três pontos: os desafios contemporâneos da sociedade; a plena compatibilidade entre a ciência e a religião; e, finalmente — sendo este o aspecto mais relevante —, os dilemas trazidos pela inteligência artificial.

O documento pondera tanto os seus benefícios quanto o risco de sua exploração negativa contra a humanidade, alertando especificamente para o perigo de a tecnologia anular o discernimento moral e desumanizar as relações de trabalho, assim como a Revolução Industrial ameaçou o operariado na época da Rerum Novarum. Mostra, enfim, que devemos aprender a utilizar essa poderosa ferramenta tecnológica para o bem comum, protegendo o gênero humano de seus efeitos nocivos.

Ao traçar esse paralelo histórico, o Sumo Pontífice nos recorda que o progresso técnico, isolado de uma sólida moldura ética, tende a converter o ser humano em mero insumo produtivo. Se no século XIX a máquina a vapor ameaçava subjugar a força física do operário, no alvorecer deste milênio os algoritmos e os sistemas autônomos colocam em xeque a própria singularidade do intelecto e do livre-arbítrio.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não se reveste de um teor de oposição à tecnologia; ao contrário, ela nos convoca a resgatar a primazia da pessoa humana sobre a técnica, assegurando que a inteligência artificial sirva como instrumento de emancipação e de justiça distributiva, e nunca como vetor de novas e mais profundas desigualdades sociais.

Desse modo, a leitura desta encíclica transcende o debate estritamente teológico para fixar-se como um autêntico tratado de Direito Natural e de preservação da dignidade humana. Diante de uma realidade cada vez mais fragmentada pelo relativismo e pela velocidade das transformações digitais, o documento papal surge como um guia de lucidez e de esperança.

Tenho a impressão de que é uma encíclica que todos devemos ler, crentes ou não, católicos ou de outras convicções, pois ela apresenta os grandes problemas da atualidade, de toda a humanidade, trazendo sugestões muito interessantes para a convivência pacífica e harmoniosa, inclusive na busca de que o bem triunfe sobre o mal.

Vale, pois, a pena ler esse importante documento, que é a Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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