METRALHADORA PRONTA PARA O ATAQUE

Nos bastidores políticos em VG pelo menos 6 pré-candidatos estão se articulando para a eleição de 2020

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Já tem gente roendo a corda em Várzea Grande, e eu vou pedir aos senhores secretários que estiveram com a prefeita Lucimar Campos, que não acendam uma vela para Deus e outra para o Diabo. Já vieram me dizer que tem gente bandeando para outro lado, o que eu peço é só lealdade a Lucimar”.

Esta metralhadora giratória foi do Senador da Republica pelo Partido Democrata (DEM), Jayme Veríssimo de Campos, na reunião do Democrata para oficializar apoio da sigla ao pré-candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), à Prefeitura de Várzea Grande, Kalil Baracat, com José Anderson Hazama (DEM) na chapa como vice.

Segundo o Senador Democrata, o recado já foi dado aos secretários que pretendem apoiar outras candidaturas nesta eleição municipal na Cidade Industrial.

Dentro do partido as opiniões divergem sobre a chapa encabeçada, pelo emedebista, alguns vereadores já articulam nos bastidores apoio a outros candidatos.

Outros nomes

Quem vem apresentando uma grande força política no município de Várzea Grande é o Partido Socialista Brasileiro (PSB), liderado pelo deputado estadual, Max Joel Russi, que apresentou o candidato Flavio Vargas para a disputa eleitoral neste mês de novembro.

Segundo o parlamentar estadual, a sigla não tem nenhuma pretensão em ter um nome em Cuiabá, mas em Várzea Grande será uma grande aposta com o nome do empresário Flavio Vargas que diz já ter 10 partidos apoiando a sua candidatura.

O Partido Verde (PV), também já deu carta branca para o médico Wallace Guimarães colocar seu nome para a aprovação popular como candidato da sigla a Prefeitura de Várzea Grande.

O presidente municipal do Partido Verde em Várzea Grande, Luiz Antônio Oliveira garante que a experiência e serviços prestados do medico Wallace Guimarães vai fazer a diferença nesta eleição.

Ele (Dr. Wallace) é uma pessoa experiente, com trabalhos prestados ao município, já foi testado pelas urnas e eleito duas vezes vereador, outras duas vezes deputado estadual e uma vez prefeito de nossa cidade”.

O Partido Verde (PV), atualmente conta com dois representantes na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), os deputados, Luís Amilton Gimenez, o “Dr. Gimenez” e Faissal Jorge Calil Filho, e segundo o líder municipal, o PV pretende ampliar a base estadual e ainda eleger representantes na Câmara Federal e no Senado em 2022. O projeto do PV é eleger o primeiro prefeito por Várzea Grande e fazer ao menos 5 vereadores pelo município no pleito este ano, para isso está costurando alianças com mais partidos e com uma candidatura majoritária própria.

Também potencializa o pleito democrático ao oferecer uma segunda opção aos mais de 200 mil eleitores do segundo colégio eleitoral de Mato Grosso.

Vamos levar para os munícipes uma opção de candidato a prefeito capacitado, comprometido, experiente e com serviços prestados, um morador há mais de 30 anos de Várzea grande, como médico, é uma pessoa humana e comprometida com a saúde pública”. Disse o presidente do PV Municipal em Várzea Grande, Luiz Antônio Oliveira.

O médico e ex-vice-prefeito da Cidade Industrial, Arilson Arruda, que se filiou ao PSDB também tem interesse de conseguir a cadeira numero 1 do município.

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) vem com a pré-candidatura do deputado federal Emanuel Pinheiro Neto para a Prefeitura de Várzea Grande. O movimento também atinge as articulações políticas em Cuiabá, já que pode indicar uma desistência de Emanuel Pinheiro (MDB) à reeleição.

Se para a cidade for frutífera uma candidatura de minha parte estou à disposição do partido para debater a pré-candidatura. O que eu quero é ajudar o município de Várzea Grande. Mas se for melhor para o município que continue servindo como deputado federal, vou seguir cumprindo minha missão”.

Outras siglas também já manifestaram interesse em apresentar seus nomes, como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que pode vir com o empresário do ramo de matérias para construção, Milton Dantas, (Miltão), o Partido Republicano Brasileiro (PRB) com empresário do ramo de panelas e reciclagem, Nicão Rei das Panelas ensaiou sua pré-candidatura, mas ainda não tem a definição do Partido.

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem um nome para disputar a prefeitura, mas não revelou quem, segundo nossa fonte, estão articulando primeiro apoiar um nome para prefeito se enfrentar resistência nos acordos, já tem uma “carta na manga”.

