DENÚNCIA CONTRA EMPRESAS DE FRAUDAR CARTÃO
Sindicatos acionam Banco Central contra fraudes em 11 empresas do “cartão benefício consignado”
Seis sindicatos e a Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP/MT) protocolaram, nesta sexta-feira (29), uma reclamação formal ao Banco Central do Brasil (Bacen) referente a 11 empresas que ofertam crédito travestido de “cartão benefício consignado” aos servidores estaduais.
Uma dessas empresas, a PIX CARD Serviços Tecnológicos e Financeiros, consta na lista de instituições denunciadas durante operação nacional da Polícia Federal (PF), realizada ontem (28), por serem usadas para lavar dinheiro para facções criminosas.
A reclamação dos sindicatos tem como alvo, além da PIX CARD, as seguintes empresas: Meucashcard Serviços Tecnológicos e Financeiros; Clickbank Instituição de Pagamento – CB Digital; Taormina Soluções Financeiras; Bemcartões Benefícios; Neo Crédito; MettaCard Administradora de Cartões; Nio Meios de Pagamento; ABCCARD Cartões; VEMCARD Participações; e MTX CARD.

Conforme a representação das entidades, essas empresas vêm atraindo servidores com propostas de “saques facilitados”, aprovação simplificada, prazos flexíveis e taxas aparentemente reduzidas, mas, na prática, estariam operando como instituições de crédito clandestinas, sem o devido registro no Sistema de Controle de Registro (SCR) e à margem da supervisão do Bacen.
“Essas operações configuram práticas abusivas e podem comprometer a integridade do Sistema Financeiro Nacional, por isso solicitamos medidas cautelares para suspender imediatamente os credenciamentos e lançamentos em folha realizados por empresas que atuam sem autorização da autoridade reguladora“, destacam os advogados Pedro Taques e Murilo Gonçalves, do escritório AFG & Taques.
Lista de irregularidades identificadas: não ter autorização obrigatória do Bacen para atuar no mercado de crédito consignado; vender empréstimos disfarçados de cartões de benefício (sem transparência); promover “telesaques” e saques consignados com juros embutidos lançados diretamente na folha de pagamento; não fornecer cópias de contratos nem disponibilizam cartão físico, virtual ou rede credenciada de benefícios; deixar de registrar as operações no SCR (Registrato), dificultando o acompanhamento do endividamento dos consumidores; criar publicidade enganosa que induz servidores a erro.
O levantamento realizado pelas entidades sindicais aponta que cerca de 10 mil servidores públicos podem ter sido impactados pelas práticas descritas.

Com o objetivo de resguardar os direitos dos servidores, a representação faz os seguintes pedidos ao Bacen: suspensão imediata do credenciamento e lançamento consignado dessas empresas; notificação ao governo estadual sobre a abertura do processo apuratório; compartilhamento de informações com o MPF e a Receita Federal para possível investigação de crimes financeiros e sonegação fiscal.
Entre as entidades denunciantes estão: FESSP-MT, Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig-MT); Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep-MT); Sindicato dos Servidores da Carreira de Desenvolvimento Econômico e Social (Sindes-MT); Sindicato dos Profissionais do Meio Ambiente (Sintema); Sindicato dos Trabalhadores da Educação Superior (Sintemat); e Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-MT).
Advocacia investigativa
Essa denúncia vem na esteira de uma série de representações coletivas apresentadas pelos sindicatos e a federação nos últimos quatro meses, por meio do escritório AFG & Taques, compreendendo as seguintes instituições: Seplag e Desenvolve-MT, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Banco Central e Tribunal de Contas do Estado.
O advogado Pedro Taques frisa que a prerrogativa de investigar dos advogados é regida pelo Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94), especialmente nos artigos 6º e 7º, e o Provimento nº 188/2018 da OAB.
“Nosso escritório tem feito um trabalho investigativo em relação aos consignados, buscando resguardar os direitos dos servidores e ainda chegar aos responsáveis pelas fraudes“.
Política
Clima tenso e ainda de forte disputa interna pelo Palácio Paiaguás
O presidente do Diretório Estadual do União Brasil em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes, oficializou a convocação da Convenção Estadual da agremiação para o dia 4 de agosto de 2026. A escolha da data, que ocorre estrategicamente na véspera do prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização dos eventos partidários, reflete o cálculo político da cúpula da legenda diante do cenário de extrema polarização interna e da necessidade de costuras de última hora na região.
A definição do calendário eleitoral pelo comando do partido ocorreu na capital do Estado de Mato Grosso, por meio de publicação oficial editada no Diário Eleitoral. O anúncio formal da data consolidou a realização do encontro decisivo na sede da própria agremiação política, estabelecendo o epicentro das deliberações em um espaço controlado pela direção, o que intensificou as articulações nos bastidores entre as principais lideranças locais.
A deliberação tardia atende à imperiosa necessidade de gerenciar uma intensa crise que cinde a legenda entre o apoio a um projeto governamental continuísta ou a consolidação de uma candidatura própria ao Poder Executivo Estadual. O arranjo cronológico imposto pela presidência adia o desfecho da disputa, evitando um racha prematuro e forçando o amadurecimento das negociações antes que os prazos legais de registro inviabilizem as composições majoritárias.
O evento partidário em Mato Grosso destina-se formalmente a homologar as candidaturas majoritárias de: governador, vice-governador e senador, além de definir a composição das chapas proporcionais para deputados federais e estaduais e o sorteio dos números eleitorais.

