APERTAR O CINTO
Lúdio quer Sefaz na Casa de Leis mensalmente para acompanhar impacto da “Pandemia” nas finanças de MT
Apresentação da Sefaz mostrou que em 2020 o governo do Estado de Mato Grosso arrecadou R$ 824 milhões a mais com ICMS e Fethab
Um requerimento de convocação foi proposto pelo deputado estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Lúdio Frank Mendes Cabral e aprovado em sessão via vídeo conferência pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) para que o secretario de Estado de Fazenda (Sefaz), Rogerio Luiz Gallo, fosse ate a Casa de Leis esclarecer os números da economia do Estado de Mato Grosso.
Rogério Gallo que esteve presente na Casa de Leis para prestar informações aos parlamentares sobre a situação financeira do Estado durante o período de “Pandemia da Covid-19” e fez uma comparação da atual situação com um grande “Tsunami” que esta afetando a economia, e que o principal afetado neste momento é o setor do comércio.
Na apresentação dos números aos deputados na Casa de Leis, o secretário informou que entre março e abril, a queda na arrecadação de ICMS foi de 17%, ou exatos R$ 175 milhões a menos no caixa do Estado. E que para enfrentar este “Tsunami”, Rogerio Gallo recomendou apertar o cinto e tentar sobreviver.
Após a apresentação, o parlamentar do PT, deputado estadual Lúdio Cabral, sugeriu que a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) realize audiências com o secretário de Estado de Fazenda (Sefaz/MT), Rogério Gallo, todos os meses, enquanto durar a “Pandemia da Covid-19”.
Apesar de os números apresentados pela Sefaz mostrarem que, até o momento, a arrecadação deste ano está maior que a do ano passado, Lúdio Cabral considera importante monitorar mensalmente a situação da receita e da despesa para avaliar os impactos da pandemia e da redução da atividade econômica nas finanças de Mato Grosso.
“É importante acompanharmos o impacto na arrecadação estadual e eventuais alterações nas despesas, pois o cenário da pandemia é dinâmico. As medidas de isolamento social reduziram a velocidade de expansão do “Coronavírus” e por isso é importante mantê-las. Mas também é preciso assegurar a prestação dos serviços essenciais, os direitos dos servidores, à proteção dos trabalhadores da iniciativa privada e dos setores econômicos mais afetados“, afirmou Lúdio.
Na audiência realizada nesta ultima quinta-feira, atendendo a requerimento de Lúdio, o secretário de Fazenda mostrou que houve aumento da arrecadação.
“Conforme os dados apresentados pelo secretário, foram R$ 562 milhões a mais de ICMS e R$ 262 milhões a mais de Fethab entre janeiro e abril deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado“, observou Lúdio ao analisar os dados da Sefaz.
Somente com esses dois tributos, o governo arrecadou R$ 824 milhões a mais neste ano.
“O governo de Mato Grosso tem um comportamento recorrente de pintar um cenário ruim e ficou claro que não tem motivo para falar de redução ou atraso nos salários, porque o Estado tem margem na arrecadação para cumprir com seus deveres na remuneração dos trabalhadores e na manutenção dos serviços essenciais“, analisou Lúdio.
Na audiência, o secretário Rogério Gallo afirmou também que a arrecadação de janeiro e fevereiro deste ano foi 13% maior que o previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2020, em função da mudança no sistema de tributação do comércio que começou a vigorar em janeiro. Para Lúdio, isso comprova que o orçamento foi subestimado pelo governo.
“Ficou claro que a arrecadação dos quatro primeiros meses de 2020 está muito acima do que o governo de Mato Grosso havia projetado, mesmo com as perdas causadas pelo “Coronavírus”, pois o orçamento foi subestimado, conforme já vínhamos alertando ao longo do ano passado“, destacou Lúdio.
Política
Uma articulação para unificar a Direita em Mato Grosso
Em um movimento estratégico que redesenha as pretensões eleitorais no Estado de Mato Grosso, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), e seu predecessor, Mauro Mendes (UB), reuniram-se com o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. O encontro, realizado sob reserva em um escritório de advocacia na capital Cuiabá, teve como objetivo central a costura de uma aliança robusta entre a atual administração estadual e a ala bolsonarista do estado. A proposta apresentada pelos mandatários visa consolidar um bloco governista de direita, capaz de neutralizar fragmentações e garantir hegemonia nas urnas no pleito de 2026.
A proposta levada a Valdemar Costa Neto fundamenta-se em uma permuta de apoios que altera as atuais pré-candidaturas postas no tabuleiro político eleitoral mato-grossense. No epicentro do acordo, o grupo liderado por Pivetta e Mendes comprometeu-se a empenhar esforços para eleger o deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado da República. Em contrapartida, a cúpula do PL nacional deveria intervir no cenário mato-grossense para que o senador Wellington Fagundes (PL) abdicasse de sua pré-candidatura ao Governo do Estado, abrindo caminho para a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta.