Várzea Grande é conhecida como capital da Política de Mato Grosso, por conta da longa historia de vitórias e conquistas da família Campos, tradicionais na cidade.

Se aproximando das eleições e os partidos se organizando, vão surgindo os pré-candidatos, já são vários nomes pré-candidatos a prefeitos por Várzea Grande, as articulações dão conta que pelo menos 6 podem entrar da disputa para a sucessão da prefeita Lucimar Sacre de Campos, mas alguns dos partidos ate o momento não confirmaram esta possibilidade.

Além das queimadas no Estado de Mato grosso, o clima está cada dia mais quente nos bastidores da política várzea-grandense, o mexe-mexe é intenso e praticamente todos os partidos já se movimentam para disputar a sucessão da prefeita Lucimar Campos (DEM).

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Pantaneiros, quilombolas e indígenas relatam destruição causada pelo fogo no Pantanal

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O desmatamento que reduz o volume de água no Pantanal, a dificuldade para combater o fogo, a destruição de roças e casas, a morte de animais e da vegetação, e as consequências depois que a chuva chegar foram debatidos na audiência pública remota sobre queimadas no Pantanal realizada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT).

Todos que estão na linha de frente combatendo o fogo estão expostos a morrer, respirando a fumaça e adoecendo. Estamos vivendo uma pandemia. Mas o fogo no Pantanal não é a doença. O fogo no Pantanal é a febre. Não adianta dar antitérmico sem tratar a doença. E muitos aqui disseram com clareza qual é a doença“, disse Lúdio.

Pelo aplicativo Zoom, a audiência reuniu mais de 100 pessoas, entre pantaneiros, indígenas, quilombolas, bombeiros, técnicos, pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), gestores públicos e parlamentares. A audiência abriu a programação da comissão do Congresso Nacional que visita o Pantanal neste fim de semana.

Moradores relataram o impacto do fogo nas comunidades.

Mais de 80% da nossa área foi queimada. A gente perdeu roça, perdeu casa, perdeu nossa medicação tradicional porque queimou grande parte da mata. Temos passado os últimos dias com muita tristeza. É muita fumaça, pessoas com dificuldade pra respirar. E nossa vida está em risco, porque não temos mais segurança alimentar, contou Alessandra Alves, indígena do povo Guató.

Leidiane Nascimento da Silva, da comunidade Pantanalzinho, de Barão de Melgaço, destacou a tristeza e impotência diante do fogo.

Vejo tudo aquilo que eu amo se acabando em chamas. O povo pantaneiro luta pelo Pantanal. É aqui que residimos, é de onde tiramos nosso sustento, disse. Maria Helena Tavares Dias, do Território Quilombola Vão Grande, de Barra do Bugres, contou que, todos os anos, a casa de algum morador queima. Não só os animais estão sendo mortos. As queimadas atingem nossas famílias. Nossas nascentes estão secando“.

Para a coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, Cláudia Sala de Pinho, falta visibilidade a quem conserva o bioma.

Tivemos pessoas fazendo guarda dia e noite para o fogo não entrar nas casas. É muito triste ver o Pantanal nessa situação. Mas é mais triste ainda saber que isso é um dos meios para retirar as comunidades tradicionais do Pantanal. Depois do incêndio é que vamos saber a dimensão do que isso vai causar nos nossos territórios e nas nossas vidas. O Pantanal é nossa casa, disse.

Estamos na maior área úmida do mundo, falando do fogo. É uma contradição. Nós, pantaneiros e pantaneiras, sentimos muito. Eu vou na beira do rio e dá vontade de chorar. Tem gente decidindo pelo Pantanal que não sabe o que é vida, só sabe o que é negócio. Enquanto para uns é o negócio, para nós é a vida que está ameaçada, disse Isidoro Salomão, ambientalista e membro da Sociedade Fé e Vida.

Avanço do fogo

Dados da ocupação do Pantanal apresentados pelo coordenador de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), Vinícius Silgueiro, mostram que 25% do território do bioma é ocupado por 32 grandes fazendas. Mais de 1,3 milhão de hectares foram queimados neste ano, ou seja, 22% do bioma.

Prevenção também é fiscalização, investigação e responsabilização, seja com multa, embargos ou restrição de crédito. Não podemos dar sinal de que crime ambiental não dá em nada, afirmou.

Este é o período que mais queimou desde o início do monitoramento de queimadas, em 1998“, informou Fabiano Morelli, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao exibir imagens de satélite que mostram o avanço do fogo e o rastro de destruição.

