ACABOU A PACIÊNCIA
União Brasil vive tensão interna em MT e deputados pressionam por definição eleitoral para 2026
A crescente insatisfação de deputados estaduais do União Brasil (UB) em Mato Grosso levou a bancada a discutir a elaboração de uma “carta formal”, assinada coletivamente, para exigir da direção estadual do partido a convocação imediata de uma reunião ainda neste mês de janeiro, com o objetivo de definir os rumos da sigla para as eleições de 2026, diante da ausência de decisões claras sobre candidaturas majoritárias, chapas proporcionais e alianças políticas.
O movimento ocorre em meio à avaliação, feita pela atual cúpula partidária, de que o debate eleitoral só deve avançar após a saída do governador Mauro Mendes do comando do Executivo Estadual, prevista para o início de abril, quando ele deverá oficializar sua pré-candidatura ao Senado. Para os parlamentares, a estratégia é vista como tardia e prejudicial ao planejamento eleitoral.
Nos bastidores e corredores palacianos, os deputados estaduais pelo União Brasil (UB), relatam sentir-se relegados a um papel secundário dentro do partido, que hoje estaria excessivamente concentrado nas decisões do grupo político ligado ao governador. A queixa central é a falta de diálogo institucional e de espaços formais para discussão, especialmente em um momento em que outras legendas já avançam na organização de seus projetos eleitorais.

Entre os pontos considerados urgentes está a definição sobre a disputa majoritária. O União Brasil precisa decidir se lançará candidatura própria ao Governo do Estado, com o nome do senador Jayme Campos, ou se apoiará de forma definitiva o vice-governador Otaviano Pivetta, filiado ao Republicanos.
A indefinição, segundo deputados, dificulta alianças e trava negociações nos municípios.
Outro fator que amplia a pressão interna é a formação das chapas proporcionais para deputado estadual e federal. Parlamentares avaliam que o processo está atrasado e alertam que a falta de clareza pode comprometer tanto a manutenção de quadros atuais quanto a atração de novos nomes competitivos, especialmente com a proximidade do prazo final da janela partidária, que se encerra em março.
A situação ganha ainda mais complexidade com a Federação firmada nacionalmente entre União Brasil e Partido Progressistas (PP), o que exigirá uma composição conjunta das chapas. Deputados defendem diálogo imediato com a nova direção estadual do Partido Progressista (PP), presidida por Nilson Leitão, para evitar conflitos e sobreposições de candidaturas que possam enfraquecer o desempenho eleitoral da Federação em Mato Grosso.

Internamente, a avaliação é de que a força institucional do União Brasil no Estado, que saiu das eleições municipais de 2024 como a sigla com maior número de prefeitos eleitos, contrasta com a lentidão nas articulações para 2026. Para parte da bancada, o tempo político já começou a correr, e a ausência de decisões estratégicas representa um risco real de perda de protagonismo.
A leitura predominante entre os deputados do União Brasil (UB), é de que a paciência começa a se esgotar e que a discussão eleitoral não poderá mais ser postergada. A eventual formalização da carta à direção estadual simboliza um recado claro: o debate sobre 2026 precisa sair dos bastidores e ganhar centralidade na agenda partidária ainda neste início de ano.
Política
PL em Mato Grosso endurece discurso, abre análise sobre infidelidade e prevê “depuração” entre filiados
Nesta quarta-feira (2), durante entrevista concedida na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT), o presidente estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, elevou o tom contra integrantes da legenda que declararam apoio a candidatos de outras siglas nas eleições. O dirigente afirmou que o partido deverá passar por um processo de “depuração” e indicou que casos considerados incompatíveis com as diretrizes da sigla poderão ser submetidos a análise interna.
Embora não tenha citado nominalmente o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao formular as críticas, Ananias Filho se referiu ao movimento de lideranças do PL que passaram a apoiar projetos políticos vinculados a outras legendas. Segundo o presidente estadual, a situação envolve filiados que, mesmo permanecendo formalmente no partido, decidiram manifestar apoio a candidaturas diferentes daquelas oficialmente defendidas pela sigla.
Entre os nomes mencionados durante a entrevista estão a Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e os prefeitos Cláudio Ferreira de Rondonópolis, e Sérgio Machnic de Primavera do Leste. De acordo com Ananias Filho, os integrantes do PL já declararam apoio ao projeto político de Otaviano Pivetta, apontado como candidato ao Governo de Mato Grosso pelo Republicanos, em posição divergente da candidatura defendida pelo Partido Liberal, representada por Wellington Fagundes.
O presidente estadual afirmou que não considera ilegítimo que um filiado tenha posicionamentos políticos próprios ou discorde das decisões tomadas pela legenda. No entanto, criticou aqueles que, após utilizarem a estrutura partidária para conquistar mandatos eletivos, passam a apoiar outros projetos políticos sem promover o desligamento formal do partido.

Para o comandante estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, a coerência política exige uma definição clara diante de divergências consideradas irreconciliáveis.
“Eu só acho ruim a pessoa não ter hombridade de chegar no partido e falar: ‘Olha, eu vou me afastar do partido, eu vou me desfiliar do partido e vou apoiar outro candidato’”, declarou o dirigente.
A manifestação reforçou o endurecimento do discurso da direção estadual do PL diante de lideranças que permanecem nos quadros partidários, mas adotam posições eleitorais contrárias às orientações defendidas pela sigla.
Ananias Filho acrescentou que integrantes que receberam apoio partidário e utilizaram a estrutura da legenda durante campanhas eleitorais deveriam, em sua avaliação, demonstrar lealdade ao partido ao decidirem seguir outro caminho político.
Segundo ele, os recursos empregados pelas legendas possuem natureza pública, embora sejam destinados aos partidos conforme as regras do sistema eleitoral, o que, em sua visão, aumenta a responsabilidade dos beneficiados.
“Quem usa o partido pode até discordar do rumo que o partido está dando. Mas ele que usou toda a estrutura do partido, recebeu recurso público, que é público, mas que é destinado, por delegação, aos partidos, deveria ter hombridade”, afirmou.
A declaração sintetiza a posição da direção estadual, que pretende examinar a conduta de filiados envolvidos em situações classificadas internamente como possíveis casos de Infidelidade Partidária.
O Partido Liberal enfrenta, em Mato Grosso, um movimento de afastamento político de lideranças relevantes que decidiram apoiar Otaviano Pivetta, mesmo diante da possibilidade de medidas disciplinares. O cenário expõe uma disputa interna sobre os limites da autonomia das lideranças locais e a obrigação de alinhamento às decisões eleitorais adotadas oficialmente pela estrutura partidária estadual.
Com a instauração dos procedimentos internos, as possíveis expulsões e outras medidas disciplinares passarão por análise jurídica e partidária. O processo deverá avaliar, individualmente, as circunstâncias de cada caso e a eventual existência de elementos que justifiquem punições, de acordo com as normas internas da legenda e os instrumentos jurídicos aplicáveis à situação.
Apesar do tom mais rígido adotado durante a entrevista, Ananias Filho declarou à imprensa que considera natural a saída ou o afastamento político de integrantes em determinados momentos.
Ao resumir sua avaliação sobre a debandada de lideranças, utilizou uma comparação direta:
“Isso é igual unha encravada, todo ano tem”.
A frase evidenciou que, para o presidente estadual do PL, o processo de reorganização interna faz parte da dinâmica recorrente da política e deverá prosseguir com a anunciada “depuração” dos quadros partidários.
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