FINALMENTE PASSOU O BASTÃO
Com uma atuação pífia, a bolsonarista Margareth Buzetti corre sérios riscos de não se reeleger
Em discurso no plenário da Casa de Leis, a Senadora Margareth Buzetti (PP/MT) se despediu de seu mandato, que teve início em 2023. Ela chegou ao Senado por ser a primeira suplente do ministro da Agricultura, Pecuaria e Abastecimento (MAPA), Carlos Fávaro. Agora, o mandato será assumido pelo segundo suplente da chapa, José Lacerda (PSD/MT).
Com a troca, que já havia sido definida por conta de um acordo político entre os dois suplentes, o Senado perde uma parlamentar bolsonarista e ganha alguém alinhado ao governo Lula.
Empresária, Margareth Buzetti chegou a organizar uma reunião de mulheres pró-Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. E foi uma das 41 assinaturas para pautar o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na Casa de Leis. Algo que seu sucessor já adiantou que não faria.
“Eu acho que a questão da pauta de impeachment do ministro não tem cabimento. Eu sou advogado, militante. Não estou aqui defendendo o ministro A, B ou C. Não estou defendendo nenhum nem outro. Estou defendendo a instituição Poder Judiciário. Eu defendo a instituição Poder Judiciário. Então a instituição Poder Judiciário precisa ser respeitada, como o Poder Legislativo precisa ser respeitado, como o Poder Executivo precisa ser respeitado”, disse o agora senador.
O segundo-suplente, que agora assume a vaga, José Lacerda é advogado, ex-deputado estadual e foi secretário de Meio Ambiente na gestão do governador Silval Barbosa (MDB). Ele se encontrou com Carlos Fávaro e o presidente Lula na manhã desta quarta-feira (1º), no Palácio do Planalto.
Ao dar as boas-vindas ao colega, em nome da liderança do PSD, o senador Otto Alencar (PSD-BA) lembrou que José Lacerda representa um estado que contribui muito com o Brasil, sobretudo nas áreas da agricultura e da pecuária e no equilíbrio da balança comercial.
“Nosso novo senador do PSD é bem-vindo. Estaremos ao lado dele para contribuir com todas as iniciativas que ele venha a propor nesse período que ele vai representar o Mato Grosso na suplência do nobre Senador Carlos Fávaro, hoje ministro da Agricultura“.
O senador Rogério Carvalho (PT-SE) também deu as boas-vindas a Lacerda e disse que espera contribuir com o novo senador em um trabalho que fique na sua história e na do Senado.
Futuro político ainda é incerto
Margareth Buzetti afirmou que pretende se dedicar ao Estado do Mato Grosso e visitar mais municípios. Seu futuro político ainda é incerto e ela pode se candidatar ao Senado ou a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Com uma atuação pífia no Senado Federal, a bolsonarista Margareth Buzetti corre sérios riscos de não se reeleger, por isso pensa disputar a Câmara Federal. E afirmou que pretende se dedicar ao Estado do Mato Grosso e visitar mais municípios. Seu futuro político ainda é incerto.

Em seu discurso de despedida, a senadora afirmou que encerra um mandato “marcado pela coragem, determinação e entrega, que não abriu espaço para a vergonha, não se curvou diante da covardia e jamais conheceu a preguiça“.
A senadora também destacou sua atuação no combate ao feminicídio, à pedofilia e na defesa de medidas de apoio a mulheres vítimas de mutilação. Ao final de seu pronunciamento, Margareth Buzetti expressou gratidão aos colegas parlamentares, familiares e aos servidores que a assessoraram durante o mandato no Senado.
No anúncio da “passagem de bastão“, a então senadora adiantou que passará a cuidar do seu projeto para 2026, que deve ser o Senado novamente, mas dentro de sua nova sigla, o Partido Progressistas (PP), que na próxima eleição, vem junto ao União Brasil em uma federação política.
“Vou me dedicar e contribuir com o Partido Progressista na sua estruturação para as eleições de 2026, ajudando a preparar o projeto político e eleitoral que teremos pela frente”, anunciou.
Margareth Buzetti assumiu a cadeira no Senado pela primeira vez ainda em 2022, por um período de 120 dias, e passou a ocupar o cargo de forma efetiva em 2023, após o titular da vaga, senador Carlos Fávaro (PSD), ser nomeado ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no Governo Lula (PT).
Política
Proposta busca inserir na “Constituição de Mato Grosso” mecanismos permanentes de proteção aos direitos das mulheres
Como se já não bastasse a sub-representação feminina nos espaços de poder, as mulheres que decidem ocupar cargos eletivos são, com frequência, vítimas da violência política motivada pelo gênero. Em muitos casos, essa violência é articulada com o racismo e a LGBTfobia.
