Política
Comissão de Defesa da Mulher; Emanuel Pinheiro assume como 1° vice-presidente
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher elegeu por unanimidade, com 13 votos, a deputada federal Luisa dos Santos Silveira, conhecida Congresso Federal como “Luisa Canziani” do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB/PR) para presidente do colegiado.
Luisa Canziani é filha do ex-deputado Alex Canziani. Em sua primeira disputa eleitoral, aos 22 anos, foi eleita com 90 mil votos para deputada federal, tornando-se a congressista mais jovem do Brasil.
Para a 1ª vice-presidência foi eleito o deputado federal do Estado de Mato Grosso, Emanuel Pinheiro Neto, também do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB/MT). A deputada federal Alice Mazzuco Portugal, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB/BA) foi eleita para a 2ª vice. O mandato tem duração de um ano.
O deputado federal Emanuel Pinheiro destacou a escalada de violência contra a mulher na sociedade brasileira.
“O Brasil vive praticamente uma epidemia nesse sentido, sendo o quinto País do mundo na violência contra a mulher“, ressaltou. Ele disse que a prioridade da comissão será combater esse problema.
Projeto de Lei 1119/2019
O 1º vice-presidente, deputado Emanuel Pinheiro, também conhecido como “Emanuelzinho”, é autor do Projeto de Lei que prevê a criação de novos mecanismos para coibir a violência contra a mulher.
“A violência contra mulher é um fenômeno que está nas ruas, no trabalho, escolas, e principalmente dentro de casa, constituindo-se em um desafio a ser vencido“, considerou o parlamentar.
A proposta estabelece algumas medidas com força de Lei para que subjetivamente, proteja ainda mais a mulher brasileira, como a utilização de tornozeleira eletrônica, a expedição de mandado de busca e apreensão de armas e a utilização e participação em programas de reeducação psicossocial.
Criada em 2016, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher tem, entre suas atribuições, o recebimento, avaliação e investigação de denúncias relativas à ameaça ou à violação dos direitos da mulher, em especial as vítimas de violência doméstica, física, psicológica e moral.
A comissão também fiscaliza programas governamentais relativos à proteção dos direitos da mulher.
Também está entre as atribuições do colegiado, além de outras, incentivar e fiscalizar programas de apoio às mulheres chefes de família; fazer o monitoramento da saúde materno-infantil e neonatal, dos programas de apoio a mulheres em estado puerperal, em especial nas regiões mais carentes do País; e incentivar e monitorar programas de prevenção e de enfrentamento das doenças que afetam as mulheres.
Política
Proposta busca inserir na “Constituição de Mato Grosso” mecanismos permanentes de proteção aos direitos das mulheres
Como se já não bastasse a sub-representação feminina nos espaços de poder, as mulheres que decidem ocupar cargos eletivos são, com frequência, vítimas da violência política motivada pelo gênero. Em muitos casos, essa violência é articulada com o racismo e a LGBTfobia.
De acordo com a lei brasileira, violência política contra a mulher é toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher. Ameaças, ofensas, agressões, assédios, tentativas de homicídio e assassinatos são algumas formas de atentar contra os direitos humanos das mulheres candidatas e eleitas. Todas as mulheres são vítimas destes ataques, mas negras, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são alvos preferenciais por interseccionarem outros marcadores sociais.
A persistência da “violência política de gênero” e dos “elevados índices de feminicídio” em Mato Grosso impulsiona uma nova iniciativa voltada ao fortalecimento dos direitos das mulheres. Em reunião híbrida realizada com militantes progressistas, em Cuiabá, a pré-candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT) apresentou a proposta de elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) destinada a incluir, na Constituição Estadual, instrumentos permanentes de promoção da igualdade de gênero e de “enfrentamento à violência contra as mulheres”.
A iniciativa parte do diagnóstico de que, embora a legislação brasileira reconheça como “violência política” toda ação, conduta ou omissão destinada a impedir, dificultar ou restringir o exercício dos direitos políticos das mulheres, candidatas e representantes eleitas continuam sendo alvo de ameaças, ofensas, agressões, assédio e outras formas de violência.
Segundo especialistas, esses ataques atingem com maior intensidade mulheres negras, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, em razão da sobreposição de diferentes formas de discriminação.
De acordo com a proposta apresentada, a elaboração da PEC ocorrerá de forma participativa durante a pré-campanha e a campanha eleitoral. Para isso, serão constituídos núcleos de mulheres em Cuiabá e em diversas regiões de Mato Grosso, responsáveis por promover debates, ouvir a população e reunir sugestões que contribuirão para a redação final da matéria constitucional.
A construção coletiva do texto, segundo Edna Sampaio, representa a continuidade das discussões desenvolvidas pela Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio, instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e presidida pela própria parlamentar durante sua atuação no Legislativo Estadual. Os estudos realizados pela comissão serviram de base para a formulação da proposta agora apresentada.
Na avaliação da pré-candidata, o principal objetivo da PEC é substituir políticas públicas predominantemente reativas por ações estruturais e permanentes de prevenção à violência de gênero. Conforme argumenta, o combate ao feminicídio exige medidas que enfrentem suas causas sociais, especialmente a desigualdade histórica entre homens e mulheres, considerada um dos fatores centrais para a manutenção da violência.
Durante a apresentação da proposta, Edna Sampaio afirmou que a desigualdade de gênero constitui um problema estrutural da sociedade brasileira e que a omissão do Estado, aliada à ausência de políticas públicas contínuas, contribui para a manutenção dos elevados índices de violência registrados em Mato Grosso.
Segundo ela, garantir proteção efetiva às mulheres depende da adoção de políticas permanentes capazes de assegurar o pleno exercício da cidadania feminina.
A pré-candidata também sustentou que os governos estaduais mais recentes priorizaram medidas voltadas ao atendimento das vítimas após a ocorrência da violência, sem investir, na mesma proporção, em políticas preventivas capazes de reduzir as desigualdades de gênero. Na avaliação apresentada, a proposta constitucional pretende alterar essa lógica ao estabelecer obrigações permanentes para o poder público.
Outro ponto destacado durante a reunião refere-se ao processo de elaboração das constituições brasileira e mato-grossense. Edna argumentou que a reduzida participação feminina na Assembleia Constituinte de 1988 e a inexistência de mulheres entre os constituintes responsáveis pela Constituição de Mato Grosso contribuíram para que os direitos das mulheres não fossem incorporados de maneira estrutural aos respectivos textos constitucionais.
Segundo a pré-candidata, embora a Constituição Federal estabeleça como dever do Estado o combate às desigualdades, não há referência explícita à desigualdade entre homens e mulheres como prioridade constitucional.
Para ela, essa ausência dificulta a consolidação de políticas públicas permanentes voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento das diversas formas de “violência contra as mulheres”.
Caso seja eleita, Edna Sampaio informou que pretende apresentar a proposta também em âmbito nacional, incentivando a discussão de uma Proposta de Emenda à Constituição Federal que explicite os direitos das mulheres e fortaleça as responsabilidades do Estado na redução das desigualdades de gênero. Os primeiros núcleos de debate deverão ser organizados nos próximos meses, marcando o início da construção coletiva da proposta que será submetida à sociedade e, posteriormente, ao Poder Legislativo.
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