"TRANSPORTE ZERO" É REEDIÇÃO DO "COTA ZERO"
MPF vai investigar a tramitação do Projeto de Lei “Transporte Zero”
O polêmico projeto foi encaminhado pelo governo e foi aprovado em primeira votação na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), no dia 2 de junho, com 14 votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. O “Transporte Zero” que proíbe o transporte, o armazenamento e a comercialização do pescado oriundo da pesca dos rios mato-grossenses pelo período de cinco anos.
A proposta foi encaminhada para o Legislativo e recebeu parecer favorável na Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Minerais. O projeto, que foi baseado em um relatório contratado pela Assembleia Legislativa em 2021, considera a redução do estoque pesqueiro do Estado, que coloca em risco várias espécies nativas de Mato Grosso e estados vizinhos.
A proposta prevê que o pagamento de auxílio financeiro para pescadores profissionais e artesanais, pelo período de três anos. Os pescadores também serão recadastrados, por meio de Registro Estadual e receberão qualificação em programas da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania para o turismo ecológico e pesqueiro e de produção sustentável da aquicultura.

A medida foi necessária em razão da redução dos estoques pesqueiros em rios do Estado, colocando em risco várias espécies nativas de Mato Grosso e Estados vizinhos. Além da preservação das espécies e combate à pesca predatória, o objetivo do projeto também é fomentar o turismo no Estado e garantir emprego e renda para as famílias.
Segundo o governo mato-grossense, o projeto objetiva o combate à pesca predatória nos rios de Mato Grosso e seguiu as recomendações apontadas em relatório sobre a atividade pesqueira no Estado, contratado pela Assembleia Legislativa Mato-grossense em 2021.
O estudo técnico aponta que o turismo de pesca é a principal alternativa econômica para os pescadores profissionais do Estado, uma vez que garante a geração de emprego de forma direta. Atualmente, a renda média de um pescador profissional em Mato Grosso é de um salário mínimo.
Outra observação apontada no relatório é que o turismo de pesca é capaz de manter os traços da cultura pesqueira, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação e restauração do estoque de peixes.
O estudo ressalta que, dos 141 municípios de Mato Grosso, 45 deles apresentam potencial para o turismo de pesca, ou seja, podem se desenvolver economicamente por meio da geração de emprego e renda com esta atividade. Isso porque, conforme o estudo, os peixes grandes são os maiores atrativos do turismo de pesca, o que faz com que a modalidade pesque e solte seja “um ciclo sustentável virtuoso”.

