ESCOLHIDO O MAIS VOTADO
Deosdete Cruz Junior: “O escolhido”
A lista tríplice com os nomes dos candidatos à vaga de desembargador destinada ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT), pelo Quinto Constitucional foi apresentado pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT) nesta quinta-feira (27). A vaga foi aberta após a aposentadoria do desembargador Guiomar Teodoro Borges.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), desembargador José Zuquim Nogueira, foi quem recebeu a lista quádrupla com os nomes dos candidatos nesta terça-feira (25) pelo Procurador-Geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, e que foi votado na escolha de 3 nomes pelos desembargadores e desembargadoras votarão em três nomes que formarão a lista tríplice que posteriormente foi encaminhada ao Governador do Estado, Mauro Mendes Ferreira (UB), para escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça Mato-grossense.
A escolha foi feita pelo voto dos integrantes do Conselho Superior do Ministério Público e terminou com empate. O resultado final da votação foi: Deosdete Cruz Junior, 11 votos; Marcelo Caetano Vacchiano, 11 votos; Marcelo Lucindo Araujo, 11 votos; e Milton Pereira Merquiades, 11 votos.

O escolhido
O procurador de Justiça do Estado de Mato Grosso, Deosdete Cruz Junior, acabou sendo o escolhido pelo governador Mauro Mendes (UB), para o cargo de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (T/MT). Ele foi o mais votado, hoje, pelos desembargadores que receberam a lista com 6 nomes votados pelos membros do Ministério Público e escolheram 3 candidatos.
Deosdete Cruz liderou a lista tríplice com 32 votos. Também concorreram a vaga e estavam na lista tríplice o procurador Marcelo Caetano Vacchiano, que obteve 30 votos, e o promotor Milton Pereira Merquiades, com 21 votos.
A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira.
“Desejo sucesso ao procurador. Tenho certeza de que ele fará um trabalho de excelência no TJ, assim como realizou no Ministério Público”, parabenizou o governador Mauro Mendes.
Deosdete Cruz vai ocupar a vaga pelo quinto constitucional do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT), após a aposentadoria do desembargador Guiomar Teodoro Borges, no início de fevereiro.

Polêmica da escolha
O deputado federal Emanuel Pinheiro Neto, o Emanuelzinho Pinheiro (MDB), chegou de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a votação da lista tríplice à vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT). Emanuelzinho queria impedir a indicação de Deosdete Cruz Junior, ex-procurador-geral de Justiça (PGJ), à vaga. A reclamação foi encaminhada ao STF no dia 27 de fevereiro.
Emanuelzinho Pinheiro em seu documento, destaca que a lista sêxtupla se tornou uma lista quádrupla, o que seria uma afronta à Constituição, em seu entendimento, e diversos membros atribuíram a votação a “cartas marcadas”. E para sustentar, ele anexou a imagem de um jornal, no qual cita que mulheres não se inscreveram em protesto contra “uma escolha já acertada”. E destacou também que Deosdete Cruz não poderia nem compor a lista, pois ele possui um Processo Disciplinar Interno, ainda sem trânsito em julgado.
Denúncia anterior
O parlamentar federal, denunciou também no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) uma suposta relação entre o governador e o ex-procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz, que disputava uma vaga de desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pelo Quinto Constitucional. Segundo o deputado, Deosdete teria feito “vista grossa” às irregularidades do governo estadual.
Emanuelzinho Pinheiro contou que fez a denúncia após juízes e promotores comentarem sobre a relação do ex-procurador-geral com o governador. Ele também levantou suspeitas sobre entre os dois, já que, em sua visão, Deosdete Cruz teria “blindado” o governador Mauro Mendes no órgão ministerial.
O deputado federal Emanuelzinho Pinheiro em sua denúncia ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), levantou suspeitas sobre a relação entre Deosdete e a família Mendes. Ele citou que o ex-procurador deixou de apreciar denúncia contra o governador sobre a utilização de uma UTI aérea do Estado para ir a uma festa particular, o que classificou como uma “inércia gravíssima”.
Destaques
Deepfakes se tornam mais acessíveis e difíceis de identificar com avanço da IA
Vídeos de candidatos fazendo declarações que jamais deram, áudios com vozes praticamente idênticas às de figuras públicas e fotografias produzidas artificialmente estão cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos reais. Com a evolução e a popularização da inteligência artificial generativa, os deepfakes devem exigir atenção redobrada dos eleitores durante as eleições de 2026, diante do risco de manipulação da informação e de disseminação de conteúdos falsos capazes de influenciar o debate público.
