Search
Close this search box.

DADOS DO INPE DE DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

Feliz Natal é o município com a maior área de desmatamento da Amazônia

Publicados

em

Apenas 20 municípios brasileiros concentram 50% dos alertas de desmatamento na Amazônia entre janeiro e junho deste ano. Sete cidades são do Estado de Mato Grosso, seis do Pará, seis do Amazonas e uma de Rondônia.

Os dados são do Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real por meio de satélite, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O apanhado do primeiro semestre de 2023 foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente. A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área total de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

A área sob alerta de desmatamento na Amazônia sofreu uma queda de 33,6% nos seis primeiros meses de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado. Como dezembro, janeiro, fevereiro e março são meses chuvosos na maioria dos estados que englobam o bioma, as taxas de desmatamento são tipicamente menores durante esses meses.

“Campeões” de desmatamento

Segundo os dados do Inpe, Mato Grosso foi o estado com maior área sob alerta de desmatamento: 162 km². Em seguida vieram Pará e Amazonas, com 46 km² cada, Rondônia, com 28 km², e Roraima, com 31 km². Já o Acre e o Maranhão tiveram aproximadamente 4 km² sob alerta cada.

A cidade de Feliz Natal, no Estado de Mato Grosso, é o município com a maior área da Amazônia desmatada no primeiro semestre de 2023: 175,45 km². A cidade tem 11 mil km² e 10 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022. Em seguida, está Apuí (AM), com 166,46 km² de área desmatada.

Leia Também:  IPVA com desconto de 5% pode ser pago até dia 10 de janeiro

As 20 cidades com maior quantidade de áreas desmatadas:

Feliz Natal (MT) – 175,45 km²
Apuí (AM) – 166,46 km²
Altamira (PA) – 111,54 km²
Porto Velho (RO) – 89,51 km²
Lábrea (AM) – 68,85 km²
Canutama (AM) – 65,26 km²
Novo Aripuanã (AM) – 63,5 km²
São Félix do Xingu (PA) – 61,71 km²
Colniza (MT) – 58,42 km²
Juara (MT) – 52,68 km²
Porto dos Gaúchos (MT) – 50,27 km²
Manicoré (AM) – 49,61 km²
Aripuanã (MT) – 49,4 km²
Medicilândia (PA) – 44,1 km²
Itaituba (PA) – 43,45 km²
Querencia (MT) – 42,51 km²
Nova Santa Helena (MT) – 40,25 km²
Humaitá (AM) – 39,6 km²
Portel (PA) – 39,57 km²
Tacareacanaga (PA) – 39,44 km²

O Estado do Mato Grosso lidera a lista das unidades federativas com maior área do bioma desmatado entre janeiro e fevereiro deste ano: 905 km². O número corresponde a 34% do total de estados. Em seguida está o Pará, com 28%; Amazonas, com 21%; e Rondônia, com 9,5%.

Segundo a pasta, dos quatro estados com maior desmatamento, em três deles houve uma queda expressiva nos índices no primeiro semestre de 2023.

O Pará, que vinha liderando o desmatamento, agora perdeu a liderança, uma perda positiva, para o estado do Mato Grosso”, explicou o secretário-executivo do Meio Ambiente, João Capobianco.

Já no Amazonas, a taxa de área desmatada estava seguindo uma tendência de alta nos últimos anos e sofreu uma queda de 55,2%. O ministério afirma que a redução está ligada à concentração de ações do Ibama no estado.

Leia Também:  "Vamos continuar entre os estados que mais investem”

O Mato Grosso contrariou a tendência geral, mantendo um índice alto e, segundo a pasta, será alvo de mais ações do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que há uma articulação sendo feita com os governos estaduais para tratar do assunto.

Área desmatada da Amazônia em cada estado:

Mato Grosso: 905 km² – 34%
Pará: 746 km² – 28%
Amazonas: 553 km² – 21%
Rondônia: 252 km² – 9,5%
Roraima: 122 km² – 5%
Acre: 38 km² – 1,5%
Manaus: 24 km² – 1%
Amapá: 6 km² – 0,2%
Tocantins: 2 km² – 0,1%

Na Amazônia, em comparação com junho de 2022, houve queda na área sob alerta de desmatamento em 41% em junho deste ano. Nos primeiros seis meses de 2023, foram identificados 2.649 km² em área desmatada.

O índice já vinha diminuindo desde janeiro. A pasta acredita que a curva de aumento do desmatamento nos últimos anos foi revertida.

O Deter produz um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura vegetal na Amazônia e no Cerrado. Apesar de não medir com precisão as áreas desmatadas, apresenta as tendências de evolução do desmatamento. Os dados exatos são reunidos pelo Prodes, também uma iniciativa do Inpe, anualmente.

Propaganda

ECONOMIA

Decretado falência definitiva do Grupo Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

Publicados

em

A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora Oi, após a administração judicial da companhia reportar ao magistrado a absoluta incapacidade financeira para manter as atividades essenciais do grupo. A decisão judicial derrubou os recursos interpostos pelas instituições bancárias credoras que buscavam a manutenção do processo de recuperação judicial e a consequente renegociação do passivo acumulado.

Diante da comprovação inequívoca do esgotamento total das reservas de caixa previsto para o término de agosto de 2026, a Corte Fluminense determinou a conversão imediata do procedimento recuperacional em falência, visando interromper o sangramento patrimonial da corporação.

