ÚLTIMA RODADA DA FASE DE GRUPOS
Brasileiros avançam às oitavas da Libertadores
A última rodada da fase de grupos da Libertadores começou nesta terça-feira (27), com seis partidas e teve desfechos importantes para três clubes brasileiros na última quarta-feira (28). Internacional e Flamengo avançaram às oitavas de final na última rodada da fase de grupos da competição, enquanto o Palmeiras garantiu a melhor campanha.
O Tricolor, que voltou a disputar a Libertadores após 36 anos, terminou na terceira posição do grupo, também com 7 pontos, superando os uruguaios no saldo de gols (-2 contra -3). Assim, o time baiano se despede da principal competição continental e disputará os playoffs da Copa Sul-Americana.
No Beira-Rio, o Internacional venceu um embate decisivo contra o Bahia por 2 a 1. O Esquadrão de Aço chegou a abrir o placar com Jean Lucas, mas o Colorado reagiu rapidamente. Vitinho empatou ainda no primeiro tempo e Borré virou na etapa final, garantindo não só a classificação, como também a liderança do Grupo F, com 11 pontos. O empate já bastaria para o time gaúcho, mas a vitória confirmou a primeira colocação após a derrota do Atlético Nacional para o Nacional do Uruguai.
No Allianz Parque, o Palmeiras confirmou a melhor campanha da fase de grupos e aplicou uma goleada por 6 a 0 sobre o Sporting Cristal, do Peru. Os gols foram marcados por Estêvão, Flaco López (duas vezes), Raphael Veiga, Facundo Torres e Paulinho. O jogo marcou a despedida de Estêvão no estádio como jogador do Verdão, e o jovem mais uma foi destaque.

Já no Maracanã, o Flamengo teve uma noite tensa aos olhos do técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti. Após sair do primeiro tempo vaiado pela torcida, o time carioca venceu o Deportivo Táchira por 1 a 0, com gol salvador de Léo Pereira, e contou com uma defesa crucial de Rossi no último lance para assegurar a classificação.
O Grupo C terminou embolado, com três equipes somando 11 pontos. O Flamengo ficou na segunda posição pelo saldo de gols, superando o Central Córdoba-ARG (3 a 0), mas atrás da LDU, que liderou com saldo 4. O time argentino, que chegou a surpreender na campanha, acabou fora da Libertadores e vai disputar a Sul-Americana. O Táchira encerrou a participação com zero pontos.
Classificado em segundo lugar, o Flamengo estará no pote 2 do sorteio das oitavas, marcado para segunda-feira, na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai. Com isso, existe a possibilidade de enfrentar brasileiros como Palmeiras, Internacional, São Paulo ou até o Fortaleza, que ainda busca a classificação.
Além disso, os terceiros colocados de cada chave vão aos playoffs da Copa Sul-Americana. Entre os brasileiros, Botafogo, São Paulo, Internacional, Flamengo e Palmeiras estão garantidos no mata-mata.
Veja os times classificados às oitavas da Libertadores
Grupo A: Estudiantes e Botafogo
Grupo B: River Plate e Universitario
Grupo C: LDU e Flamengo
Grupo D: São Paulo e Libertad
Grupo E: Racing
Grupo F: Internacional e Atlético Nacional
Grupo G: Palmeiras e Cerro Porteño
Grupo H: Vélez Sasrfied e Peñarol
ESPORTES
Neymar encerra ciclo, e Ancelotti acelera renovação para uma nova era
A trajetória de Neymar com a camisa da Seleção Brasileira chegou ao fim. O técnico Carlo Ancelotti confirmou que o atacante comunicou a decisão de não voltar a defender o Brasil e indicou que a equipe inicia uma nova etapa após a Copa do Mundo. A saída do camisa 10 encerra um dos ciclos mais marcantes do futebol brasileiro nas últimas décadas e impõe ao treinador italiano o desafio de construir uma equipe sem sua principal referência técnica durante anos.
Segundo Carlo Ancelotti, a decisão partiu do próprio Neymar e está inserida em um processo mais amplo de renovação da Seleção. Na avaliação do treinador, o último Mundial representou o encerramento de uma geração iniciada em 2018, que atravessou três edições da competição. Embora alguns jogadores experientes ainda possam permanecer, a tendência é de uma transformação gradual, com maior espaço para atletas jovens e para a construção de uma nova identidade coletiva.
“O Neymar já confirmou que não quer voltar à seleção. A Copa do Mundo encerrou uma geração que começou em 2018 e disputou três Mundiais. Alguns podem continuar, mas, no geral, precisamos de novos jogadores e uma nova identidade na seleção”, afirmou Ancelotti.
A declaração estabelece, de forma objetiva, o caminho que o treinador pretende seguir para reformular o elenco brasileiro.
A última participação de Neymar pela Seleção ocorreu na Copa do Mundo. Cercado por expectativas, o atacante chegou à competição como uma das principais referências ofensivas do Brasil, mas enfrentou problemas físicos e teve participação limitada. O torneio, que poderia representar mais um capítulo de protagonismo do jogador, acabou marcado como o encerramento de sua trajetória com a camisa amarela.

Apesar das limitações físicas apresentadas pelo atacante, Ancelotti afirmou que não se arrepende de tê-lo convocado. Para o treinador, a qualidade demonstrada por Neymar ao longo da carreira justificava sua presença no grupo. Ao mesmo tempo, o italiano reconheceu que a ausência do camisa 10 não poderá ser solucionada pela escolha de um único substituto.
A avaliação de Ancelotti é que Neymar não pode ser reproduzido por outro jogador. Ao definir o atacante como um talento “extraordinário”, “único” e “irrepetível”, o técnico indicou que a Seleção precisará encontrar uma solução diferente. Em vez de concentrar responsabilidades em uma nova estrela, a proposta é fortalecer o funcionamento coletivo, ampliar as opções ofensivas e distribuir o protagonismo entre diferentes atletas.
A primeira convocação depois da Copa já apresentou sinais concretos dessa mudança.
Ancelotti chamou oito jogadores que ainda não haviam atuado pela equipe principal: os goleiros Pedro Morisco e Otávio; os laterais Matheuzinho e Mauro Junior; os zagueiros Arthur Dias e Jair; além dos volantes Breno Bidon e Gabriel Bontempo.
A lista evidencia a intenção de ampliar o número de alternativas disponíveis para o novo ciclo.
A presença de oito estreantes também demonstra que a renovação não deverá ocorrer de maneira pontual. A comissão técnica pretende observar diferentes nomes, aumentar a concorrência por posições e identificar jogadores capazes de assumir responsabilidades no futuro. O processo, portanto, ultrapassa a simples substituição de atletas experientes e aponta para uma reformulação estrutural do elenco brasileiro.
A mudança pode ser percebida ainda na faixa etária do grupo convocado. A primeira lista pós-Copa apresenta média de 24,4 anos, enquanto o elenco levado ao Mundial tinha média de 29,6 anos. A diferença superior a cinco anos evidencia a guinada promovida por Carlo Ancelotti, que passou a priorizar atletas com maior margem de desenvolvimento e capacidade de participar de um projeto esportivo de longo prazo.
O encerramento do ciclo de Neymar, portanto, não representa apenas a despedida de um dos maiores talentos de sua geração, mas também o início de uma nova construção na Seleção Brasileira. Ancelotti terá de desenvolver uma equipe capaz de competir sem buscar uma cópia do antigo Camisa 10. Com mais jovens, novas alternativas e responsabilidades distribuídas, o Brasil começa a virar a página e a procurar os protagonistas que poderão definir sua próxima era.
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