Deepfake é uma técnica de produção ou manipulação de conteúdo digital por meio da inteligência artificial, capaz de fazer uma pessoa parecer dizer ou realizar algo que nunca disse ou fez. A tecnologia pode ser aplicada a vídeos, fotografias e áudios, permitindo a reprodução artificial de rostos, a alteração dos movimentos labiais e a clonagem de vozes, com resultados cada vez mais sofisticados e semelhantes aos registros autênticos.
Nos primeiros anos de popularização dos conteúdos produzidos por Inteligência Artificial, determinados erros eram relativamente fáceis de identificar. Mãos com dedos extras, olhos desalinhados, ausência de piscadas e movimentos faciais artificiais tornaram-se alguns dos sinais mais conhecidos. Com a evolução dos modelos de IA, entretanto, a simples procura por esses defeitos já não é suficiente para determinar se uma imagem, um vídeo ou outro material digital é verdadeiro.
Um especialista em IA procurado pelo Blog do Valdemir diz que:
“Os sistemas atuais melhoraram significativamente. Ainda existem sinais que merecem atenção, como pequenas alterações no contorno do rosto durante o movimento, diferenças entre os movimentos dos lábios e a fala, sombras e reflexos incompatíveis com a iluminação da cena, textura da pele que muda de um quadro para outro, acessórios que aparecem e desaparecem, textos e objetos que se deformam e movimentos corporais pouco naturais”, explica o especialista.
Os áudios representam um desafio ainda maior para a identificação de falsificações. Sistemas modernos conseguem reproduzir timbre, sotaque e outras características individuais da fala a partir de amostras relativamente curtas da voz original. Alguns elementos podem despertar suspeita, como a ausência de respirações naturais, ritmo e volume excessivamente uniformes, pausas incomuns, entonação incompatível com o conteúdo da mensagem, pronúncia estranha de nomes próprios e mudanças abruptas de volume ou timbre.
O especialista ressalta, contudo, que nenhum desses indícios comprova, isoladamente, que determinado conteúdo é falso. Por isso, a verificação deve começar pela procedência do material.
“A melhor recomendação ainda é verificar a origem, em vez de confiar apenas na aparência. Deve-se perguntar: quem publicou primeiro? O material aparece nos canais oficiais daquela pessoa? Há registro do evento completo? Veículos jornalísticos confiáveis registraram aquela declaração? Existem versões anteriores do mesmo vídeo?”, pondera.
Ferramentas acessíveis ao público, como Deepware Scanner e Hive, também podem auxiliar na análise de conteúdos em busca de indícios de manipulação ou geração por Inteligência Artificial. Esses serviços, porém, não devem ser interpretados como uma comprovação definitiva da autenticidade ou falsidade de um material.
“Eles fornecem indícios e probabilidades, não um ‘certificado da verdade’. Diante de um conteúdo polêmico ou muito grave, a regra mais segura continua sendo não compartilhá-lo imediatamente, confirmar sua origem em mais de uma fonte independente e buscar informações em veículos jornalísticos e canais oficiais”, afirma.
Além da crescente sofisticação tecnológica, a velocidade de circulação das informações nas redes sociais representa outro obstáculo. Os algoritmos de recomendação não foram concebidos como ferramentas de verificação de fatos, mas como sistemas destinados a selecionar conteúdos capazes de despertar interesse e manter os usuários nas plataformas. A desinformação, frequentemente baseada em surpresa, medo, indignação ou escândalo, pode gerar elevado engajamento antes que a autenticidade do material seja devidamente apurada.
“Um vídeo falso atribuindo uma declaração absurda a um candidato pode receber milhares de compartilhamentos antes que jornalistas, especialistas ou a própria plataforma consigam verificar sua autenticidade, causando estragos que ultrapassam a barreira do ambiente digital e podem perpetuar-se no mundo real como uma suposta verdade. Criar e publicar uma falsificação pode levar poucos minutos, enquanto realizar uma perícia, confirmar a origem, produzir uma checagem e comunicar essa informação a milhões de pessoas demanda muito mais tempo. Essa assimetria de velocidade impõe uma barreira significativa à contenção desses conteúdos”, alerta.
Para reduzir os riscos durante o período eleitoral, a resposta precisa ocorrer simultaneamente em diferentes frentes, com identificação clara de conteúdos sintéticos, sistemas automáticos de detecção acompanhados de revisão humana, redução temporária da recomendação de materiais suspeitos, mecanismos que dificultem compartilhamentos massivos e canais prioritários para denúncias relacionadas às eleições.
“A resposta precisa combinar tecnologia, legislação, educação midiática, jornalismo profissional e comportamento responsável dos próprios usuários”, conclui o especialista.
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