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OPERAÇÃO RETOMADA II

Mato Grosso é alvo de operação da PF contra suposta quadrilha de grileiros

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Na manhã desta quarta-feira 06, na Operação Retomada ll, a Polícia Federal (PF) cumpriu 11 mandados para desarticular uma quadrilha formada por um grupo de engenheiros, advogados e servidores que cometiam fraudes para invadir e desmatar terras da União. Cerca de 80 policiais participam da Operação Retomada ll.

Segundo as informações, cerca de 22 mil hectares de terras foram grilados pelo grupo. As terras eram utilizadas para criação de rebanho bovino, e com a venda de madeira ilegal advinda com o desmatamento para a inserção de gado.

Os mandados foram cumpridos em Mato Grosso e no Estado do Pará. Uma família de agropecuarista que possivelmente fazem parte da ORCRIM, também foi alvo que também poderia participar da organização criminosa. Além de duas empresas de Regularização Fundiária, bem como o escritório de uma advogada que teria acesso privilegiado a autuações e embargos realizados por uma autarquia ambiental federal.

Pelas informações o escritório da advogada alvo na operação teria acesso privilegiado a atuação e embargos realizados por uma autarquia ambiental federal. A advogada é investigada por negociar os pagamentos de propinas aos servidores do estado que teriam flagrado os desmatamentos.

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A Justiça Federal determinou o bloqueio de cerca de R$ 116 milhões de reais, e nove imóveis pertencentes ao grupo. Além do afastamento de servidores públicos.

Durante as investigações identificou-se que empresas, por meio de seus sócios e funcionários, teriam fraudado cadastros de áreas públicas da União através da inserção de dados falsos em sistemas e falsificação de documentos. Os funcionários das empresas atuavam, ainda, no planejamento e acompanhamento em tempo real do desmatamento.

Os funcionários acompanhavam em tempo real os planejamentos e os desatamentos cometidos pela organização criminosa.

A primeira fase da Operação Retomada foi realizada no início deste ano, na oportunidade foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos municípios de Novo Progresso (PA), e em Sinop (MT). Durante a operação 11 fazenda, 20 imóveis e vários veículos foram sequestrados. E 10 mil cabeças de gados ficaram indisponíveis por determinação judicial.

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Desigualdade persistente afasta jovens negras das melhores oportunidades no mercado de trabalho brasileiro

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As jovens mulheres negras continuam enfrentando os maiores obstáculos no mercado de trabalho brasileiro, registrando os piores indicadores de desocupação, informalidade, desalento e renda entre os diferentes grupos populacionais. Os dados revelam que, apesar dos avanços sociais observados nas últimas décadas, as desigualdades estruturais permanecem como uma barreira significativa para a inclusão econômica dessa parcela da população.

As informações integram relatório divulgado pela Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2025, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo analisou as condições de inserção de jovens entre 14 e 29 anos no mercado de trabalho brasileiro.

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação das mulheres negras alcança 24,7%, tornando-se uma das mais elevadas do levantamento. O índice é 1,4 vez superior ao registrado entre homens brancos da mesma faixa etária, evidenciando que as desigualdades raciais e de gênero se manifestam já nos primeiros contatos dos jovens com o mercado de trabalho.

Na faixa etária de 18 a 24 anos, considerada pelos pesquisadores como o período mais importante de transição entre a educação formal e a atividade profissional, o cenário torna-se ainda mais preocupante. Nesse grupo, a taxa de desocupação das mulheres negras atinge 16,5%, percentual 1,6 vez superior ao observado entre homens brancos, demonstrando que as oportunidades continuam distribuídas de forma desigual.

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A realidade permanece adversa também entre as jovens de 25 a 29 anos. Segundo o estudo, a taxa de desocupação das mulheres negras alcança 10,3%, quase o dobro da verificada entre mulheres brancas e 2,8 vezes superior à registrada entre homens brancos da mesma faixa etária. Os números indicam que as dificuldades de inserção profissional não diminuem significativamente com o avanço da idade.

Além das barreiras para obter emprego, as desigualdades também se refletem nos rendimentos. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras correspondeu a apenas 46,5% do recebido pelos homens brancos. A diferença salarial de 53,5% demonstra que a disparidade econômica permanece elevada e praticamente inalterada ao longo dos últimos anos.

O acesso ao trabalho formal também segue restrito para grande parte das jovens negras. A taxa de informalidade entre esse grupo chegou a 39,1%, percentual aproximadamente dez pontos percentuais superior ao registrado entre jovens mulheres brancas. Apenas os homens negros apresentam situação mais vulnerável nesse indicador, com índice de informalidade de 44,2%.

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Outro aspecto preocupante identificado pelo levantamento é o desalento, condição caracterizada pela desistência da procura por emprego. As mulheres negras representam 38,7% de todos os jovens desalentados do país, enquanto os homens negros correspondem a 36,1%. Entre aquelas com idade entre 25 e 29 anos, a participação no contingente de desalentados alcança expressivos 44,2%.

Os dados demonstram que os desafios enfrentados pelas jovens negras ultrapassam a esfera educacional e refletem problemas mais amplos de natureza econômica, social e institucional. Embora a qualificação profissional seja um fator relevante para a inserção no mercado de trabalho, o estudo aponta que as desigualdades persistem mesmo diante dos avanços educacionais observados entre as mulheres brasileiras.

O diagnóstico apresentado pelo relatório reforça a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades. Mais do que diferenças estatísticas, os números revelam a permanência de mecanismos estruturais de exclusão que limitam o acesso de jovens mulheres negras ao emprego formal, à renda e à ascensão profissional, perpetuando desigualdades históricas no mercado de trabalho e na sociedade brasileira.

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