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FALTA DE VALORIZAÇÃO

“Essa imagem dos uniformes escolares dentro de lixeiras me deixou indignado”

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Nesta última terça-feira (27), um vídeo que circulou nas redes sociais, mostrando alguns estudantes da Escola Estadual Professora Eliane Digigov Santana, do Bairro Bela Vista, em Cuiabá, da rede estadual de ensino jogando uniformes entregues gratuitamente pelo Governo do Estado no lixo. Indignando com a situação, e com as atitudes dos estudantes, um morador gravou as imagens dos alunos jogando fora os uniformes escolares dentro de lixeiras na rua, além de outros materiais que foram recolhidos pelo próprio morador no meio do caminho.

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc), ressaltou que o uniforme é composto por mochila, tênis, meias brancas, camisetas, bermudas, agasalho completo (inverno) e calça jeans para o ensino médio, e informou que a escola onde os alunos estudam já se reuniu com os responsáveis pelos estudantes, assim como quais medidas serão tomadas em relação ao caso.

Ainda não foi definido pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), quais medidas serão tomadas, mas é possível que os alunos sejam advertidos ou até mesmo punidos.

A atitude dos alunos causou reações negativas nas redes sociais. Muitos internautas criticaram a falta de valorização dos materiais, que são doados pelo Governo do Estado de Mato Grosso para auxiliar os estudantes.

Usando das redes sociais, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) teceu duras críticas do comportamento dos estudantes, e disse que a responsabilidade pela atitude não é dos professores e muito menos da direção escola, e recomendou aos pais que deixassem os filhos de castigo para ensinar valores.

Muita gente falando que é culpa de professor, culpa de diretor. Negativo. Isso são valores. A responsabilidade é de pai e de mãe. Se você tem filho, chama seu filho, explica prá ele a importância desse uniforme que custa dinheiro de muitas pessoas que estão trabalhando para pagar imposto e coloca seu filho de castigo, dê o exemplo para ele“.

Uso obrigatório de uniformes

Após tomar conhecimentos dos fatos ocorridos, na noite desta quarta-feira (28), o governador Mauro Mendes Ferreira (UB), enviou para a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), um Projeto de Lei que torna obrigatório o uso dos uniformes nas escolas estaduais de Mato Grosso.

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Conforme o governador Mauro Mendes, a proposição visa evitar episódios como o ocorrido nesta última terça-feira, ocasião na qual alunos da Escola Estadual Professora Eliane Digigov Santana, do Bairro Bela Vista, em Cuiabá, foram flagrados jogando no lixo os uniformes entregues pelo Governo do Estado.

Essa imagem me deixou indignado, e tenho certeza que muitos mato-grossenses também. Apesar de ser um caso isolado, já determinei a abertura de uma sindicância para apurar o que realmente aconteceu naquela escola e já estamos tomando outras providências. Uma delas foi tornar obrigatório o uso de uniforme e vamos fazer isso em forma de lei”, afirmou Mauro Mendes.

O governador Mauro Mendes registrou que o Projeto de Lei já conta com apoio popular, pois foi enviado após consulta pública feita por ele em suas redes sociais.

Quase 10 mil pessoas votaram e 95% se mostraram a favor. Nas escolas públicas do Estado de Mato Grosso, o Governo vai continuar a fornecer esse uniforme gratuitamente, como tem feito ao longo dos últimos anos, e nenhum aluno poderá acessar a sala de aula se não tiver devidamente uniformizado, relatou.

Sendo aprovado pelos deputados estaduais, o Projeto de Lei vai condicionar o uso do uniforme para que os estudantes possam ingressar na escola.

Entende-se por uniforme mínimo obrigatório o uso de camisa e bermuda ou calça fornecida pela gestão escolar, bem como tênis, fornecido ou não pela Administração Pública”, diz trecho da proposição.

Além disso, de acordo com o Projeto de Lei, as escolas estaduais deverão documentar a entrega dos uniformes aos alunos e aos responsáveis, para que os mesmos fiquem responsáveis pelas vestimentas.

O acesso de aluno da rede estadual de ensino sem o uniforme mínimo obrigatório de que trata o 1º do art. 1 desta lei implica na caracterização de falta ao estudante, para todos os efeitos educacionais cabíveis, e na apuração da responsabilidade funcional do gestor escolar da respectiva unidade”, afirma outro trecho do Projeto de Lei.

Investimentos

Somente neste ano, o Governo de Mato Grosso já investiu R$ 116 milhões para a compra dos uniformes e materiais escolares a todos os estudantes da rede estadual.