Cristina Cuiabália, da reserva Sesc Pantanal, relatou o combate às chamas na unidade de conservação e os projetos de recuperação do bioma.

A paisagem tem o homem pantaneiro, a mulher pantaneira e a biodiversidade, disse.

Causas sistêmicas dos incêndios

A pesquisadora Michele Sato, da UFMT, afirmou que o desastre no Pantanal é consequência de mudanças climáticas.

Estamos vivendo uma crise planetária sem precedentes. Projeções indicam que vai piorar“.

Solange Ikeda, pesquisadora da Unemat destacou a importância de conservar o Rio Paraguai e seus afluentes e explicou a dinâmica dos chamados “rios voadores”.

A água evapora do Oceano Atlântico, chega na Amazônia e é barrada pela cordilheira dos Andes. Então a água chega aqui no Centro-Oeste e no Sudeste e deságua em forma de chuva, disse.

Pantanal não é só onde alaga. Tudo que acontece no planalto interfere na planície. É importante haver política integrada para planalto e planície, para não permitir plantio de soja, como é permitido em outros biomas, disse a professora Onelia Rossetto, da UFMT.

Ela apontou ainda o plantio de espécies exóticas de pasto para engordar o gado e o baixo índice de áreas protegidas como fatores que agravam os incêndios no Pantanal.

André Luiz Siqueira, da Ecologia em Ação (Ecoa), criticou a postura do governo federal de culpar as unidades de conservação e defender a troca da vegetação do Pantanal por pasto.

Gado não é bombeiro do Pantanal. O principal regulador de desmatamento e incêndios do Pantanal é o Rio Paraguai, seus afluentes e suas áreas de inundação, afirmou.

A pesquisadora Viviane Layme, da UFMT, lembrou que, além do impacto imediato sobre a fauna, com a morte dos animais, haverá também o impacto do pós-fogo.

O que sobra para os sobreviventes? Escassez de água, aumento de temperatura, solo e água contaminados, perda de alimento e de locais para ninho. Além da vegetação e do banco de sementes perdidos com o fogo“, disse.

A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB, Gláucia Amaral, propôs um plano de emergência para alimentar os animais no pós-fogo, enquanto a vegetação e os rios se recuperam.

Marcelo Latterman, da Campanha de Clima e Justiça do Greenpeace, sugeriu um decreto de emergência climática.

Mato Grosso pode ter essa posição de vanguarda no Brasil, para aumentar a pressão sobre os entes públicos, disse.

Dificuldades dos órgãos responsáveis

A superintendente substituta Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Cibele Xavier Ribeiro, apresentou o contexto das brigadas em Mato Grosso e citou a limitação do órgão, que pode atuar somente em unidades de conservação e terras da União. Alex Marega, adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), destacou dificuldades no combate ao fogo e a reincidência dos crimes ambientais.

O Pantanal chegou nesse ponto agora por um conjunto de fatores. Áreas que deveriam estar alagadas nesse período estão completamente secas“, disse.

O coronel aposentado do Corpo de Bombeiros Paulo Barroso, que preside o Comitê do Fogo de Mato Grosso, afirmou que é necessário treinar mais brigadistas na região.

Agora estamos desesperados querendo apagar fogo e resgatar animais. Depois, quando chover, e as cinzas forem carreadas para os rios, vão matar muitos peixes e criar um desastre na economia local para quem depende disso“, observou.

A promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini cobrou punição.

A responsabilização tem que ser exemplar. Além do desmatamento dentro do Pantanal, há também a drenagem das áreas úmidas, que altera todo o ciclo geológico do Pantanal. Ela tem sido feita nas cabeceiras, no planalto, e também na planície, para propiciar a agricultura em áreas impróprias, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, afirmou que o desmatamento das nascentes para plantio de soja e algodão também está acabando com o Pantanal.

O pecuarista e empresário do turismo Leopoldo Nigro cobrou uma legislação específica para o Pantanal, como existe em outros biomas.

Política antiambiental

A deputada federal Rosa Neide (PT-MT) criticou a postura negacionista do governo federal quanto às mudanças climáticas.

Temos que colocar o dedo na ferida. Se não planejarmos agora, o desastre no ano que vem será ainda maior, alertou.

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) cobrou investimento e atuação do governo federal, com envio das Forças Armadas para combater os incêndios.

Podemos aprimorar a legislação e cobrar responsabilidade de um governo que faz política antiambiental, disse.

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, observou que a bacia do Paraguai abastece todo o sul do país e propôs fazer ajustes na Lei do Pantanal.

“A boiada está passando. Nenhum governo foi tão devastador para o meio ambiente”, disse Helica Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).

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