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EXPLORAÇÃO INFANTIL

“Sinais de abuso sexual muitas vezes estão evidentes no comportamento de crianças e adolescentes”

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Os sinais de que uma criança ou adolescente sofreu abusos sexuais trazem características que muitas vezes estão evidentes no cotidiano das vítimas, seja no comportamento introspectivo, aversão ou medo de determinada pessoa, mudança de vestimentas como forma de se esconder, a automutilação, entre outros que importem em mudança de comportamento ao que habitualmente a vítima apresentava.

Esse cenário está presente muitas vezes nas centenas de ocorrências de crimes sexuais registrados pela polícia. Durante o ano passado, Mato Grosso registrou 1.142 ocorrências de estupro de vulnerável (vítimas abaixo de 14 anos ou em situação de vulnerabilidade), 223 de estupro e 131 de assédio sexual, além de 121 ocorrências de importunação sexual, 87 de aliciamento e 37 de exploração sexual. Os números são compilados pela Superintendência do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Segurança Pública e incluem ocorrências registradas pela Polícia Civil e Polícia Militar.

Neste ano, entre os meses de janeiro e abril, os números de estupro de vulnerável alcançaram 331 ocorrências e de estupro 53. Já os crimes de assédio sexual tiveram 27 registros e de importunação sexual 52 ocorrências.

Neste 18 de maio, a campanha Faça Bonito lembra em todo o Brasil a data criada para o combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Dados do Ministério da Família, Mulher e Direitos Humanos apontam que em 2019 a violência sexual contra infantojuvenil foi a quarta maior causa de denúncia no Disque 100, serviço nacional de denúncias coordenado pelo órgão federal.

A delegada Mariell Antonini Dias, da Delegacia da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso (DEDMCI) de Várzea Grande, aponta que o principal crime contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes é o estupro de vulnerável, cometido com predominância contra vítimas do sexo feminino e em sua grande maioria por familiares próximos ou amigos que tenham livre acesso a elas.

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Ela pontua ainda que a vítima de abuso sexual geralmente exterioriza sinais, muitas vezes visíveis, de que está sofrendo esse tipo de violação.

Há uma mudança repentina de comportamento para a introspecção (criança se fecha em seu mundo interior), a aversão ou medo de determinada pessoa, que geralmente é o abusador, além da mudança de vestimentas, colocando roupas mais fechadas, moletons para não despertar atenção sexual para si”, explica a delegada, acrescentando que outros sinais são a automutilação e o comportamento sexualizado, ou seja, importam sempre em mudança de comportamento ao que habitualmente a vítima apresenta.

A delegada alerta que em caso de identificação de qualquer destes comportamentos, o adulto deve monitorar a criança ou o adolescente, a fim de acompanhá-lo e averiguar se pode ser algum outro problema ou realmente se refere a abusos sexuais sofridos.

Se a criança apresentar espontaneamente o relato de que sofreu violência, de qualquer espécie, é importante que essa pessoa receptora da informação adote uma postura ativa, de comunicar o fato às autoridades policiais. Havendo delegacia de proteção à criança e adolescente, que procure esta unidade especializada para que os procedimentos legais sejam adotados”, orienta Mariell.

Atendimento especializado

Quando há a ocorrência de abuso sexual, a pessoa que comunica o fato é ouvida na unidade no ato do registro do boletim de ocorrência. Em seguida, são adotados os procedimentos de depoimento especial ou escuta especializada na unidade policial, conforme o caso.

De acordo com a idade da vítima, o depoimento especial pode também ocorrer somente em juízo, mas varia de caso a caso.

O importante é deixar claro que toda situação suspeita merece passar por uma análise para averiguar a situação”, acrescenta a delegada.

Sendo constatada a situação de risco para a criança ou adolescente, a delegacia prontamente solicita medida de proteção com base no artigo 21 da Lei 11.431/2017 e aciona o Conselho Tutelar para providências quando é necessário colocar a criança sob acolhimento ou cuidados da família extensa.

O olhar das delegacias especializadas de atendimento à criança e adolescente é sempre de proteção ao menor, atuando no sentido de retirá-los da situação de violência e oferecendo atendimento psicossocial, junto a entidades parceiras, para que elas possam vencer a violência sofrida e iniciar um caminho novo, livre de abalos psicológicos”, finalizada a delegada Mariell Antonini.

18 de maio

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Em 2000, a Lei 9.970 instituiu o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data lembra a morte da menina Araceli Cabrera Crespo, ocorrida em 18 de maio de 1973, no Espírito Santo.

Araceli tinha oito anos quando desapareceu após sair da escola, na cidade de Vitória, e não foi mais vista com vida. Seis dias depois, o corpo dela foi localizado em um terreno baldio, próximo ao centro da capital capixaba, atrás de um hospital. A menina foi espancada, estuprada, drogada e o corpo desfigurado com ácido. À época do crime, os policiais apuraram diversas versões sobre o ocorrido e chegaram a três pessoas que foram levadas a julgamento pelo crime, porém, foram absolvidos após a mudança de juiz do caso. O processo do Caso Araceli foi arquivado pela Justiça.