De acordo com a lei brasileira, violência política contra a mulher é toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher. Ameaças, ofensas, agressões, assédios, tentativas de homicídio e assassinatos são algumas formas de atentar contra os direitos humanos das mulheres candidatas e eleitas. Todas as mulheres são vítimas destes ataques, mas negras, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são alvos preferenciais por interseccionarem outros marcadores sociais.
A persistência da “violência política de gênero” e dos “elevados índices de feminicídio” em Mato Grosso impulsiona uma nova iniciativa voltada ao fortalecimento dos direitos das mulheres. Em reunião híbrida realizada com militantes progressistas, em Cuiabá, a pré-candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT) apresentou a proposta de elaboração de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) destinada a incluir, na Constituição Estadual, instrumentos permanentes de promoção da igualdade de gênero e de “enfrentamento à violência contra as mulheres”.
A iniciativa parte do diagnóstico de que, embora a legislação brasileira reconheça como “violência política” toda ação, conduta ou omissão destinada a impedir, dificultar ou restringir o exercício dos direitos políticos das mulheres, candidatas e representantes eleitas continuam sendo alvo de ameaças, ofensas, agressões, assédio e outras formas de violência.
Segundo especialistas, esses ataques atingem com maior intensidade mulheres negras, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, em razão da sobreposição de diferentes formas de discriminação.
De acordo com a proposta apresentada, a elaboração da PEC ocorrerá de forma participativa durante a pré-campanha e a campanha eleitoral. Para isso, serão constituídos núcleos de mulheres em Cuiabá e em diversas regiões de Mato Grosso, responsáveis por promover debates, ouvir a população e reunir sugestões que contribuirão para a redação final da matéria constitucional.
A construção coletiva do texto, segundo Edna Sampaio, representa a continuidade das discussões desenvolvidas pela Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio, instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e presidida pela própria parlamentar durante sua atuação no Legislativo Estadual. Os estudos realizados pela comissão serviram de base para a formulação da proposta agora apresentada.
Na avaliação da pré-candidata, o principal objetivo da PEC é substituir políticas públicas predominantemente reativas por ações estruturais e permanentes de prevenção à violência de gênero. Conforme argumenta, o combate ao feminicídio exige medidas que enfrentem suas causas sociais, especialmente a desigualdade histórica entre homens e mulheres, considerada um dos fatores centrais para a manutenção da violência.
Durante a apresentação da proposta, Edna Sampaio afirmou que a desigualdade de gênero constitui um problema estrutural da sociedade brasileira e que a omissão do Estado, aliada à ausência de políticas públicas contínuas, contribui para a manutenção dos elevados índices de violência registrados em Mato Grosso.
Segundo ela, garantir proteção efetiva às mulheres depende da adoção de políticas permanentes capazes de assegurar o pleno exercício da cidadania feminina.
A pré-candidata também sustentou que os governos estaduais mais recentes priorizaram medidas voltadas ao atendimento das vítimas após a ocorrência da violência, sem investir, na mesma proporção, em políticas preventivas capazes de reduzir as desigualdades de gênero. Na avaliação apresentada, a proposta constitucional pretende alterar essa lógica ao estabelecer obrigações permanentes para o poder público.
Outro ponto destacado durante a reunião refere-se ao processo de elaboração das constituições brasileira e mato-grossense. Edna argumentou que a reduzida participação feminina na Assembleia Constituinte de 1988 e a inexistência de mulheres entre os constituintes responsáveis pela Constituição de Mato Grosso contribuíram para que os direitos das mulheres não fossem incorporados de maneira estrutural aos respectivos textos constitucionais.
Segundo a pré-candidata, embora a Constituição Federal estabeleça como dever do Estado o combate às desigualdades, não há referência explícita à desigualdade entre homens e mulheres como prioridade constitucional.
Para ela, essa ausência dificulta a consolidação de políticas públicas permanentes voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento das diversas formas de “violência contra as mulheres”.
Caso seja eleita, Edna Sampaio informou que pretende apresentar a proposta também em âmbito nacional, incentivando a discussão de uma Proposta de Emenda à Constituição Federal que explicite os direitos das mulheres e fortaleça as responsabilidades do Estado na redução das desigualdades de gênero. Os primeiros núcleos de debate deverão ser organizados nos próximos meses, marcando o início da construção coletiva da proposta que será submetida à sociedade e, posteriormente, ao Poder Legislativo.
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