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BAGUNÇA GENERALIZADA DOS CONSIGNADOS

“Não permitam que voltem os descontos até que todos os contratos tenham sido analisados”

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Em junho deste ano, o Governo de Mato Grosso suspendeu todos os descontos em folha de pagamento dos servidores de consignados das empresas Cartos Sociedade de Crédito, BemCartões e ClickBank por 90 dias, que poderiam ser prorrogados. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) informou que as três instituições estão vinculadas à Capital Consig S.A., que também teve os descontos suspensos após denúncias de irregularidades em créditos.

A decisão de suspender os descontos foi tomada após a abertura de um inquérito civil do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP/MT), que investiga possíveis abusos e prejuízos aos direitos dos servidores públicos em contratos firmados com a empresa.

Conforme a medida anunciada pela Seplag, a empresa está proibida de:

negativar servidores;

cobrar valores atrasados de forma acumulada;

aplicar juros e correção monetária durante o período de suspensão.

A medida vale para operações já em andamento e futuras, e ficará em vigor até a conclusão do processo administrativo.

Pedido de prorrogação

Já no começo de agosto, seis sindicatos e a Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP/MT) protocolaram um pedido formal junto à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag/MT) solicitando a prorrogação, por mais 90 dias, da suspensão dos descontos em folha referentes aos contratos com a Capital Consig e demais empresas do mesmo grupo econômico, que são ClickBank, BemCartões, Cartos e ABCCard.

O documento se fundamenta na ausência de conclusão das investigações administrativas que apuram denúncias de fraudes referentes ao cartão consignado MTCard. A medida cautelar inicial, feita em nome dos Sindicatos e da Federação, foi determinada pela própria Seplag, no dia 27 de maio, suspendendo o desconto por 90 dias com base nos indícios de fraudes.

Sem análise completa

Nesta segunda-feira (18), foi apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), o primeiro módulo do relatório preliminar sobre os contratos de consignados firmados por servidores públicos estaduais com instituições financeiras.

A reunião contou com a presença da deputada estadual Janaina Riva (MDB) e do deputado Wilson Santos, que representaram a Assembleia Legislativa Mato-grossense a pedido do presidente da Casa de Leis, Max Russi, além do Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), da presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP/MT), Carmen Machado, e do presidente do sindicato da área meio (Sinpaig), Antônio Wagner.

Janaina Riva reforçou durante a reunião, o apelo da Assembleia Legislativa Mato-grossense, para que nenhum desconto em folha seja retomado enquanto os contratos não forem integralmente auditados.

Em nome do presidente Max Russi, venho agradecer a iniciativa do Tribunal de Contas de chamar a Assembleia Legislativa para acompanhar esse processo e deixar registrado nosso pedido: não permitam que voltem os descontos até que todos os contratos tenham sido analisados”, destacou a parlamentar.

“Bagunça generalizada”

Ao fazer um balanço da auditoria em andamento, o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) classificou a situação como de “bagunça generalizada”. Segundo ele, dos mais de 102 mil contratos de consignados, apenas 27 mil foram considerados passíveis de análise até o momento.

Isso mostra o tamanho da desordem. Não há segurança para afirmar que esses contratos estejam de acordo com as normas do Banco Central. Sem uma avaliação individual, não há como garantir a legalidade das cobranças, afirmou Sérgio Ricardo.

O conselheiro adiantou que o plenário do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) deve aprovar uma normativa que recomenda ao Governo do Estado que mantenha a suspensão da cobrança dos consignados até a conclusão das análises caso a caso. Pela normativa vigente os descontos voltariam a acontecer no dia 28 deste mês.

Na minha opinião, o Estado não deve voltar cobrar essas dívidas. Não há certeza de nada. É preciso passar contrato por contrato pelo crivo da auditoria. Só assim poderemos ter segurança jurídica, reforçou.

Próximos passos

Ainda segundo o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), uma nova reunião será realizada antes da sessão plenária para finalizar o documento que será votado. Ele também informou que levará os dados ao Tribunal de Justiça, reforçando a gravidade da situação e a necessidade de resguardar os servidores até que o processo seja concluído.

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A Assembleia Legislativa deve continuar acompanhando o andamento das auditorias.

Esse é um pedido de todos nós, deputados e deputadas, em defesa dos servidores que não podem ser penalizados diante desse cenário de incertezas”, completou Janaina Riva.

Atualizado

Após reunião, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), com o total apoio da Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), aprovou uma resolução determinando que o Governo do Estado prorrogue por 120 dias a suspensão dos descontos na folha salarial dos servidores e pensionistas do Estado, que tenham empréstimo consignado com a empresa Capital Consig e demais empresas que compõem esse grupo econômico.

Com isso, o retorno da cobrança que estava previsto para retornar no dia 28 de agosto, tem chance de ser liberado apenas em dezembro. Agora o documento será encaminhado para a secretaria de Estado de Planejamento (Seplag) para análise.