A viabilidade desse rearranjo ganha contornos pragmáticos devido à transição de forças e às afinidades ideológicas demonstradas nos bastidores da política nacional. Otaviano Pivetta, embora pertença ao Republicanos, goza de notória simpatia por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que confere ao vice-governador um trunfo diplomático dentro da direita conservadora. Esse alinhamento é reforçado por interlocuções prévias com o senador Flávio Bolsonaro, indicando que a chapa governista busca não apenas um acordo partidário, mas a bênção definitiva do núcleo central do bolsonarismo.
O impacto imediato dessa negociação gerou uma forte onda de resistência interna, personificada na figura do senador Wellington Fagundes. Ao tomar conhecimento do diálogo ocorrido à revelia da sua liderança regional, o senador reagiu com contundência, classificando a manobra como uma tentativa de submeter o Partido Liberal aos interesses do Palácio Paiaguás.
Para Fagundes, a legenda possui história e autonomia suficientes para não ser tratada como um mero apêndice, ou “puxadinho“, da atual gestão estadual, o que sinaliza uma crise de coordenação entre as bases locais e o comando nacional da sigla.
A justificativa de Fagundes para manter sua candidatura ancora-se em sua performance recente nas pesquisas de intenção de voto, onde ele alega liderar a preferência do eleitorado. Em declarações públicas, o senador sugeriu que a iniciativa de Pivetta e Mendes advém de um suposto receio eleitoral perante sua competitividade nas urnas. Ele defende que o processo democrático exige uma disputa aberta e criticou o que chamou de “política de gabinete“, argumentando que a tentativa de controlar ou extinguir adversários prévios enfraquece a legitimidade da representação política em Mato Grosso.
No aspecto interno da sigla, a tensão é agravada pelo papel desempenhado pelo deputado José Medeiros, apontado como o articulador da reunião entre os líderes governistas e Valdemar Costa Neto. Enquanto Fagundes preza pela candidatura própria ao governo como motor da legenda, Medeiros parece priorizar o projeto de fortalecimento da bancada do PL no Senado, vendo na aliança com o governo uma rota mais segura para sua eleição.
Essa divergência de prioridades revela uma fissura estratégica dentro do próprio Partido Liberal mato-grossense, onde o projeto majoritário estadual colide com as ambições parlamentares federais.
O cronograma de definições partidárias promete novos capítulos nos próximos dias, quando o senador Fagundes deverá se reunir pessoalmente com Valdemar Costa Neto em Brasília. A expectativa é que o comando nacional pondere o peso da lealdade histórica de Fagundes frente ao potencial de unificação oferecido por Pivetta. O desfecho dessa queda de braço determinará se o PL seguirá como protagonista com candidatura própria ou se assumirá o papel de coadjuvante estratégico em uma coalizão mais ampla liderada pelo grupo de Mauro Mendes e seu sucessor natural.
Historicamente, as composições políticas em Mato Grosso costumam ser pautadas por setores fortes da economia, como o agronegócio, que exercem pressão por estabilidade e alinhamento com Brasília. A oferta do grupo governista inclui, inclusive, a garantia de apoio à reeleição de Fagundes ao Senado em 2030, tentando suavizar a retirada de sua candidatura atual com uma promessa de longevidade política. No entanto, a imposição de decisões “de fora para dentro”, como apontado pelo senador, enfrenta resistência cultural em um estado que valoriza o diálogo com as bases locais antes das deliberações de cúpula.
A análise técnica desse movimento indica que, se concretizada, a aliança poderá isolar candidaturas de oposição, criando um “superbloco” de direita e centro-direita. Por outro lado, o vazamento da reunião secreta e a subsequente irritação de lideranças tradicionais podem provocar o efeito inverso, estimulando dissidências que fragmentariam o apoio conservador.
A inteligência política exigida agora recai sobre Valdemar Costa Neto, que precisará equilibrar a expansão de poder do PL no Senado com a manutenção da harmonia e da força do partido no executivo estadual.
Em conclusão, o tabuleiro eleitoral de Mato Grosso permanece em estado de fluxo, aguardando a síntese entre o pragmatismo das cúpulas e o clamor das bases. A disputa entre a continuidade do modelo atual e a afirmação da identidade partidária do PL definirá não apenas os nomes nas urnas, mas a própria natureza da influência bolsonarista na região. O que se observa, essencialmente, é a luta por controle de narrativa e território, onde cada movimento de peça busca assegurar que o destino do estado seja decidido entre aliados, ainda que sob o custo de tensões internas profundas.
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