Política
“CPI do Paletó” ouve Valdecir Cardoso, Pinheiro não confirma presença
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chamada de “CPI do Paletó”, criada para investigar o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), recebe no plenário da Câmara Municipal de Cuiabá para a oitiva, o servidor da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Valdecir Cardoso de Almeida, responsável por enquadrar a câmera usada para gravar o então deputado estadual Emanuel Pinheiro recebendo maços de dinheiro e os colocando no paletó.
As imagens fazem parte do conjunto de provas entregue no acordo de delação premiada do ex-chefe de gabinete Sílvio Cesar Corrêa, firmado com a Procuradoria Geral da República. O dinheiro seria propina para que Emanuel apoiasse os projetos do Executivo na época em que era deputado estadual, conforme a oitiva do ex-governador Silval Barbosa, no último dia 23.
Depois que os vídeos da delação foram divulgados, porém, Valdecir Cardoso protocolou em cartório uma declaração em que dizia que o dinheiro pago a Emanuel não seria propina, mas pagamento de pesquisas eleitorais feitas pelo irmão do prefeito.
Os trabalhos serão conduzidos pelo presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki (PSB). Em seguida, serão analisados os requerimentos propostos pelos vereadores, como o que propõe a oitiva do ex-deputado estadual José Geraldo Riva.
A “CPI do Paletó” estará fazendo o encerramento dos trabalhos de investigação no dia 28 de abril, e teve como depoentes o ex-governador Silval da Cunha Barbosa e do ex-secretário e chefe de gabinete, Sílvio César Correa, que em seu depoimento para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), confirmou ter pago propina ao então deputado estadual Emanuel Pinheiro.
Allan Zanatta, ex-secretário de Estado de Indústria, Comércio e Mineração, foi único depoimento favorável ao prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro.
Alan Zanata foi o pivô de uma suposta tentativa de obstrução de justiça cometida pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) ao gravar uma conversa com o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio César Corrêa Araújo.
Emanuel Pinheiro, considerado o principal alvo da “CPI do Paletó”, esta sendo esperado pela Comissão Parlamentar de Inquérito, e já avisou que sabe se estará presente após ser convocado para dar esclarecimentos aos vereadores que compõe a CPI.
Segundo o prefeito cuiabano, sua assessoria Jurídica orientou que ele solicite as perguntas doa parlamentares cuiabanos por escrito, dentro do prazo legal, prazo regimental, e que ele também responda as perguntas por escrito.
O chefe do Executivo Municipal disse ainda que hoje a sua maior preocupação não é a Câmara Municipal, mas sim o Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita um processo contra sua pessoa.
“Eu estou conversando com meus advogados se vou ou não comparecer na CPI da Câmara de Cuiabá, e ainda não tem nada decidido sobre isso, eu estou focado no processo que tramita no Supremo, lá sim eu tenho que provar que não tenho nada a ver com tudo isso que esta acontecendo”.
Segundo o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, ele não pode dar nenhum tipo de declaração sobre o assunto no momento, isso poderá prejudicar a sua defesa, e pode também ser usada e interpretada de forma equivocada pelos pares. “Eu conversei com meus advogados, e resolvemos que vamos aguardar mais um pouco, respeito os trabalhos da Comissão na Câmara Municipal, mas minha defesa principal esta no STF, e quem esta me acusando cabe o ônus da prova, e eu vou provar minha inocência na Justiça”.
Política
PL em Mato Grosso endurece discurso, abre análise sobre infidelidade e prevê “depuração” entre filiados
Nesta quarta-feira (2), durante entrevista concedida na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT), o presidente estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, elevou o tom contra integrantes da legenda que declararam apoio a candidatos de outras siglas nas eleições. O dirigente afirmou que o partido deverá passar por um processo de “depuração” e indicou que casos considerados incompatíveis com as diretrizes da sigla poderão ser submetidos a análise interna.
Embora não tenha citado nominalmente o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao formular as críticas, Ananias Filho se referiu ao movimento de lideranças do PL que passaram a apoiar projetos políticos vinculados a outras legendas. Segundo o presidente estadual, a situação envolve filiados que, mesmo permanecendo formalmente no partido, decidiram manifestar apoio a candidaturas diferentes daquelas oficialmente defendidas pela sigla.
Entre os nomes mencionados durante a entrevista estão a Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e os prefeitos Cláudio Ferreira de Rondonópolis, e Sérgio Machnic de Primavera do Leste. De acordo com Ananias Filho, os integrantes do PL já declararam apoio ao projeto político de Otaviano Pivetta, apontado como candidato ao Governo de Mato Grosso pelo Republicanos, em posição divergente da candidatura defendida pelo Partido Liberal, representada por Wellington Fagundes.
O presidente estadual afirmou que não considera ilegítimo que um filiado tenha posicionamentos políticos próprios ou discorde das decisões tomadas pela legenda. No entanto, criticou aqueles que, após utilizarem a estrutura partidária para conquistar mandatos eletivos, passam a apoiar outros projetos políticos sem promover o desligamento formal do partido.

Para o comandante estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, a coerência política exige uma definição clara diante de divergências consideradas irreconciliáveis.
“Eu só acho ruim a pessoa não ter hombridade de chegar no partido e falar: ‘Olha, eu vou me afastar do partido, eu vou me desfiliar do partido e vou apoiar outro candidato’”, declarou o dirigente.
A manifestação reforçou o endurecimento do discurso da direção estadual do PL diante de lideranças que permanecem nos quadros partidários, mas adotam posições eleitorais contrárias às orientações defendidas pela sigla.
Ananias Filho acrescentou que integrantes que receberam apoio partidário e utilizaram a estrutura da legenda durante campanhas eleitorais deveriam, em sua avaliação, demonstrar lealdade ao partido ao decidirem seguir outro caminho político.
Segundo ele, os recursos empregados pelas legendas possuem natureza pública, embora sejam destinados aos partidos conforme as regras do sistema eleitoral, o que, em sua visão, aumenta a responsabilidade dos beneficiados.
“Quem usa o partido pode até discordar do rumo que o partido está dando. Mas ele que usou toda a estrutura do partido, recebeu recurso público, que é público, mas que é destinado, por delegação, aos partidos, deveria ter hombridade”, afirmou.
A declaração sintetiza a posição da direção estadual, que pretende examinar a conduta de filiados envolvidos em situações classificadas internamente como possíveis casos de Infidelidade Partidária.
O Partido Liberal enfrenta, em Mato Grosso, um movimento de afastamento político de lideranças relevantes que decidiram apoiar Otaviano Pivetta, mesmo diante da possibilidade de medidas disciplinares. O cenário expõe uma disputa interna sobre os limites da autonomia das lideranças locais e a obrigação de alinhamento às decisões eleitorais adotadas oficialmente pela estrutura partidária estadual.
Com a instauração dos procedimentos internos, as possíveis expulsões e outras medidas disciplinares passarão por análise jurídica e partidária. O processo deverá avaliar, individualmente, as circunstâncias de cada caso e a eventual existência de elementos que justifiquem punições, de acordo com as normas internas da legenda e os instrumentos jurídicos aplicáveis à situação.
Apesar do tom mais rígido adotado durante a entrevista, Ananias Filho declarou à imprensa que considera natural a saída ou o afastamento político de integrantes em determinados momentos.
Ao resumir sua avaliação sobre a debandada de lideranças, utilizou uma comparação direta:
“Isso é igual unha encravada, todo ano tem”.
A frase evidenciou que, para o presidente estadual do PL, o processo de reorganização interna faz parte da dinâmica recorrente da política e deverá prosseguir com a anunciada “depuração” dos quadros partidários.
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