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OPINIÃO

A pecuária no Brasil e na Colômbia: oportunidades e desafios globais

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Autor: João Antônio Fagundes Neto*

A pecuária ocupa um papel central no abastecimento mundial de alimentos e na economia global, mas ainda é um setor frequentemente subestimado em sua importância estratégica. O recente debate realizado durante palestra virtual promovida pela FEDEGAN (Federação Colombiana dos Pecuaristas, ou “Ganaderos” em espanhol) em parceria com Almagán e Saenz Fety destacou as diferentes realidades de Brasil e Colômbia, apontando caminhos para o fortalecimento da atividade em ambos os países.

A Colômbia, internacionalmente reconhecida pela produção de café e rosas, busca ampliar sua presença no mercado pecuário. O país conta atualmente com cerca de 29,5 milhões de cabeças de gado distribuídas em 620 mil propriedades rurais, o que corresponde por 6% do PIB agropecuário. Apesar da relevância dos números, o desfrute do rebanho é de 40% do brasileiro, em torno de 25 mil toneladas equivalente carcaça (TEC) por milhão de cabeças, ao passo que o nosso é de 60 mil TEC/ milhão de cabeças. Esse quadro evidencia o vasto espaço para crescimento por meio da adoção de tecnologias em genética, manejo de pastagens, suplementação e saúde animal.

No Brasil, a realidade é distinta. Com um rebanho de quase 194 milhões de cabeças, o país figura como o segundo maior produtor mundial de carne bovina, somando 11,8 milhões de toneladas em 2024, próximo de ultrapassar a produção estadunidense, de 12,3 milhões de toneladas. A pecuária de corte, segundo o Beef Report 2024 (ABIEC) representa 8% do PIB total e sustenta uma cadeia complexa, com atividades antes e além da porteira. Para cada R$ 1,00 de venda realizada pelos pecuaristas aos frigoríficos, R$ 4,00 estão nos outros elo como insumos, logística e distribuição. O tamanho da Pecuária de Corte no Brasil é equivalente ao do setor de Turismo, todavia há um Ministério do Turismo e raramente a pecuária é tratada com igual importância estratégica.

Nas próximas décadas, deve-se aumentar ainda mais a demanda por proteína animal, impulsionadas pelo crescimento populacional, urbanização e aumento da renda per capita especialmente nos países em desenvolvimento, o que continuará incorporando um enorme contingente de população que antes não dispunha de renda para consumir proteína, especialmente a bovina. No entanto, do lado da oferta, o setor lidará com restrições importantes, como a redução das áreas de pastagem e as exigências ambientais. A intensificação tecnológica se apresenta como o caminho inevitável. Sistemas extrativistas produzem de 1 a 3 arrobas por hectare, enquanto modelos intensivos podem chegar a 38 arrobas. A média do Brasil está por volta de 5 arrobas por hectare. O investimento em nutrição, sementes, fertilizantes e medicamentos será maior, mas o retorno econômico e a sustentabilidade também crescerão.

O ciclo pecuário, por sua vez, mostra que o mundo entra em uma fase de alta de preços. A oferta global de carne bovina é restrita em 2025, enquanto a demanda interna e as exportações seguem em ritmo recorde. Esse movimento deve elevar os preços da reposição, estimular a retenção de fêmeas e reduzir a oferta de animais para abate. No Brasil, os indicadores vem apontando abates e produção de carne em níveis recordes, mas preços acima de R$ 300/@.

A experiência do Grupo Raça Agro ilustra a capacidade de adaptação exigida pelo setor. Após um ciclo de 2022 a 2024 desafiador, marcado pela queda no preço do boi gordo, a companhia reestruturou passivos e redesenhou estratégias de gestão. O resultado foi a transformação de um cenário de crise em oportunidade, com projeção de faturamento próximo a R$ 400 milhões neste ano.

Diante desse panorama, Brasil e Colômbia não devem ser vistos como concorrentes, mas como parceiros estratégicos. O intercâmbio técnico realizado recentemente com Bogotá demonstra o potencial de cooperação em sementes forrageiras e práticas de manejo, fortalecendo a pecuária regional frente às exigências globais.