A morte de Araceli, no entanto, serviu de alerta para toda a sociedade brasileira, exibindo a realidade de violências cometidas contra crianças. Pela brutalidade e truculência, a data do assassinato tornou-se um símbolo da luta contra essa violação de direitos humanos.

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Expo Favela Innovation Mato Grosso 2026

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Estão abertas as inscrições para a Expo Favela Innovation Mato Grosso 2026, feira de negócios que coloca no centro do evento empreendedores, startups e iniciativas criadas nas comunidades, favelas e bairros em desvantagens econômicas de todo o estado. A programação será realizada nos dias 6 e 7 de novembro, no Goiabeiras Shopping, em Cuiabá, reunindo negócios de diferentes segmentos, como moda, beleza, gastronomia, projetos sociais, cultura, esporte, tecnologia e outras áreas.

A iniciativa busca dar visibilidade à produção e à criatividade que surgem nas favelas mato-grossenses, criando oportunidades de conexão entre empreendedores, investidores, parceiros e potenciais clientes. Mais do que uma feira de negócios, a Expo Favela Innovation MT se apresenta como um espaço para transformar ideias em oportunidades e aproximar empreendimentos periféricos do mercado.

Inscrições

Podem se inscrever empreendedores que nasceram ou atuam em comunidades e periferias. A participação é aberta tanto para quem já possui um negócio em funcionamento quanto para pessoas que estão começando ou que ainda têm apenas uma ideia.

A proposta é contemplar diferentes momentos da jornada empreendedora, incluindo negócios formalizados, empreendedores individuais, iniciativas sem CNPJ e projetos que ainda estão no campo das ideias.

Ás vezes a pessoa já está consolidada, já é MEI, já tem um trabalho iniciado, ou é uma pessoa que está começando agora, ou que nem está formalizada ainda. Um negócio que esteja somente no campo das ideias pode se inscrever também“, explica Anderson Zanovello, presidente da Central Única das Favelas de Mato Grosso (CUFA-MT).

A inscrição, entretanto, não garante a participação como expositor. Todos os inscritos passarão por um processo de seleção, que definirá os empreendedores que estarão presentes na feira.

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Entre todos os inscritos, 40 empreendedores serão selecionados para expor seus negócios durante a Expo Favela Innovation MT 2026.

Uma das novidades é o incentivo à participação de empreendedores que vivem no interior do estado. Para os selecionados que residem fora de Cuiabá e Várzea Grande, a organização prevê o custeio de passagem e hospedagem, permitindo que esses empreendedores possam participar presencialmente do evento.

Entre todos os inscritos, nós vamos selecionar 40 que vão expor no evento. Os empreendedores que forem selecionados e que residem no interior do estado terão a passagem e o hotel pagos para participar do evento, destaca Zanovello.

Visibilidade nacional

A participação na Expo Favela Innovation MT também pode abrir caminho para uma jornada nacional. Dos 40 empreendedores selecionados para expor em Mato Grosso, cinco serão escolhidos para representar o estado na Expo Favela Innovation Nacional, prevista para acontecer no Rio de Janeiro.

Na etapa nacional, os representantes de Mato Grosso terão a oportunidade de apresentar e comercializar seus negócios, além de estabelecer conexões com empreendedores de outros estados, investidores e parceiros.

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A partir da etapa nacional, dez empreendedores serão selecionados para participar de um reality show nacional de empreendedorismo, ampliando ainda mais a visibilidade dos negócios participantes.

A edição mato-grossense integra as etapas regionais oficiais da Expo Favela Innovation, que também conta com uma etapa nacional.

O potencial da iniciativa já foi demonstrado por histórias como a da trancista Diela Nhaque, que representou Mato Grosso na edição de 2025 e conquistou o título do reality show O Desafio, exibido pelo programa É de Casa, da Globo. A empreendedora recebeu R$ 100 mil como prêmio.

Um festival de negócios

Durante os dois dias de evento, o público poderá acompanhar uma programação diversificada, com palestras, workshops, exposições, rodadas de negócios, pitches de startups, mentorias, debates, cursos, shows, filmes, desfiles e outras atividades desenvolvidas por moradores de favelas, comunidades e periferias de Mato Grosso.

A proposta é mostrar que a potência empreendedora das periferias vai muito além dos negócios tradicionais, reunindo criatividade, inovação, cultura, impacto social e geração de renda.

A Expo Favela Innovation Mato Grosso 2026 conta com apoio do Goiabeiras Shopping e Sebrae, e é uma promoção da TV Centro América. A realização é da Associação de Desenvolvimento Social das Favelas, CUFA MT, Secretaria de Estado de Cultura Esporte e Lazer (SECEL MT) em parceria com o PEN Clube do Brasil, regional Centro-Oeste, representação Mato Grosso.

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