O colapso financeiro da gigante de telecomunicações reflete-se com severidade nos balanços contábeis mais recentes apresentados ao Poder Judiciário. Com base em dados consolidados de março de 2026, o patrimônio líquido negativo da corporação ultrapassa a marca expressiva de R$ 22,6 bilhões, demonstrando a profunda assimetria entre os ativos disponíveis e o montante global de dívidas acumuladas.

As projeções de caixa, que indicavam uma disponibilidade de R$ 88,1 milhões no final de julho de 2026, sofreram uma corrosão acelerada desde abril do mesmo ano, quando os valores mantidos em conta corrente haviam despencado para escassos R$ 19,6 milhões.

A atual deliberação colegiada põe fim ao impasse jurídico iniciado em novembro do ano passado, ocasião em que a falência da operadora sediada no Rio de Janeiro fora decretada preliminarmente pelo juízo de primeiro grau. Naquela oportunidade, contudo, os maiores bancos credores do grupo notadamente o Itaú Unibanco e o Bradesco, obtiveram um efeito suspensivo mediante concessão de liminar, o que permitiu o retorno temporário da empresa à recuperação judicial.

Os estabelecimentos bancários alegavam que a liquidação judicial não representaria o meio mais eficaz para satisfazer as obrigações creditícias e defenderam a nomeação de um novo gestor para intermediar os acordos com os órgãos reguladores.

Como ato contínuo à decretação da falência, o Tribunal de Justiça nomeou o especialista Bruno Rezende para exercer as funções de administrador judicial no processo. Caberá ao profissional designado a responsabilidade legal de auxiliar o juízo nas diligências necessárias para arrecadar, avaliar e lacrar o patrimônio remanescente da companhia, além de elaborar a lista definitiva de credores.

Leia Também:  Entenda os bastidores da escolha do presidente na Câmara de Vereadores de Cuiabá

O administrador atuará diretamente na liquidação ordenada dos bens arrecadados para o pagamento dos passivos e promoverá a extinção formal das atividades empresariais das sociedades integrantes do grupo, estrita e rigorosamente dentro das exigências da lei vigente.

A tentativa derradeira de reestruturação empresarial buscava repactuar uma dívida consolidada da ordem de R$ 44 bilhões, cuja execução dependia da entrada de novos aportes operacionais. O plano aprovado na assembleia geral previa a captação de um financiamento internacional no valor de até US$ 655 milhões, dos quais US$ 505 milhões seriam injetados diretamente pelos credores financeiros.

Complementarmente, a empresa de infraestrutura V.tal, sob controle do BTG Pactual, aportaria entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no capital do grupo, plano este que restou inviabilizado diante do agravamento vertiginoso da insolvência operacional.

Antes do desfecho judicial, a severa escassez de recursos financeiros provocou o desabastecimento de serviços básicos e o descumprimento sistemático de obrigações contratuais com prestadores de serviços. No mês de julho de 2026, a fornecedora Sitelbra interrompeu a conectividade de redes estratégicas, tais como o sistema de lotéricas da Caixa Econômica Federal, o videomonitoramento estadual na Bahia e em Goiás e os canais de atendimento da concessionária Enel no Ceará.

Empresas como Nava Software, Nava Serviços e Hughes também paralisaram as suas atividades operacionais, exigindo a intervenção expressa do Judiciário para impor a restauração das linhas e fixar multa diária pelo descumprimento.

Para minorar o impacto da paralisação de serviços essenciais à população brasileira, a Justiça autorizou a alienação em leilão de ativos estruturais da operadora para outras empresas do setor. Em abril de 2026, a divisão de telefonia fixa residencial foi arrematada pela Método Telecomunicações, transação que incluiu a responsabilidade pela manutenção e operação das linhas destinadas aos atendimentos de emergência nacional, como os canais 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). O processo de transição visa garantir a integridade das comunicações públicas sem que haja a descontinuidade do suporte de emergência aos cidadãos.

Leia Também:  “Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”

Contudo, entraves operacionais e a ausência de interessados impediram a conclusão do plano de desinvestimento de outras unidades de negócios cruciais do grupo falido. O leilão da Oi Soluções, segmento focado na prestação de serviços de tecnologia a corporações privadas e órgãos públicos com lance mínimo de R$ 1,4 bilhão, encerrou-se em 17 de junho de 2026 sem a apresentação de nenhuma proposta formal.

Ademais, a alienação da fatia de 27,2% detida pela Oi na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões e destinada a fundos geridos pelo BTG Pactual, encontra-se judicialmente suspensa devido a recursos apresentados por credores e investidores minoritários.

Mesmo nos processos em que a liquidação dos bens obteve aprovação das instâncias competentes, o fluxo de caixa da tele permaneceu desprovido das receitas estimadas para honrar seus compromissos imediatos. A companhia ainda não recebeu o montante de R$ 60,1 milhões decorrente da alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos à Método Telecomunicações, leiloada em abril de 2026. A transferência efetiva desses recursos e a conclusão definitiva do contrato dependem do preenchimento rigoroso de certas condições regulatórias e homologatórias impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações e por instâncias concorrenciais.

O desfecho dramático encerra uma longa jornada de crises e reestruturações que se arrastava há uma década nos tribunais brasileiros. Em junho de 2016, a Oi ingressara em seu primeiro processo de recuperação judicial para renegociar R$ 65 bilhões em obrigações, procedimento que perdurou por seis anos até o seu encerramento em dezembro de 2022.

Apenas três meses após aquela homologação, em março de 2023, a empresa formalizou o segundo pedido de recuperação reportando novos R$ 43,7 bilhões em dívidas, culminando no atual decreto de falência após restar comprovada a impossibilidade prática de preservação da continuidade empresarial.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA