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Sua empresa já iniciou o movimento de ESG?
Autor: Paulo Cruz Filho –
Estamos vivendo uma revolução nos modelos de negócios, que visam a entregar inovação ao mesmo tempo que desenvolvem mercados e solucionam macro problemas locais e globais. Para isso, o ESG deve ser pensado em integração a todas as demais áreas e prioridades de uma empresa. Como ESG, entendemos uma empresa que adota prioridades de governança, impacto social e impacto ambiental em sua operação e em sua estratégia, de forma alinhada e integrada com seu modelo de negócios.
Criado com o propósito mobilizar executivos, CEOs e empresários de todo o Brasil para tratar e liderar o tema ESG nas empresas, o Grupo WTC de ESG faz parte do Programa de Competitividade do World Trade Center Curitiba, Joinville e Porto Alegre. O principal objetivo desse grupo temático de competitividade é trazer mais empresas para o campo do ESG aplicado e com alto impacto positivo no mundo.
Na prática, nosso objetivo é constituir um grupo seleto de executivos, CEOs e empresários que tratará desse tema com foco em inovação, crescimento e evolução de negócios e impacto positivo e proativo. Para tal, desde o início do ano fizemos três eventos online abertos ao público para integrar os executivos interessados em agregar ESG às suas estratégias de negócio.
No último dia 21, realizamos o webinar “Café com ESG”, em formato participativo para que os participantes pudessem questionar um conjunto de especialistas sobre como atuar com o ESG na prática. Esteve presente nossa vice-presidente do grupo, Ariane Santos, da Badu Design, que trouxe sua visão de gerar impacto na prática. Também contamos com as presenças de Maria Eugenia Buosi, MSc, sócia fundadora e CEO da Resultante ESG; Gustavo Comeli, head corporate success da Distrito; e Daniel Carocha, head de ESG & Digital Innovation na PANGEIA.ECO.
Ambiente de competitividade
A principal contribuição de todo esse movimento gerado pelo Grupo WTC de ESG é ir além do que se configura como ESG no mundo atual. Vamos trazer ao empresariado brasileiro as maneiras mais eficientes e genuínas de se integrar o ESG em uma empresa, mas já dando um passo à frente e explorando, simultaneamente, qual é o Futuro do ESG. O ESG consciente traz os desafios sociais e ambientais para dentro da estratégia das empresas, criando um modelo inovador e regenerativo que aumenta o valor da empresa em todas as dimensões: econômica, social, ambiental e cultural.
Trata-se de uma evolução de abundância e de soluções para todos, o que representa uma quebra completa do paradigma atual dos negócios. E a boa notícia é que isso já acontece em larga escala. É impreterível para qualquer negócio no mundo atual ser parte desse novo e irreversível marco na história da nossa sociedade, no qual o conceito de sucesso está sendo ressignificado em nossas vidas e em nossos negócios.
Ao divulgar e mostrar para o empresariado que o ESG é uma ferramenta que está à disposição de suas equipes para ajudar a repensar a forma como uma empresa atuará nos próximos três a cinco anos, desmistificamos esse conceito e o trazemos para a prática. É preciso encarar o ESG não apenas como potencializador de negócios, mas como uma alavanca de expansão sustentável e inovadora de lucratividade e de negócios que geram intrinsicamente impacto positivo e proativo. Aproximamos assim as empresas de um mercado de impacto que é bilionário, mas cuja porta de entrada exige comprometimento, veracidade e genuinidade nas ações.
Paulo Cruz Filho é presidente do Grupo WTC de ESG e co-fundador & Soul of Flowing da We.Flow – Together for a Better World (negócio social voltado à expansão de consciência e de impacto de pessoa, comunidades e empresas).
Artigos
Existe, de fato, um livre-arbítrio?
Autor: Fernando Cunha* –
Parece mais confortável alegar a favor da existência de um livre-arbítrio consciente, uma vez que o próprio indivíduo tem necessidades e desejos específicos que nem sempre coincidem entre seus semelhantes. As demandas mais básicas de subsistência como fome e socialização, por exemplo, tendem a coincidir. Já as mais subjetivas, como preferências alimentares e estéticas, tendem a ser mais particulares e diversificadas. De qualquer forma, observar o que move o homem não é suficiente para analisar sua capacidade de verdadeiramente tomar decisões.
Livre-arbítrio significa a capacidade do indivíduo de decidir consciente entre um conjunto de alternativas. A maior dificuldade surge na tentativa de delimitar o conceito de consciente. Seria preciso ter a informação completa sobre todas as alternativas e um discernimento absoluto entre elas para que se pudesse embasar a existência de escolhas livres, o que é pouco provável frente à limitação humana. Por outro lado, seria possível defender um livre-arbítrio incompleto, aquele que permite um certo nível de avaliação, mas é altamente influenciado pelas experiências passadas e pela memória genética do indivíduo.
O livre-arbítrio pleno poderia significar, por exemplo, ser capaz de escolher sem qualquer influência de traumas de infância. Além disso, seria possível decidir genuinamente com sua própria utilidade lógica atribuída sem qualquer estímulo social, publicitário ou emocional. A ideia de um arbítrio incompleto aceita melhor as emoções humanas, principalmente numa era na qual os algoritmos dividem com os fatores hormonais os direcionamentos das ações. Decisões como começar um relacionamento ou visitar o novo restaurante da cidade são altamente associadas às publicações digitais que reforçam as ondas de dopamina.
Para uma geração que se sente pressionada pelos sonhos de prosperidade, vínculos saudáveis e tempo de qualidade, os gatilhos de entretenimento das redes sociais podem anestesiar essa dor. Ao mesmo tempo que anestesiam, eles formam novas experiências que provocam novas decisões. Entretanto, isso não é uma novidade da era digital, é apenas uma evidência moderna sobre como é difícil provar que as pessoas são, de fato, livres para ponderar e decidir sobre qualquer coisa. Uma possibilidade de se observar a realidade com menor interferência das próprias experiências é pela prática da meditação.
Meditadores experientes, como monges budistas, alcançam experiências intrigantes sobre a volatilidade e a interdependência dos fenômenos. Eles não apenas questionam os próprios desejos como também a existência de um “eu” que decide. E, dessa forma, alegam conseguir a diminuição do sofrimento nessa vida. Talvez, a conclusão mais relevante não seja necessariamente provar a existência ou não-existência de um livre-arbítrio. Mas entender que um dos componentes que fazem o homem sofrer é a necessidade de defender a sua própria capacidade de decidir. Talvez a verdadeira liberdade não esteja em provar a própria liberdade de escolha, mas em escolher ciente das próprias limitações.
*Fernando Cunha é escritor e autor do livro “O Dilema do Basilisco”, que reflete sobre os dilemas humanos perante o avanço tecnológico
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