BRT OU VLT?
TCU suspende substituição do VLT pelo BRT; TCE diz que TCU é incompetente
O Tribunal de Contas da União (TCU) acatou o pedido de cautelar movido pela Prefeitura de Cuiabá e determinou ao Governo do Estado de Mato Grosso a imediata suspensão de todos os procedimentos administrativos relacionados à substituição do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo Ônibus de Rápido Transporte (BRT). O ato foi publicado em maio deste ano e é assinado pelo ministro Aroldo Cedraz no dia 6.
O ministro Aroldo Cedraz em sua decisão, ratificou os apontamentos feitos de forma constante pelo Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) desde que a possível troca de modal foi anunciada. No recurso conduzido pela Procuradoria Geral do Município (PGM), por exemplo, a Prefeitura cita que “tal decisão se deu de forma unilateral, sem qualquer espécie de participação da sociedade e dos municípios por onde o modal de transporte será implantado, qual seja, Cuiabá e Várzea Grande”.
Este é um dos fatores mencionados pelo ministro Aroldo Cedraz, que lembrou que o Estado já havia sido alertado pela Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano (SMDRU) sobre a necessidade cooperação dos governos locais nas discussões sobre o tema. O ministro destaca ainda que a decisão de alteração do modal de transporte público intermunicipal não possui respaldo da SMDRU.
Diz o trecho da decisão:
“Também não se pode considerar que a mera notificação do Município pelo Governo Estadual, mediante ofício, possa caracterizar efetiva participação ou colaboração do ente municipal nas imprescindíveis discussões que devem preceder mudança de tal monta, como demanda a legislação pertinente. Além disso, os entes federados são autônomos, possuem competências próprias e não possuem relação de subordinação entre si. Isso afasta o alegado imperativo de submissão do Município às decisões do ente estadual”.
Completou ainda dizendo:
“O estudo de implantação do VLT já contemplava o projeto executivo, enquanto a alternativa do BRT ainda está em estudos preliminares, nos quais estão ausentes, por exemplo, a avaliação ambiental e a aferição da necessidade de novas desapropriações. Com efeito, os autos revelam, desde a fase anterior ao presente recurso, conforme registrado na petição inicial, a inexistência, por exemplo, do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA)”.
TCE diz que TCU foi incompetente
O Pleno do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) durante sessão ordinária desta terça-feira (15), fixou entendimento de que compete ao órgão, e não ao Tribunal de Contas da União (TCU), a fiscalização dos procedimentos administrativos, dos recursos e das políticas públicas referentes a alteração do modal de transporte público de Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT) para Ônibus de Rápido Transporte (BRT) em Cuiabá.
A controvérsia, relativa a conflito de jurisdição, diz respeito a Representação de Natureza Externa (RNE) proposta pelo Município de Cuiabá contra o Governo do Estado. Ao solicitar a determinação de medida cautelar, a administração municipal alegou ausência de projetos básico e executivo, de estudos técnicos e de licenciamento ambiental relativos à troca do modal de transporte público de VLT para BRT.
“Antes de analisar o mérito da representação, a 3ª SECEX, entendeu pela necessidade de fixar a competência deste Tribunal para apreciar eventuais irregularidades referentes à troca de modal, sob pena de resultar em decisões de mérito divergentes, em prejuízo à segurança jurídica”, explicou o relator do processo, Conselheiro Valter Albano.
Na ocasião, o Conselheiro lembrou que o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu todos os procedimentos administrativos referentes à alteração do modal, em dissonância com a deliberação adotada pela Corte de Contas mato-grossense, que indeferiu a cautelar pleiteada ao constatar a regularidade do procedimento até então.
Assim, o Tribunal de Contas da União atraiu a competência para analisar a troca do modal pretendida pelo Estado, alegando que normas federais foram desrespeitadas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).
“Entretanto, isso não é suficiente para atrair a competência do órgão federal, no que se refere a inconsistências em processo licitatório e ou em contratações pelos estados”, pontuou o Conselheiro.
Deste modo, acolheu o parecer do Ministério Público de Contas (MPC) e determinou a adoção de medidas cabíveis à Consultoria Jurídica Geral para solucionar controvérsia. Seu posicionamento foi acompanhado por unanimidade pelo Pleno.
“Portanto, com esses fundamentos e precedentes, entendo que a deliberação exarada pelo senhor Ministro Aroldo Cedraz, ao suspender a licitação realizada pelo Estado de Mato Grosso, depois de decidido por este Tribunal que o procedimento, até então, estava regular e legal e poderia prosseguir, adentrou em questões que fogem à jurisdição do órgão federal”, concluiu Valter Albano.
Os votos
Ao acolherem o voto do relator, os conselheiros também se posicionaram com relação ao imbróglio que envolve alteração do modelo e destacaram a atuação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) na fiscalização dos recursos públicos despendidos para a realização da obra desde o início das intervenções que cortam a Capital.
“À época, emitimos relatório que foi utilizado pelo Ministério Público Federal para proposição da Operação Descarrilho. Assim é que foi constatado superfaturamento na aquisição dos vagões. O TCE efetivamente tem competência sim para fiscalizar obras, inclusive com recursos do estado, sejam contratados por empréstimo ou por fonte 100”, pontuou o presidente do TCE-MT, Conselheiro José Carlos Novelli.
