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Seu filho está falando adequadamente?

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Autora: Vanessa Moraes*

Você sabia que pode colaborar (e muito!) com o desenvolvimento da linguagem do seu filho ou filha? Pois é! A participação ativa da família nos primeiros anos de vida da criança é fundamental para ajudá-la a desenvolver suas habilidades, inclusive a fala.

É primordial a audição estar preservada para que aconteça o desenvolvimento da fala. A audição pode ser avaliada ainda na maternidade quando se realiza o Teste da Orelhinha.

Ainda no primeiro ano de vida do bebê, espera-se que a criança fale as suas primeiras palavras. A princípio, costumam ser palavras isoladas, como mamãe e papai. Além disso, o bebê já poderá emitir onomatopeias (au-au, miau, bibi). Com 1 ano e seis meses, é possível que a criança comece a combinar duas palavras, como “da mamá” e “eu quero”, por exemplo.

Aos 2 anos de idade, costumam aparecer as primeiras frases de duas ou três palavras do bebê, como “eu quero papá”. Por volta de 2 anos e seis meses, começam as frases de três e quatro palavras.

Espera-se que, aos 3 anos, a criança já seja capaz de repetir trechos de histórias e produzir frases de quatro a cinco palavras. Por isso, é possível iniciar uma conversação e cantar músicas infantis e cantigas populares com a criança.

Aos 4 anos, a criança já deverá ser capaz de elaborar frases de cinco ou seis palavras. Ainda, poderá começar a narrar fatos e histórias.

Com 5 anos de idade, a criança pode utilizar os tempos verbais, pedir informações e utilizar orações em períodos simples e compostos.

Ao final da primeira infância, aos 6 anos, é esperado que a criança já articule todos os sons da fala, utilize frases gramaticalmente corretas e narre fatos e histórias com desenvoltura.

Embora existam marcos do desenvolvimento da fala, que são esperados para cada idade, sabemos que cada criança é única. Ou seja, cada um tem seu próprio ritmo de crescimento e amadurecimento. No entanto, caso a sua criança demonstre atrasos de fala e/ou dificuldades, como na articulação das palavras, é necessário que a família procure o apoio de um profissional. Assim, será possível orientar e acompanhar o desenvolvimento da criança.

A família deve se preocupar quando percebe uma diferença muito grande entre a fala do seu filho quando comparada às crianças da mesma idade. Por isso, é muito importante que os pais, mães e pessoas responsáveis observem com atenção e interesse o desenvolvimento da fala das crianças.

Caso a criança esteja com três anos, por exemplo, falando com muitas trocas de letras ou sílabas e apresenta uma fala difícil de entender, a família deve procurar orientação de um profissional.

Aos 6 anos de idade, espera-se que a criança esteja falando todos os sons da fala. Contudo, vale ressaltar que a Fonoaudiologia já pode ser aplicada antes disso. Em situações, por exemplo, onde a criança não demonstra o desenvolvimento da fala esperado para sua faixa etária. Na dúvida, é indicado que a família consulte um fonoaudiólogo.

A família tem um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem na infância. Por isso é muito importante estimular, desde cedo, a fala do bebê.

Nesse sentido, algumas dicas podem ajudar você a estimular a fala do seu filho ou filha:

– Converse sempre com seu filho, pronunciando as palavras sempre da forma correta. Nada de mudar a fala só porque está se dirigindo a uma criança;

– Brinque com criança, imitando sons de animais, contando historinhas e cantando músicas infantis;

– Nomeie objetos e ações, apontando para eles sempre que for possível. Isso amplia o vocabulário da criança;

– Ouça com atenção aquilo que a criança tem a lhe dizer.

Por fim, você sabia que o bebê se comunica antes mesmo da primeira palavra? Então, incentive o desenvolvimento da fala, o vocabulário e o repertório dos pequenos.

*Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista na Sonicon, em Cuiabá (MT)

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BIOCOMBUSTÍVEIS – O Antídoto Brasileiro frente à Crise Energética Global

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Autor: Cidinho Santos*

A história mostra que grandes crises energéticas costumam abrir caminhos para mudanças estruturais. Foi assim na década de 1970, quando o Brasil, pressionado pelo choque do petróleo, criou o Pró-Álcool e deu início a uma das cadeias produtivas mais eficientes do mundo. Agora, diante das incertezas no tabuleiro geopolítico e de uma nova escalada global dos combustíveis fósseis, o Brasil se encontra em uma posição singular, com a oportunidade de ampliar, avançar e consolidar uma maior participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional.

