ARTIGO
Wellington Fagundes: – Enfim, a grande reforma!
Enfim, a grande reforma!
Autor: Wellington Fagundes –
Em 2012, portanto, há oito anos, uma acadêmica apresentou defesa de tese para conclusão do curso de Ciências Contábeis, em que ela fez o seguinte relato:
“A reforma tributária tem sido amplamente discutida pelos produtores e consumidores que vêem a necessidade de que o Governo crie uma proposta que venha simplificar e harmonizar o atual Sistema Tributário Nacional para garantir maior eficiência e competitividade à produção brasileira, reduzindo a carga fiscal, para que com isso haja uma produção mais eficiente e contribuição para o crescimento das empresas“.
Nesta sexta-feira, dia 31, ao reinstalar a Comissão Especial Mista da Reforma Tributária, a expectativa inicial é de que não seja apenas ‘mais uma ampla discussão da reforma tributária’. Sob a presidência do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), tampouco se espera que seja uma ‘reforma parcial’. O assunto é espinhoso em terreno árido, mas que, de toda sorte, precisa ser enfrentado com muita determinação, para que, ao final, emirja uma nação moderna e eficiente.
E quando se fala em nação moderna e eficiente, não podemos pensar em um país rico para ricos, mas de um país rico que seja justo com todo o seu povo, onde, sem falsa retórica, as oportunidades sejam iguais para todos, em que haja abundância, sobretudo, no aspecto da saúde, segurança e educação e assistência. Daí, por mais complexo que seja, se faz de vital importância a participação ampla de todos os elementos ativos da sociedade.
A reforma tributária, a rigor, deveria ser a primeira de todas as reformas estruturais que o Brasil precisa para ocupar o patamar da modernidade. Não foi. Porém, antes tarde do que nunca.
A busca pela harmonização do Sistema Tributário Nacional deve-se dar de fato, sobre as regras máximas de simplificação e desburocratização. Deve ser construída observando, acima de tudo, a capacidade contributiva do tecido social brasileiro, porque quem ganha menos não pode pagar o mesmo que aqueles que ganham mais. Lamentavelmente, no Brasil os pobres pagam proporcionalmente mais impostos que os ricos. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada), quanto menor a renda do trabalhador brasileiro, mais tributos ele paga em relação ao total do que ganha.
Hoje 10% mais pobres contribuem para o Tesouro com 32% de seus rendimentos; enquanto isso, os 10% mais ricos, contribuem com apenas 21%. Essa conta não fecha.
Importante observar que a desigualdade no pagamento de impostos acontece porque a arrecadação brasileira está concentrada em cobrar impostos de bens e serviços, como sabonete e passagem de ônibus, consumidos em proporção maior pelas pessoas mais pobres e não na renda. Essa dinâmica precisa mudar, invertendo a lógica da tributação, que deve atingir, especialmente, o capital imobilizado e especulativo, que nada acrescenta.
Criar novos impostos – aumentando a carga tributária – deve ser assunto vencido, fora de cogitação. Ao modernizar o sistema tributário, o efeito prático será um ataque direto a evasão de receita, cujo índice impressiona: chega à casa dos 27% do que se arrecada, algo em torno de 9 a 10% do PIB. É muito! Não… É um absurdo.
Aliás, único tributo aceito neste momento será a taxação das grandes fortunas, no que quero fazer coro com a organização “Milionários pela Humanidade”, que há poucos dias publicaram uma carta, assinada por 83 donos de fortunas, em que pediram para os governos cobrassem mais impostos do grupo dos mais ricos entre a população como forma de combater o efeito da pandemia.
Na semana passada, ao participar de uma live com especialistas para tratar dos cenários futuros do Brasil pós-pandemia, sobretudo no tocante a geração de emprego, um relato me chamou a atenção e que ilustra bem onde precisamos chegar:
“Fui tentar convencer um empresário do México a investir em Mato Grosso. Esse grande empresário disse que teria todo o interesse, não fosse a experiência de conhecer um andar inteiro de um edifício em São Paulo de uma outra empresa. Esse andar tinha com dezenas de contadores e funcionários e era destinado apenas e tão somente a cuidar da contabilidade fiscal“.
Segundo o Portal Tributário, o Brasil conta atualmente com 93 tributos que acabam obrigando as empresas a gastarem mais de 2 mil horas com apurações e obrigações acessórias por ano. Isso, por si só, mostra o quanto precisamos insistir na simplificação e na desburocratização do Brasil.
Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso e membro da Comissão Especial Mista da Reforma Tributária
Artigos
Todo mioma precisa ser operado?
Autor: Acir Novaczyk* –
Essa é uma das perguntas que mais ouvimos quando o assunto é mioma uterino. E a resposta é simples: não, nem todo mioma precisa ser operado.
Os miomas são tumores benignos do útero e podem se apresentar de maneiras muito diferentes. Há mulheres que convivem com eles sem sintomas importantes e podem apenas ser acompanhadas. Em outros casos, porém, o mioma pode provocar sangramento menstrual intenso, anemia, dor, sensação de peso na pelve ou outras repercussões que levam à necessidade de tratamento.
Mesmo assim, tratamento não é sinônimo de cirurgia. A decisão depende dos sintomas, do tamanho, número e localização dos miomas, da idade da paciente, do desejo de engravidar e de outros aspectos que precisam ser avaliados individualmente.
Quando existe indicação cirúrgica, surge então uma segunda pergunta: qual cirurgia?
Esse é um ponto fundamental. Não existe uma técnica única para todos os miomas. O planejamento cirúrgico começa pela compreensão detalhada de onde eles estão localizados, suas dimensões e sua relação com a cavidade uterina e outras estruturas.
Hoje, a cirurgia ginecológica minimamente invasiva permite tratar muitos casos por meio da histeroscopia, da laparoscopia ou da cirurgia robótica. Na histeroscopia, determinados miomas relacionados à cavidade uterina podem ser abordados pelo canal vaginal e colo do útero, sem incisões no abdômen.
Na laparoscopia, a cirurgia é realizada por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e instrumentos específicos.
Já na cirurgia robótica, também realizada por pequenas incisões, o cirurgião controla um sistema robótico que proporciona visão ampliada e movimentos precisos dos instrumentos, podendo ser uma opção especialmente útil em procedimentos ginecológicos de maior complexidade.
Em muitos casos, também é possível realizar a miomectomia, retirando os miomas e preservando o útero. Isso é especialmente relevante quando existe desejo reprodutivo, embora a decisão de preservar o útero envolva outros fatores além da intenção de engravidar.
Por isso, mais importante do que perguntar se existe uma técnica “melhor” para operar miomas é entender qual é a melhor técnica para aquela paciente.
A evolução da cirurgia ginecológica trouxe recursos que permitem procedimentos cada vez mais individualizados. Mas a tecnologia não substitui indicação e planejamento. Quando uma cirurgia é necessária, esses dois fatores são tão importantes quanto a própria execução do procedimento.
E quando ela não é necessária, saber que é possível acompanhar ou utilizar outras formas de tratamento também faz parte de uma boa medicina.
*Dr. Acir Novaczyk é cirurgião especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva (endoscopia ginecológica) em Cuiabá-MT.
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