Contudo, o objetivo político subjacente e primordial da reunião é pacificar a séria dissidência ideológica e estratégica que ameaça a unidade do partido no principal colégio eleitoral do Centro-Oeste.
A convocação oficial foi formalizada por meio de um edital de convocação rigorosamente publicado na imprensa oficial do estado e nos canais de comunicação partidária, conferindo plena segurança jurídica ao ato. A publicidade institucional cumpre as exigências estatutárias e os ritos estipulados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), blindando as futuras decisões de eventuais questionamentos judiciais que poderiam ser propostos por alas descontentes.
O cronograma estabelecido pela Executiva prevê que os trabalhos deliberativos terão início pontualmente às 17h, estendendo-se por apenas uma hora, com encerramento programado para as 18h do mesmo dia. Essa curta janela de tempo demonstra que o grupo político governante pretende submeter à plenária uma proposta pré-formatada e amplamente negociada, minimizando o espaço para debates improvisados ou tumultos durante a votação.
O acirramento dos ânimos decorre da insistência do senador Jayme Campos em pleitear sua indicação ao Palácio Paiaguás, enquanto a ala liderada pelo cacique numero 1 do União Brasil (UB), Mauro Mendes, preconiza o alinhamento e o apoio irrestrito à reeleição do atual governador, Otaviano Pivetta, do Republicanos.
Essa divergência programática expõe visões distintas sobre a hegemonia política no estado, contrapondo o desejo de protagonismo partidário tradicional à manutenção de uma aliança técnica e pragmática de poder.
O Senador Jayme Campos fundamenta sua contestação na premissa de que as bases partidárias e a militância histórica devem ser consultadas, argumentando enfaticamente que a legenda não possui proprietários e deve respeitar quem a construiu. O parlamentar atua de maneira incisiva nos bastidores, valendo-se de declarações públicas contundentes para constranger a Executiva a adotar mecanismos mais democráticos e transparentes na escolha dos nomes que disputarão o pleito.
As tratativas ganharam contornos de drama político devido à pressão exercida pelos Progressistas (PP), partido que integra a federação partidária e que já declarou apoio formal e público à postulação de reeleição de Otaviano Pivetta. A movimentação do aliado estreitou a margem de manobra do União Brasil, uma vez que a dissidência de Jayme Campos ameaça desestabilizar o bloco governista e fragmentar as forças de centro-direita no estado.
A pacificação definitiva ou a consumação da ruptura partidária ocorrerão somente no fechamento das urnas internas da Convenção Estadual, cujo resultado ditará os rumos das coligações majoritárias em Mato Grosso.
Até que o último voto seja contabilizado no início da noite de 4 de agosto, o cenário político mato-grossense permanecerá em compasso de espera, sob a sombra de um embate que medirá as forças reais das maiores lideranças do estado.
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