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Além do uniforme completo com camisas, calças, blusas, mochila e tênis, os alunos recebem também um kit escolar com estojo, lápis de cor, lápis grafite, apontador, tesoura escolar, cola, rolo de barbante, caderno de desenho, caderno brochura, tinta guache, canetas, régua, esquadro, entre outros.

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Destaques

Liberdade de escolha no trabalho é direito: pressão por voto pode caracterizar assédio eleitoral

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O voto é um direito individual e secreto, e a relação de trabalho não pode ser utilizada para constranger trabalhadores ou influenciar suas escolhas políticas. Em períodos eleitorais, ameaças, intimidações, promessas de vantagens ou outras formas de pressão relacionadas à preferência eleitoral podem caracterizar assédio eleitoral e gerar consequências nas esferas trabalhista e eleitoral. O alerta integra as ações de prevenção promovidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para proteger a liberdade de escolha dos trabalhadores.

A prática pode ocorrer quando empregadores, gestores ou superiores hierárquicos utilizam a posição profissional para tentar direcionar o voto de empregados, servidores ou outros trabalhadores vinculados à atividade. Entre as condutas apontadas pelo MPT estão ameaças de demissão, perda de função ou redução salarial, além da promessa de benefícios condicionados ao resultado eleitoral ou à escolha de determinado candidato.

Também podem configurar assédio eleitoral situações em que trabalhadores são pressionados a participar de atos de campanha, utilizar roupas ou símbolos relacionados a candidatos, compartilhar conteúdos políticos, comparecer a reuniões destinadas a orientar escolhas eleitorais ou demonstrar publicamente sua preferência política. A caracterização, contudo, depende das circunstâncias concretas de cada caso e da finalidade de influenciar ou manipular a manifestação política do trabalhador.

A quem se aplica essa proteção? Segundo orientações do MPT, o assédio eleitoral pode atingir trabalhadores de diferentes vínculos e ocorrer tanto no setor privado quanto na administração pública. Empregados, servidores, terceirizados, estagiários, autônomos e outros trabalhadores podem ser alcançados por práticas de coação, intimidação, ameaça ou constrangimento relacionados ao processo eleitoral.

Por que a conduta é considerada grave? Porque a liberdade de escolha política integra os direitos fundamentais protegidos no processo eleitoral e nas relações de trabalho. O MPT destaca que o poder diretivo do empregador possui limites e não autoriza interferências indevidas na orientação política ou no exercício do voto pelo trabalhador. O voto, por sua natureza, deve expressar a vontade individual do eleitor, sem submissão a pressões econômicas ou profissionais.

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Quando uma situação pode exigir atenção especial? Principalmente quando existe uma relação entre a manifestação política exigida e alguma consequência profissional, como ameaça de dispensa, promessa de promoção, concessão de vantagem, redução de direitos ou tratamento discriminatório. A fiscalização ou cobrança sobre o voto também aparece entre os exemplos de condutas que podem caracterizar assédio eleitoral.

Onde essas práticas podem ocorrer? O assédio eleitoral não está restrito ao ambiente físico da empresa. Conforme orientação institucional do MPT, a conduta pode ocorrer presencialmente ou por meios virtuais, inclusive em situações relacionadas ao trabalho. Reuniões, mensagens, grupos de comunicação e outras formas de interação profissional podem ser utilizadas para exercer pressão indevida sobre trabalhadores.

Quem presencia ou sofre esse tipo de situação pode procurar os canais oficiais das instituições competentes para registrar uma denúncia. O MPT mantém mecanismos próprios de recebimento de relatos e atuação sobre irregularidades trabalhistas, enquanto as autoridades eleitorais também possuem atribuições relacionadas à proteção da liberdade do voto. A formalização da denúncia permite que os órgãos responsáveis avaliem os fatos e adotem as providências cabíveis.

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A legislação eleitoral também estabelece mecanismos destinados a proteger o sigilo e a liberdade do sufrágio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforça que o voto é secreto e que as regras eleitorais buscam impedir situações capazes de revelar ou constranger a escolha do eleitor. No ambiente de trabalho, portanto, qualquer tentativa de transformar a relação profissional em instrumento de pressão política deve ser analisada pelas autoridades competentes conforme as circunstâncias do caso.

Diante desse cenário, trabalhadores e empregadores têm responsabilidades distintas no período eleitoral: enquanto o trabalhador deve ter preservada sua liberdade de escolha, o empregador deve respeitar os limites legais de sua atuação. A orientação das instituições responsáveis é clara quanto à necessidade de prevenir e combater práticas que comprometam o voto livre e secreto.

Em caso de ameaça, constrangimento ou promessa de vantagem vinculada à escolha eleitoral, o registro pelos canais oficiais pode contribuir para a apuração dos fatos e para a responsabilização, quando houver comprovação de irregularidade.

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