Relatadas pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), Conselheiro Sérgio Ricardo, as medidas consolidam encaminhamentos da Mesa Técnica nº 04/2025, que trata do superendividamento dos servidores do estado.

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O decreto

Entre as inovações propostas estão medidas de proteção ao servidor, como o fim da contratação por telefone, a exigência de transparência contratual e o atendimento presencial para idosos e pensionistas. No controle do endividamento, a norma limita a margem a 35% da remuneração líquida e determina a oferta de educação financeira a partir do segundo empréstimo, além de instituir um programa permanente de prevenção ao superendividamento.

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Política

Presidência do TCE/MT rechaça acusações de recebimento de “Emendas” e defende isenção em vistorias

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O Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), rebateu de forma veemente e categórica as acusações proferidas contra a corte orçamentária no parlamento estadual. A manifestação pública do magistrado preza pela defesa da integridade administrativa da instituição de controle externo, que se viu envolvida em uma contenda discursiva que reverberou imediatamente nos bastidores dos poderes constituídos em Mato Grosso.

O deputado estadual Chico Guarnieri, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), figura como o autor das denúncias e das movimentações que originaram o conflito institucional na esfera pública. O parlamentar utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) para vocalizar suas suspeitas e demandar providências fiscalizatórias rigorosas contra a conduta da corte de contas.

A manifestação do parlamentar consistiu no anúncio formal de sua intenção de articular a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o propósito específico de investigar a legalidade de fluxos financeiros. Além disso, o deputado questionou publicamente a lisura, a fidedignidade e as reais motivações técnicas que fundamentam as recentes e minuciosas fiscalizações de obras públicas que a Corte de Contas vem conduzindo em solo mato-grossense.

O cerne do questionamento parlamentar baseia-se em um suposto repasse financeiro de grande monta, estimado no valor substancial de R$ 20 milhões, o qual teria sido destinado diretamente ao Tribunal de Contas do Estado. Os indícios levantados pelo deputado apontavam para uma triangulação de recursos públicos federais que, conforme a tese apresentada, careceria de amparo legal e de transparência contábil adequada.

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A suposta origem do montante financeiro sob suspeita estaria atrelada a uma Emenda Parlamentar de autoria do senador Wellington Fagundes, integrante dos quadros do Partido Liberal (PL). A acusação sugeria que o direcionamento dessa verba orçamentária federal possuiria propósitos alheios às funções institucionais ordinárias do órgão de controle, vinculando o recebimento do recurso a uma possível mitigação do rigor fiscalizador da corte.

A dinâmica orçamentária do Tribunal de Contas de Mato Grosso restringe-se exclusivamente aos duodécimos e repasses constitucionais que são devidamente programados e oriundos unicamente da fonte do Governo do Estado. Ao detalhar a engenharia financeira do setor público, o presidente do TCE/MT ressaltou a impossibilidade jurídica e técnica de a instituição absorver emendas parlamentares diretas de deputados federais ou de senadores da República.

A reação do conselheiro Sérgio Ricardo ocorreu de forma imediata e contundente nos espaços de interlocução com a imprensa e nas dependências oficiais da própria corte fiscalizatória, logo após a repercussão das declarações do deputado. A resposta célere teve como objetivo principal estancar a disseminação de narrativas desfavoráveis e esclarecer o que o tribunal classificou como um grave mal-entendido ou uma deliberada distorção dos fatos contábeis.

A motivação que impulsionou o pronunciamento defensivo do presidente do TCE/MT decorre da necessidade premente de preservar a imagem institucional da Corte de Contas perante a sociedade civil e o mercado financeiro. O magistrado justificou sua postura assertiva ao afirmar categoricamente que o Tribunal de Contas não se sujeitará a servir de palanque político gratuito para agentes públicos que buscam projeção eleitoral por meio de notícias falsas.

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As insinuações de natureza política que foram rebatidas pelo conselheiro sugeriam que ele estaria utilizando o calendário de vistorias técnicas em obras de infraestrutura estadual como plataforma de autopromoção visando ao pleito eleitoral de 2026.

Em sua defesa, Sérgio Ricardo sustentou que as auditorias e visitas de campo representam atribuições eminentemente constitucionais e rotineiras do órgão, dissociadas de quaisquer pretensões partidárias futuras.

O desfecho deste embate sinaliza um acirramento nas relações políticas institucionais em Mato Grosso, exigindo que os parlamentares foquem nos próprios mandatos em vez de formularem denúncias desprovidas de comprovação documental.

O cenário projeta um monitoramento ainda mais rigoroso das contas públicas, uma vez que o Tribunal de Contas sinalizou que manterá seu cronograma técnico de fiscalizações de forma totalmente independente e imune às pressões político-partidárias locais.

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