O mundo vive um cenário de instabilidade energética. Enquanto os tambores de guerra ecoam no Oriente Médio e as tensões escalam em regiões vitais para o suprimento de energia, o preço do barril de petróleo voltou a assombrar as economias globais, superando os US$ 100, impulsionado pelo risco de interrupções no fornecimento global. Isso impacta diretamente o custo do diesel, do transporte, dos fertilizantes e, consequentemente, de toda a cadeia produtiva.

No Brasil, esse efeito já é sentido no campo. O diesel mais caro pressiona o frete, encarece a produção, diminui a margem e reduz a competitividade. Mas, ao contrário de muitos países, temos uma vantagem estratégica clara, que ameniza estes impactos e pode ganhar muito mais protagonismo, passando a ser um verdadeiro triunfo contra a volatilidade do mercado internacional: os biocombustíveis.

Esse não é um ativo trivial. É, hoje, um diferencial competitivo e um escudo econômico.

O Brasil construiu, ao longo de décadas, com visão e persistência, a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo. Dispomos de matéria prima abundante, integração da cadeia produtiva, alta tecnologia de processamento e capacidade de escala como poucos países, sendo ambientalmente mais responsáveis, despontando ainda na vanguarda da descarbonização.

O etanol e o biodiesel, por exemplo, deixaram de ser apostas para se tornarem pilares da matriz energética nacional, com misturas obrigatórias entre as mais significativas do planeta. Além disso, a maior parte da frota nacional está preparada para utilizar diferentes combinações de combustíveis, o que dá flexibilidade ao sistema. Contudo, precisamos avançar muito mais para não sermos vítimas da subutilização do nosso potencial.

Mato Grosso é um exemplo claro disso. O estado é líder na produção de grãos e maior produtor de etanol de milho do País. Para se ter uma ideia, na produção total de etanol, saímos de 2,44 bilhões de litros na safra 19/20 – com equilíbrio de produção de etanol de cana de açúcar e de milho e devemos alcançar na safra 26/27, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) cerca de 8,44 bilhões de litros, sendo 86% desse montante oriundo da produção de etanol de milho, o que representa um aumento exponencial de 500% somente deste produto, no período. Nesse ínterim, o estado também praticamente dobrou sua produção de biodiesel, alcançando um recorde de 2,30 bilhões de litros em 2025, consolidando-se como segundo maior produtor do Brasil. Ou seja, temos matéria-prima, escala e tecnologia para ampliar ainda mais nossa participação na matriz energética nacional. O que falta, portanto, não é capacidade produtiva, mas decisão política.

Nesse contexto, a necessidade da ampliação agora da mistura de biodiesel ao diesel para 20% – o chamado B20 e do etanol na gasolina para 35% (E35), deixa de ser apenas uma agenda setorial e passa a ser uma decisão estratégica de Estado. Elevar a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis é uma medida concreta, de impacto imediato. Isso reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, protege a economia das oscilações internacionais e ainda fortalece a cadeia produtiva nacional, gerando emprego e renda, atraindo investimentos e promovendo o desenvolvimento regional.

Diante de um cenário internacional marcado por incertezas, o Brasil não pode hesitar. Ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética não é apenas desejável — é necessário. Sem contar que neste momento, por exemplo, o preço do óleo diesel A S10 importado está em R$ 6,40/litro, valor mais alto que o biodiesel, comercializado a R$ 5,15/litro, segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que reafirma mais um benefício direto, com redução do valor final para o consumidor. Ou seja, precisamos fazer escolhas que fortaleçam a produção interna, reduzam as nossas vulnerabilidades, protejam o consumidor e reafirmem a autonomia do país em um mundo cada vez mais volátil.

Se há uma lição a ser tirada da atual crise energética global é que: depender excessivamente de fontes externas e concentradas de energia é um risco estratégico.

Nosso país é um gigante energético que ainda não despertou completamente para o seu próprio potencial. Temos todas as condições de estabelecer alternativas reais ao petróleo, com competitividade de mercado e produção 100% nacional. O que falta é transformar isso em política de Estado, com previsibilidade e regulamentação, que garantam segurança aos investimentos para ampliação da capacidade produtiva com confiança e estabilidade.

O futuro da energia está sendo disputado agora. E, graças à sua trajetória, o Brasil já saiu na frente nesta competição. Temos o remédio nas mãos. Temos biocombustíveis. É hora de usar essa vantagem estratégica para proteger nossa economia e mostrar que o futuro, além de verde, é produzido em solo brasileiro!

*Cidinho Santos é ex-senador por MT, empresário do agronegócio e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações

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