Artigo
A importância da microbiologia e o uso de antibióticos!
Autora: Cristiane Coimbra* –
Imagine um mundo minúsculo, invisível aos nossos olhos, mas que está por toda parte: no ar que respiramos, na comida que comemos, na nossa pele e até dentro do nosso corpo. Esse é o mundo dos micróbios! A microbiologia é a ciência que estuda esses seres pequeninos, como bactérias, vírus e fungos. E acredite, eles são muito importantes para a nossa vida.
Muitos desses microrganismos são do bem: ajudam na digestão, protegem nosso corpo de doenças e até participam da fabricação de alimentos deliciosos como pães e iogurtes. Mas, assim como nos filmes, também existem os “vilões” – germes que podem nos deixar doentes, causando desde um simples resfriado até infecções mais graves.
Aí entram em cena os nossos “super-heróis”: os medicamentos antimicrobianos, como os famosos antibióticos. Eles foram uma descoberta incrível! Antes deles, uma infecção que hoje tratamos com facilidade poderia ser fatal. Graças a esses medicamentos, cirurgias se tornaram mais seguras e muitas vidas foram salvas. Podemos dizer que eles revolucionaram a medicina e nos deram mais saúde e tempo de vida. O problema é que, como todo super-herói que é usado demais ou de forma errada, os antimicrobianos podem perder a força. E a culpa, muitas vezes, é nossa.
Sabe quando você toma um antibiótico para uma dor de garganta que o médico disse que era viral (e antibiótico só funciona contra bactéria)? Ou quando para de tomar o medicamento assim que se sente um pouquinho melhor, sem completar o tratamento indicado pelo doutor? Ou pior, quando pega aquele antibiótico que sobrou na caixinha do vizinho?
Essas atitudes parecem inofensivas, mas são um prato cheio para o surgimento das “superbactérias”. Funciona assim: quando usamos um antibiótico, ele mata as bactérias causadoras da doença. Mas, se usamos de forma errada (dose baixa, tempo curto ou sem necessidade), algumas bactérias mais “espertinhas” e resistentes podem sobreviver. Essas sobreviventes se multiplicam e aprendem a se defender daquele medicamento. O resultado? O antibiótico que antes funcionava, agora não faz mais efeito contra elas.
Essas bactérias que ficam superpoderosas e resistentes aos medicamentos são o que chamamos popularmente de “superbactérias”. E o perigo é real: infecções que eram simples de tratar podem se tornar muito difíceis, demoradas, caras e, infelizmente, até levar à morte. É como se nossos super-heróis perdessem seus poderes contra os vilões mais fortes.
A boa notícia é que todos nós podemos ajudar a evitar que isso aconteça. Com atitudes simples, você protege a sua saúde, a da sua família e a de toda a comunidade: Só use antibióticos com receita médica: Nada de se automedicar ou pedir dica para o vizinho. O médico é a única pessoa que pode dizer se você realmente precisa de um antibiótico e qual é o certo para o seu caso. Lembre-se: antibióticos não curam gripes e resfriados (que geralmente são causados por vírus).
Siga o tratamento à risca: Tome o medicamento exatamente como o médico receitou – na dose certa, nos horários certos e pelo tempo determinado, mesmo que você já esteja se sentindo melhor antes. Interromper o tratamento antes da hora é dar chance para as bactérias mais fortes sobreviverem.
Nunca compartilhe seus antibióticos: O medicamento que serviu para você pode não ser o ideal para outra pessoa, mesmo que os sintomas pareçam iguais. Além disso, você pode estar contribuindo para o problema da resistência.
Não pressione o médico por antibióticos: Confie no diagnóstico do profissional. Se ele não receitou um antibiótico, é porque provavelmente não é necessário.
Prevenir é o melhor remédio: Mantenha a higiene em dia! Lavar as mãos com frequência com água e sabão é uma das formas mais eficazes de evitar infecções.
Vacine-se: As vacinas nos protegem de muitas doenças causadas por bactérias, diminuindo a necessidade de usar antibióticos. Mantenha sua carteirinha de vacinação e a de seus filhos atualizada.
A microbiologia nos deu ferramentas poderosas para cuidar da nossa saúde. Os antimicrobianos são verdadeiros presentes na ciência. Cabe a nós usá-los com sabedoria e responsabilidade, para que continuem sendo nossos aliados na luta contra as doenças. Cuidar bem dos nossos “super-heróis” é garantir um futuro mais saudável para todos!
*Cristiane Coimbra de Paula é Farmacêutica Bioquímica formada pelo Unicenp (Curitiba/PR). Possui especialização em Microbiologia e Mitologia pela PUC-PR e em Docência do Ensino Superior pela Univag (Várzea Grande/MT). É mestre em Ciências da Saúde pela UFMT (Cuiabá/MT) e doutora em Biociência Animal pela UNIC (Cuiabá/MT). Atua como microbiologista no Laboratório Carlos Chagas – Grupo Sabin, e é docente no curso de Medicina da Univag.
Artigos
Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase
Autora: Adriana Costa* –
Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.
Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.
Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.
Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.
Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.
Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.
Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.
Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.
*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT.
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