Na ocasião, o Conselheiro Antonio Joaquim Moraes Rodrigues Neto fez uma retomada histórica do tema.
“Já foram gastos R$ 2 bi em uma obra inacabada. Então não tem como o Tribunal não se manifestar. Por isso fico tranquilo, porque sei do histórico e da preocupação desta Corte de Contas ao encaminhar esse assunto de forma adequada. Não estamos decidindo o mérito, se está certa ou errada a licitação, mas sim a competência”, asseverou.
Por sua vez, o Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida destacou o interesse público por uma solução.
“Na época muitos comércios fecharam as portas. A previsão mais cara era de R$ 1 bi, com a obra concluída. Hoje já foram mais de R$ 2 bi e lidamos com um processo de falta de decisão política que se arrasta, e quem perde é a população. Acredito que o TCE pode fazer história neste processo”.
Os conselheiros Guilherme Antonio Maluf e Waldir Teis lamentaram a ação do órgão federal.
“O TCU não colaborou, pelo contrário, colocou mais lenha na fogueira, o que vai perpetuar um problema que atravessa as ruas de Cuiabá e Várzea Grande”, disse Maluf.
“Esse assunto é espinhoso. Os ministros têm uma capacidade indiscutível, mas acredito que às vezes falta reflexão”, concluiu Teis.
Destaques
A complexa recuperação do líder cacique Raoni Metyktire
O cacique Raoni Metyktire, uma das lideranças indígenas mais respeitadas em âmbito planetário, foi submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal de emergência na tarde do último sábado, dia 20 de junho. O procedimento médico, considerado de alta complexidade em decorrência da idade avançada do paciente, mobilizou atenções internacionais e reacendeu o debate sobre a salvaguarda dos direitos dos povos originários do Brasil.
A intervenção cirúrgica ocorreu nas dependências do Hospital São Paulo, renomada instituição de saúde localizada na zona sul da capital paulista. A escolha da metrópole bandeirante como destino para o tratamento do líder ambientalista justificou-se pela necessidade imediata de infraestrutura tecnológica de ponta, indisponível nas regiões interioranas do país onde o líder reside.
O diagnóstico principal que motivou a transferência aérea e a operação subsequente envolveu um quadro severo de obstrução intestinal, associado a sintomas nítidos de desidratação e pneumonia aspirativa. Essa conjunção de fatores patológicos exigiu uma resposta médica ágil e coordenada, uma vez que o acúmulo de secreções pulmonares representava um risco iminente de insuficiência respiratória grave.

A equipe médica de elite responsável pelo caso executou o procedimento cirúrgico por meio de uma técnica moderna e minimamente invasiva. De acordo com o boletim oficial emitido pela assessoria de imprensa da unidade hospitalar, a desobstrução transcorreu sem intercorrências ou complicações técnicas, permitindo que a anatomia gastrointestinal do paciente fosse devidamente restabelecida.
A transferência definitiva do paciente para a capital paulista concretizou-se exatamente às 16 horas da última sexta-feira, dia 19 de junho, após uma complexa operação de transporte aeromédico. O cacique foi monitorado continuamente por médicos socorristas durante todo o trajeto interestadual, garantindo a estabilidade de seus sinais vitais até o momento do pouso.
O encaminhamento logístico foi decidido após uma criteriosa avaliação conjunta que envolveu médicos locais e especialistas paulistas, os quais alinharam condutas para garantir assistência em um centro de referência. A remoção estratégica visou mitigar os riscos inerentes ao isolamento geográfico e assegurar que o tratamento subsequente contasse com suporte intensivo de última geração.
Antes de sua chegada à capital de São Paulo, o veterano defensor da Amazônia encontrava-se sob cuidados intensivos no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, situado no município de Sinop, no estado de Mato Grosso. Aquela unidade hospitalar de médio porte forneceu os primeiros socorros e estabilizou o paciente, reconhecendo, contudo, a necessidade de intervenção de maior complexidade.

O histórico de fragilização da saúde do cacique iniciara-se semanas antes, mais precisamente no dia 7 de maio, quando ocorreu sua primeira internação devido a uma crise decorrente de hérnia crônica. Naquela oportunidade, as atividades oficiais do Instituto Raoni foram suspensas por tempo indeterminado, gerando as primeiras ondas de preocupação entre ativistas e chefes de Estado.
A reincidência dos sintomas manifestou-se de forma agressiva no dia 12 de maio, quando o líder indígena buscou atendimento inicial na Unidade de Pronto Atendimento de Peixoto de Azevedo. Posteriormente, após ser transferido para o Hospital Regional daquela localidade e sofrer crises respiratórias severas no dia 14, a família solicitou seu retorno definitivo à UTI de Sinop.
Após receber uma alta temporária em 25 de maio e sofrer nova recaída em 14 de junho, o paciente passou por uma endoscopia digestiva alta diagnóstica no dia 16. O monitoramento pós-operatório atual transcorre em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em São Paulo, onde o paciente permanece sob observação constante e com quadro clínico considerado estável pelos médicos.
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