MPF vai investigar a tramitação do Projeto de Lei
O Projeto de Lei que proíbe o transporte, o armazenamento e a comercialização do pescado oriundo da pesca dos rios mato-grossenses pelo período de cinco anos, a contar de 1º de janeiro de 2024, e que será votando na próxima quarta-feira (28), vai ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF).
De acordo com a portaria assinada pelo procurador da República, Ricardo Pael Ardenghi, o projeto denominado “Transporte Zero” parece ser uma reedição do PL 668/2019, que ficou conhecido como “Cota Zero”.
Para o Ministério Público Federal (MPF), tal projeto pode impactar diretamente na vida da comunidade ribeirinha, povos indígenas e pescadores artesanais, “os quais deverão ser consultados, e considerados, em todas as etapas do processo legislativo até sua eventual aprovação“.
Diante da tramitação com regime de urgênciado projeto, a denúncia feita em 2019 foi desarquivada para a conversão em inquérito civil para apurar as irregularidades na tramitação e desrespeito as normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A portaria assinada no último dia 22 de junho diz:
“Resolve converter o procedimento preparatório em Inquérito Civil objetivando apurar se a tramitação, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, do Projeto de Lei 1363/2023, conhecido como Lei da Pesca, que proíbe o transporte, o armazenamento e a comercialização do pescado oriundo da pesca dos rios mato-grossenses pelo período de 5 anos (‘TransporteZero’), observa o direito de consulta prévia, livre e informada dos povos tradicionais impactados (ribeirinhos, indígenas, pescadores artesanais), nos termos da Convenção n. 169 da OIT“.
O projeto “Transporte Zero” ingressou na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), com regime de urgência urgentíssima, o que acelerou a sua tramitação sem muito debate, chegando a ser aprovado em primeira votação em menos de 3 dias.
O líder do governo do Estado de Mato Grosso na Casa de Leis, deputado estadual Dilmar Dal Bosco (UB), sob pressão, apresentou um substitutivo integral com algumas modificações para ser votado no dia 28. Entre os trechos mais polêmicos está o pagamento integral de um salário mínimo de R$ 1320, aos pescadores artesanais por três anos, deixando os dois últimos anos sem qualquer auxílio.
ECONOMIA
Várzea Grande perde R$ 300 milhões anuais com atual divisão do ICMS
A distribuição das receitas arrecadadas por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tornou-se o centro de um intenso debate fiscal no Estado de Mato Grosso, impactando diretamente o orçamento municipal de Várzea Grande. O atual modelo de partilha do tributo estadual tem provocado expressivas perdas financeiras à segunda maior cidade mato-grossense, limitando substancialmente a capacidade de investimento da administração pública local em áreas vitais para a população. Diante desse cenário adverso, a gestão municipal busca reverter o déficit estrutural por meio de negociações diretas com o Poder Executivo Estadual e com órgãos de fiscalização orçamentária.
A controvérsia tributária é liderada pela Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), que encabeça as cobranças por uma revisão nos índices de redistribuição do imposto estadual. No âmbito da administração estadual, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), foi acionado para mediar a questão conjuntamente com equipes técnicas da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MT) e do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT). O conjunto de atores envolvidos abrange tanto os gestores públicos municipais quanto os cidadãos várzea-grandenses, que figuram como os principais impactados pela restrição nos serviços públicos essenciais.
O epicentro do conflito fiscal localiza-se no município de Várzea Grande, situado na Região Metropolitana de Cuiabá, estendendo seus desdobramentos institucionais ao Palácio Paiaguás e à sede do Tribunal de Contas, na capital do Estado.
A disparidade na arrecadação afeta diretamente os bairros periféricos e os grandes corredores urbanos do município, nos quais a escassez de recursos públicos compromete a manutenção da malha viária e a expansão das redes de atendimento social. O território municipal converteu-se em um símbolo da luta pela equidade na distribuição das cotas-partes tributárias entre as cidades mato-grossenses.
A discussão sobre o reequilíbrio financeiro intensificou-se nas últimas semanas, com previsão de desdobramentos decisivos imediatamente após o encerramento do período eleitoral vigente. A meta estratégica estabelecida pela Prefeitura de Várzea Grande prevê a aprovação do novo modelo de cálculo ainda no decorrer do presente exercício financeiro, assegurando que os efeitos práticos da mudança passem a vigorar plenamente a partir do ano de 2027.
O cronograma estabelecido pelas autoridades visa garantir a adequação das diretrizes orçamentárias e o cumprimento dos prazos legais de transição tributária.
O fator gerador do impasse reside nos critérios defasados de cálculo aplicados na divisão da parcela do ICMS pertencente aos municípios, os quais penalizam desproporcionalmente o perfil socioeconômico de Várzea Grande. O tributo estadual, cujos recursos deveriam retornar às cidades para financiar serviços de Saúde, Educação, Transporte, Limpeza Pública e Obras de Infraestrutura, tem apresentado retornos insuficientes para suprir as crescentes demandas da densa população local. Essa assimetria orçamentária gera um gargalo financeiro contínuo, impedindo que o desenvolvimento econômico do Estado se reflita proporcionalmente na qualidade de vida municipal.
A estratégia adotada para resolver o impasse fundamenta-se na articulação política institucional e na elaboração de estudos fiscais por equipes especializadas do Governo Estadual. Por iniciativa do Poder Executivo Municipal, foi proposta a formulação de uma alternativa técnica capaz de elevar a compensação financeira destinada às cidades prejudicadas, sem comprometer os repasses já consolidados das demais localidades.
Além disso, a realização de uma mesa técnica tripartite reunindo o município, a Secretaria de Fazenda e o Tribunal de Contas garantirá o embasamento jurídico e a transparência do novo arranjo distributivo.
Sob a perspectiva estritamente financeira, a distorção nos critérios de repasse representa um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 300 milhões anuais aos cofres públicos de Várzea Grande. A magnitude dessa frustração de receita impacta de maneira severa o planejamento orçamentário municipal, privando a cidade de montantes que poderiam transformar significativamente a Infraestrutura Urbana. A recuperação dessa quantia substancial permitiria a execução de um amplo pacote de investimentos estruturantes, garantindo a sustentabilidade fiscal da administração pública a longo prazo.

Os desdobramentos diretos dessa restrição orçamentária manifestam-se na impossibilidade de edificar novas unidades escolares, pavimentar vias públicas de terra e ampliar a cobertura de saneamento básico nos bairros desprovidos de estrutura. Como ressaltado pela gestão municipal, a ausência do montante sonegado ao orçamento impede que centenas de famílias sejam beneficiadas por melhorias urbanísticas primordiais.
A defasagem no repasse do ICMS traduz-se, portanto, em um obstáculo concreto ao progresso social e ao bem-estar da coletividade várzea-grandense.
Para compreender a relevância da demanda, a prefeita Flávia Moretti enfatizou a diferença crucial que esses recursos trariam para a rotina da administração pública e para a vida dos moradores. Em tom de provocação reflexiva sobre o potencial transformador da verba, a gestora questionou publicamente a quantidade de escolas que deixaram de ser construídas e o volume de ruas que poderiam ter sido asfaltadas caso o município recebesse a sua cota-parte justa. Essa análise contextual expõe a urgência de uma solução definitiva para a defasagem arrecadatória.
Em suma, a mobilização liderada pelo Município de Várzea Grande busca restabelecer a justiça fiscal na repartição das receitas estaduais, assegurando a autonomia financeira necessária para o crescimento sustentável da cidade. A consolidação da mesa técnica e o compromisso do Governo do Estado em estudar soluções sem prejuízo aos demais municípios sinalizam um avanço diplomático promissor.
A expectativa das lideranças locais permanece concentrada na aprovação célere da reforma distributiva, garantindo que o retorno do tributo se converta efetivamente em desenvolvimento e dignidade para toda a população.
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