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Antonio Roque Dechen: Educação e Respeito
Educação e Respeito
Por Antonio Roque Dechen
No penúltimo final de semana, 5,8 milhões de candidatos realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), 1,9 milhão de inscritos não compareceram. Realmente uma mobilização nacional, pois além da tensão dos candidatos, tem a torcida dos familiares e amigos, estão em jogo ideais e projetos de vida, após vários anos de preparação, todos almejam uma vaga nas universidades e a realização de seus sonhos.
Neste provão, chamou-nos a atenção a questão com uma charge na qual o Dr. Ricardo pergunta ao seu cliente: "Porque o Dr. Desconfia que sua mulher tá tentando matá-lo?" A resposta: "Ela me serviu, pimentão, alface e tomate no jantar, e de sobremesa morango e uva". Na charge há uma crítica ao processo produtivo agrícola brasileiro levando a resposta a alternativa: uso de agrotóxicos nas plantações.
No Brasil os defensivos agrícolas, que são utilizados mundialmente, para proteger as plantações das pragas e doenças e que necessariamente tem que ser analisados e aprovados por três ministérios: da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde, por meio da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Estes produtos tem que ser recomendados por um profissional qualificado para tal.
Certamente, centenas dos estudantes que estavam realizando o ENEM, tinham como opção um curso da área de Ciências Agrárias, e os candidatos de todas as áreas, aguardam a aprovação para a realização do curso de sua escolha. Na finalização dos cursos superiores os formandos fazem o solene juramento de respeito e defesa de toda a comunidade.
É lamentável o desrespeito aos profissionais da área de Ciências Agrárias embutido na charge referente a questão do ENEM. Um sistema de avaliação tem que primar pelo aspecto positivo da formação profissional. Educar é respeitar.
Antonio Roque Dechen, Presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, Presidente da Fundação Agrisus e Membro do Conselho do Agronegócio (COSAG-FIESP).
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Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?
Autor: Luis Carlos Marques Fonseca* –
A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.
A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.
Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.
Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.
As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.
Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.
*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).
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