O futuro do setor será definido pela capacidade de produzir mais com menos, conciliando eficiência econômica e sustentabilidade ambiental. A Colômbia desponta como mercado promissor, enquanto o Brasil reforça sua posição de liderança. A integração entre os dois países pode ser de valiosa contribuição para a pecuária mundial, sobretudo ao se levar em conta que o futuro da pecuária é tropical.

*João Antônio Fagundes Neto é CEO do Grupo Raça Agro e especialista do mercado pecuário

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Artigos

Dia 1º de janeiro de 2027: seis mudanças tributárias que exigem atenção

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Autora: Wanessa Zagner*

Durante muito tempo, falar sobre Reforma Tributária significou discutir um cenário que ainda parecia distante. Essa percepção já não é mais possível. O dia 1º de janeiro de 2027 representa uma das principais viradas do período de transição para o novo sistema tributário brasileiro.

Embora 2026 funcione, em grande medida, como um ano de teste e adaptação para IBS e CBS, 2027 traz mudanças efetivas capazes de impactar formação de preços, contratos, créditos tributários, fluxo de caixa, sistemas internos e decisões estratégicas das empresas.

A primeira grande mudança é a entrada efetiva da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá a tributação federal hoje concentrada em PIS e Cofins. Para 2027 e 2028, a legislação prevê a cobrança da CBS pela alíquota de referência, com redução de 0,1 ponto percentual.

A segunda é justamente a extinção do PIS e da Cofins. Não se trata apenas da troca de nomes de tributos. A CBS integra uma nova lógica de tributação sobre o consumo, o que exige das empresas uma revisão cuidadosa da forma como apuram tributos e créditos e estruturam suas operações.

A terceira mudança é o avanço do IBS. Em 2027 e 2028, o imposto será cobrado à alíquota total de 0,1%, dividida entre estados e municípios. É o início de uma transição que, nos anos seguintes, avançará gradualmente até substituir ICMS e ISS.

A quarta mudança é a redução a zero do IPI para a grande maioria dos produtos. A exceção envolve produtos relacionados à preservação da competitividade da Zona Franca de Manaus. Para setores industriais, essa alteração precisa ser analisada em conjunto com a entrada dos novos tributos e seus efeitos sobre a cadeia produtiva.

A quinta é a entrada em vigor do Imposto Seletivo. O novo tributo federal foi criado para incidir sobre determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Dependendo do setor econômico, seu impacto poderá atingir não apenas a carga tributária, mas também preços, margens e decisões comerciais.

A sexta mudança talvez seja menos visível, mas não menos importante: a consolidação de novas obrigações e rotinas fiscais relacionadas ao IBS e à CBS. A partir de 2027, por exemplo, determinadas pessoas físicas contribuintes da CBS passam a ter obrigação de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais, conforme regulamentação publicada em 2026. O novo sistema exigirá adaptação tecnológica, cadastral, contábil e documental dos contribuintes.

Para grandes empresas, entretanto, a discussão não pode se limitar a saber quais tributos deixam de existir e quais entram em seu lugar. É preciso avaliar como a nova estrutura afetará contratos vigentes, cadeias de fornecedores, aproveitamento de créditos, políticas comerciais, formação de preços, margens e fluxo de caixa. Uma operação economicamente eficiente sob o sistema atual não necessariamente produzirá o mesmo resultado sob a nova lógica tributária.

Por isso, considero que 2027 não começa em janeiro. Para empresas com operações complexas, contratos de longo prazo e estruturas societárias relevantes, ele já começou. Os próximos meses devem ser utilizados para simulações, revisão contratual, adequação de sistemas e, principalmente, planejamento. A Reforma Tributária será implementada gradualmente, mas as decisões empresariais necessárias para atravessá-la não podem ser deixadas para a última hora.

Quando a mudança tributária chega ao caixa da empresa, o tempo para planejar já passou.

*Wanessa ZagnerAdvogada Tributarista da ZR Advogados

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